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[Efeméride] 14 álbuns que celebram 25 anos em 2018

Diogo Ferreira

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Burzum, “Det som engang var”
Ainda que Varg Vikernes tenha gravado os primeiros álbuns de Burzum entre Janeiro de 1992 e Março de 1993, os lançamentos foram espalhados e até posteriores a esse intervalo de tempo. Em Agosto de 1993 saía “Det som engang var”, o segundo álbum do projecto, ainda com letras em inglês, o que viria a ser alterado totalmente para norueguês a partir de “Hvis lyset tar oss” (1994). Originalmente intitulado “På svarte troner”, Vikernes modificou o título para “Det som engang var” pouco antes do seu lançamento. Seria também nesse mês de Agosto de 1993 que Varg Vikernes assassinaria Euronymous (Mayhem).

 

Carcass, “Heartwork”
“Reek of Putrefaction” (1988), “Symphonies of Sickness” (1989) e “Necroticism – Descanting the Insalubrious” (1991) são grandes marcos do grindcore/goregrind mas o breakthrough dá-se em 1993 com “Heartwork”, continuando a ser, 25 anos depois, considerado uma obra-prima do death metal melódico. Para além de Jeff Walker (voz, baixo), Bill Steer (guitarra) e Ken Owen (bateria), este álbum contava também com a participação do guitarrista Michael Amott (Arch Enemy, Spiritual Beggars) que abandonaria os Carcass logo após a sua gravação.

 

Cynic, “Focus”
Enquanto a Europa era tomada de assalto pelo black metal norueguês e pelo death metal melódico sueco, do outro lado do Atlântico os Cynic mostravam-se mais famintos de novas sonoridades e abordagens com o primeiro álbum “Focus”. Sem esquecerem que eram uma banda da Florida, onde se desenvolvia uma cena death metal muito própria, os Cynic combinaram a sua paixão pelo referido género com influências de estilos exteriores, como o jazz. “Focus” é facilmente classificado como um álbum experimental se tivermos em conta a época e o som que ofereceram há 25 anos.

 

Darkthrone, “Under a Funeral Moon”
Darkthrone é sinónimo de death metal, black metal, heavy metal e punk. Mesmo glorificados como uma das bandas seminais do black metal, o duo (trio em 1993) nunca quis saber de rótulos e modas – se por um lado Nocturno Culto raramente aparece em público e é o wingman introvertido e reservado, por outro Fenriz é o divertido trabalhador dos correios que muito tem feito pela música pesada através da sua assídua presença na Internet. “A Blaze in the Northern Sky” (1992) já era considerado black metal, mas é com “Under a Funeral Moon” que os Darkthrone ganham destaque eterno com a sua produção sombria, gelada e, como intencionado por Fenriz, pura.

 

Dark Tranquillity, “Skydancer”
Descrito por Niklas Sundin (guitarra) como um álbum único, estranho e excêntrico, “Skydancer” ainda é, ao fim de um quarto de século, um dos trabalhos favoritos dos fãs da banda sueca. Considerado um dos gateways para o death metal melódico, “Skydancer” não obteve unanimidade na crítica: dum lado a Allmusic considera-o fracturado e sem foco, do outro a Sputnik Music dá os parabéns pela composição brilhante e pela execução sem falhas. A posição de vocalista era ocupada por Anders Fridén que viria a ter uma carreira de muito sucesso em In Flames.

 

Death, “Individual Thought Patterns”
Até 1993 os Death já tinham quatro álbuns de gabarito, mas a irreverência e o crescimento do seu estatuto enquanto nome alto do death metal não os fazia abrandar. Para além dum line-up de sessão luxuoso – com Chuck Schuldiner, Steve DiGiorgio e Gene Hoglan -, “Individual Thought Patterns” continuou a expandir o estilo técnico e algo progressivo que já se fazia sentir em “Human” (1991). Como era apanágio de Schuldiner, os seus conceitos líricos fugiam ao típico do death metal, preferindo concentrar-se em percepções sociais.

 

Dissection, “The Somberlain”
Ainda que a opinião geral indique “Storm of the Light’s Bane” (1995) como a peça magistral dos suecos Dissection, não podemos tirar da História o ano de 1993 e o álbum “The Somberlain”. Dedicado a Euronymous (Mayhem), assassinado por Varg Vikernes (Burzum) no mesmo ano, os Dissection davam nova vida ao black metal com a infusão de elementos de death metal melódico e até da NWOBHM. O mentor Jon Nödtveidt suicidar-se-ia em 2006, sendo assim apontada como uma das maiores e mais prematuras perdas da música extrema.

 

Entombed, “Wolverine Blues”
Sem se quererem associar ao super-herói da Marvel, os suecos Entombed viram o seu álbum de 1993 ter uma capa especial com o mutante das garras, tudo graças à insistência da Earache Records e do negócio feito com a Marvel sem a permissão da banda. Os álbuns seguintes já não seriam lançados pelo selo inglês. Musicalmente, “Wolverine Blues” mostra-se diferente dos discos anteriores devido à inclusão de elementos de hard rock, heavy metal e hardcore, ainda que algumas bases death metal se mantivessem evidentes – seguir-se-ia o chamado death n’ roll.

 

Immortal, “Pure Holocaust”
A tendência é olhar para 1994 como o grande ano do black metal, como se não houvesse nada para trás. E mesmo que a primeira observação seja verdadeira, é óbvio que a segunda não é. Apesar de se terem formado já nos anos 1990 (ainda que no início), os Immortal são indubitavelmente uma das bandas seminais do género. Munidos de cabelos compridos, pulseiras e corpse-paint, a banda lançava “Pure Holocaust” em 1993, um álbum que já mostrava bem a abordagem musical que a banda pretendia imortalizar (entre rapidez e melodia) e que se mantinha distante do conceito anti-religioso e satânico, preferindo temáticas relacionadas ao frio, ao norte e à fantasia.

 

Katatonia, “Dance of December Souls”
Este não só é o primeiro álbum dos suecos Katatonia como também é considerado a obra-prima do death/doom metal. A banda desenvolveu diferentes sonoridades ao longo dos anos seguintes – chegando mesmo a um rock atmosférico -, mas para sempre ficarão registadas oito faixas que exalam uma desolação constante que acaba por aconchegar através das guitarras altamente melódicas. “Dance of December Souls” representa 53 minutos de pura mestria que ainda hoje dificilmente tem rival à altura.

 

Morbid Angel, “Covenant”
David Vincent, Pete Sandoval e Trey Azagthoth – que formação invejável! A fazer 25 anos em Junho próximo, “Covenant” pode não ser um “Altars of Madness” (1989) ou um “Blessed Are The Sick” (1991), mas é um dos álbuns queridos pelos fãs da banda de Tampa, muito devido ao trabalho de guitarra de Trey Azagthoth que, como escreveu Michael Nelson, «parece imitar os horrores surreais da Natureza». Por seu turno, a Allmusic também congratula o guitarrista sem esquecer a rapidez de Sandoval.

 

My Dying Bride, “Turn Loose the Swans”
Para sempre conotados ao triunvirato do death/doom metal inglês (com Paradise Lost e Anathema), o segundo álbum dos My Dying Bride abre um novo caminho musical através da sua lentidão melancólica – ora por obra das guitarras, ora por obra do violino – e, como não podia deixar de ser, através da voz incontornável de Aaron Stainthorpe que se divide entre growls e voz limpa. “Turn Loose the Swans” é considerado um dos discos mais importantes no que ao desenvolvimento futuro do death/doom/gothic metal diz respeito.

 

Sepultura, “Chaos A.D.”
“Beneath the Remains” (1989) e “Arise” (1991), terceiro e quarto álbum respectivamente, podem ser dos discos mais apreciados pelos fãs de Sepultura, mas, e ainda que controversos devido às sonoridades apresentadas, “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996) também merecem destaque na longa discografia dos brasileiros. Ainda com Max Cavalera, Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Jr. na formação, “Chaos A.D.” presenteou ao mundo do metal composições mais groovadas e étnicas do que antes. As temáticas sócio-políticas estão presentes em faixas como “Refuse/Resist”, “Territory” ou “Slave New World”.

 

Type O Negative, “Bloody Kisses”
Os norte-americanos sempre possuíram uma forte base de fãs e a discussão sobre qual é o melhor álbum da banda é interminável, mas pelo menos não há dúvida de que “Bloody Kisses” é um dos melhores, com faixas lendárias como “Christian Woman” e “Black No. 1”. Numa mistura entre doom, goth e breve punk, este disco, que está prestes a comemorar 25 anos, apresenta uma banda muito coesa e com uma linha de composição já muito própria ao terceiro longa-duração, algo que se manteve ao longo de toda a carreira sem omitir desenvolvimentos sonoros. Sexual e satírico serão os dois melhores adjectivos para classificar “Bloody Kisses”. Peter Steele morreu em 2010, e com ele os Type O Negative.

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Lançamentos de 15.02.2019 (Rotting Christ, Asphodelus, Diabolical, Saor)

Diogo Ferreira

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Rotting Christ “The Heretics” (Season Of Mist)

«Sempre com a assinatura do black metal helénico tão característico e evoluído dos Rotting Christ, este álbum ganha novas cores sonoras com a introdução de uma espécie de cânticos eucarísticos e até gregorianos. Melódico do princípio ao fim, os leads e solos cativantes são também elementos preponderantes na intenção de agarrar quem ouve um álbum que surge no melhor momento de sempre da carreira desta banda devido não só à mestria de composição e execução mas também por causa da exposição mundial que Sakis e companheiros têm vivido nos últimos 10 anos.» (DF)

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Asphodelus “Stygian Dreams” (Terror from Hell Records)

«Ao longo de oito faixas, ouvem-se riffs/leads melódicos e tristes que são complementados por arranjos luminosos de teclados em contraste com a voz áspera que fornece ainda mais negritude a todo um conceito sempre bonito de se ouvir se for bem feito, como é o caso.» (DF)

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Diabolical “Eclipse” (Indie Recordings)

«Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. (…) “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.» (DF)

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Saor “Forgotten Paths” (Avantgarde Music)

«Entre a natureza das highlands e a herança escocesa, Marshall mistura tradição sonora com o folk/black metal já conhecido de Saor através de outros elementos habituais, como flautas e violinos. De audição intensa e emocional – devido à voz que tanto sofre como revela valentia ou devido à melodia das guitarras em conluio com flautas -, “Forgotten Paths” é autêntico e prova que evoluir faz bem sem se esquecer o caminho trilhado até à actualidade.» (DF)

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Sabaton History Channel: segundo episódio dedicado a “Blood of Bannockburn”

Diogo Ferreira

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No segundo episódio do Sabaton History Channel, Indy Neidell e Joakim Brodén trazem o tema “Blood of Bannockburn”, do álbum “The Last Stand” (2016), que versa sobre a batalha com o mesmo nome que ocorreu durante a Primeira Guerra da Independência da Escócia (1296-1328). Robert the Bruce é uma das principais figuras deste momento histórico ao ter-se oposto aos invasores ingleses liderados por Eduardo I.

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Phil Demmel (ex-Machine Head): «Detestei o último disco.»

Diogo Ferreira

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Foi em Setembro de 2018 que Robb Flynn, dos Machine Head, anunciou que o guitarrista Phil Demmel e o baterista Dave McClain iam abandonar a banda. Ainda assim, os dois músicos despediram-se dos fãs de Machine Head com a digressão norte-americana Freaks & Zeroes.

Meses volvidos, Demmel falou sobre este assunto durante um episódio do podcast Talk Tommey. «Não vou dizer mal desta separação ou do Robb. Acho que ele é um músico fantástico e os tempos que passei em Machine Head foram maravilhosos. Os últimos anos apenas não foram. Já não trabalhávamos como pessoas.»

Depois de afirmar que já não estavam a percorrer o mesmo caminho, Demmel faz a revelação chocante sobre o álbum “Catharsis”: «Detestei o último disco. Há momentos daquilo que compus que gosto. Compus a maior parte da [faixa] “California Bleeding”, mas o Robb escreveu as letras.» «Acho que [Machine Head] tornou-se no projecto a solo do Robb Flynn, e não foi para isso que me alistei», remata.

«Os últimos anos foram apenas para receber salário – e não posso fazer isso», referindo que não aguentava constantes indicações como «não podes fazer isto, não podes fazer aquilo, não fiques aí, não digas isto, não cantes as letras para o público, não apontes».

Em última análise, o guitarrista acha que ambos estavam fartos um do outro – «acho que lhe fiz um favor ao não ter que me despedir», saindo assim pelo próprio pé.

Phil Demmel, que esteve nos Machine Head primeiramente em 2001 e depois no período entre 2003 e 2018, conclui: «Ajudei esta banda desde o ponto mais baixo ao mais alto. Fizemos álbum fantásticos, demos concertos fantásticos. Por isso, estou a tentar reflectir sobre as cenas positivas.»

Actualmente, Demmel está a substituir Gary Holt (Exodus) nos Slayer e ressuscitou o projecto Vio-lence. Por sua vez, o baterista Dave McClain reuniu-se aos Sacred Reich.

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