Aborym “Something for Nobody Vol.1″ [Nota: 7/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Aborym “Something for Nobody Vol.1″ [Nota: 7/10]

a2007639251_10Editora: Dead Seed Productions
Data de lançamento: 15 Novembro 2017
Género: electro / industrial / experimental

Dez meses depois de “SHIFTING.negative”, os Aborym regressam com nova música. Não é bem nova música, vá… “Something for Nobody Vol.1” é um lançamento indicado para os fanáticos que querem usufruir de toda e qualquer criatividade proveniente do seu ídolo; portanto, este LP do projecto italiano é composto por remixes e composições que ficaram por revelar no intervalo entre 2015 e 2017.

Logo a abrir deparamo-nos com o tema-título, uma instalação sonora de 20 minutos que é apenas a primeira parte de algo muito maior – a totalidade, não revelada aqui, ultrapassa uma hora de duração. “Something for Nobody pt. 1” é uma das secções da banda-sonora da curta-metragem “Sakrifice”, uma tarefa pedida pelo próprio realizador, Raffaele Picchio, a Fabban (Aborym) e ao produtor romano Andrea Corvo. Nestes 20 minutos de audição sente-se uma escalada de tensão que na realidade nunca chega a rebentar por completo – o clímax há-de estar presente nas restantes partes, diremos –; no entanto, e pelo meio de sons minimalistas e manipulados, vamos acabar envolvidos numa rave party com batida crua e êxtase do público, assim como também seremos brevemente enfiados num jazz club sóbrio.

As duas faixas seguintes são mais remixes e manipulações. “For A Better Past” ficou a cargo de Keith Hillebrandt, um ás programador, remixer, manipulador sonoro e designer com ligações a Nine Inch Nails. Depois, “You Can’t Handle the Truth” teve mão dos Delflore que nesta remistura mostram bem aquilo que são na sua essência: electronicamente groovados, pesados e distorcidos, atmosféricos e medonhos.

O cunho de Fabban regressa no fim. Sempre com a sua percepção industrial, o italiano inclui guitarras rudes em remisturas também elas rudes – de facto, é óptimo sentir e compreender que o melhor foi realmente escolhido para “SHIFTING.negative” e que o resto ficou guardado para eventuais experiências, como é o caso deste lançamento. Destas últimas três faixas, mencionar “Farwaysai” que, puramente electro, tem a capacidade de evocar uma sensação espacial e relaxante muito à custa dos loops suaves e duma espécie de meditação vocal manipulada e imperceptível.

Repetindo para encerrar, “Something for Nobody Vol.1” é quase estritamente indicado para os fãs mais ferozes de Aborym, aqueles que não querem perder pitada das experimentações e devaneios electrónicos de Fabban que, para quem não sabe, revolucionou o black metal com a sua abordagem industrial em álbuns como “Kali Yuga Bizarre” (1999). Nós sabemos que ele não quer ser muito incomodado com isto, mas temos de fazer o nosso papel e não esquecer aquilo que vale a pena ser recordado.

 

7/10
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