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Acherontas “Faustian Ethos” [Nota: 8/10]

João Correia

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Editora: Agonia Records
Data de lançamento: 18 Maio 2018
Género: black metal

Após uma breve passagem por Portugal em Dezembro último no Under The Doom V, onde os helenos Acherontas promoveram “Amarta अमर्त (Formulas of Reptilian Unification Part II)”, não seria de esperar um novo registo tão cedo, atentando à complexidade progressiva que a banda tem utilizado como leitmotiv de disco para disco, de que é prova “Faustian Ethos”. A primeira sensação que temos é que os Acherontas investiram todo o seu stock de guitarras neste novo trabalho, pois, de facto, são o elemento mais gritante de todo o registo. Logo na inicial “The Fall Of The First Pillar”, bastante rápida, ouvem-se como se prestassem culto a “In The Nightside Eclipse”, de tão épicas e precisas que são, sempre com a temperatura a descer a cada acorde. O clima sobe uns graus nas seguintes “Sorcery And The Apeiron” e “Aeonic Alchemy”, em que as mesmas guitarras agora revelam a inconfundível influência grega, lentas e mais melódicas que são. “The Old Tree And The Wise Man” pode bem ser o melhor tema do álbum – nele, a banda imprime o clássico andamento rápido do black metal norueguês com as guitarras uma vez mais a serem o dueto dinâmico do trabalho – ora geladas, ora mais melódicas –, e com um jogo de bateria a ganhar vida própria. Tudo junto cria um organismo com vontade própria bem conhecido dos aficionados do black metal. Também há espaço para experimentação e introspecção – caso de “Faustian Ethos” e “Decline Of The West (O lereas Kai O Tafos)” –, que poderá ser mais ou menos emocionante, consoante o ouvinte e a sua dedicação aos Acherontas. Por fim, há lugar para “Vita Nuova”, um dos principais temas do disco no que diz respeito a progresso. Nele, os Acherontas revertem para a selvajaria do black metal de alta qualidade, com muita melodia e feeling a cada segundo que passa. Feitas as contas, não há dúvida de que “Faustian Ethos” é um passo em frente em relação a “Amarta अमर्त (Formulas of Reptilian Unification Part II) – é mais complexo, mais ousado e prende o ouvinte a determinados pormenores ao fim de algumas audições. Não é um disco imediato. Na verdade, serão necessárias algumas tentativas para apreciar este novo esforço dos Acherontas, que serão recompensadas com uma sensação de estarmos perante um disco que vale todo o tempo que lhe dedicamos.

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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Reviews avulso: Moenen of Xezbeth | Zero Down

Diogo Ferreira

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Moenen of Xezbeth “Ancient Spells of Darkness…” [Nota: 6/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 01 Agosto 2018
Género: black/doom metal

Devotados ao black metal em mid-pace, este projecto belga tem uma orientação crua que arranca de nós sentimentos cavernosos e obscuros muito à custa da sua sonoridade dungeon, provando que é uma produção rude que faz sentido nesta abordagem musical. Há ainda uma inclinação ao doom que se enquadra no tal andamento a meio-passo. Todavia, e por mais honesto que possa ser, as parecenças entre faixas representam o toque do alarme no que ao enfado diz respeito, já que as malhas de guitarra, a voz e a bateria não saem de uma zona de conforto originada no início do disco. Ainda assim, vale a pena mencionar os teclados que oferecem atmosfera e a tal condução a soundscapes oriundas de caves húmidas.

 

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Zero Down “Larger Than Death” [Nota: 6/10]
Editora: Minotauro Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: heavy metal

Heavy metal old-school naquela vertente NWOBHM é o que podemos esperar desta banda sediada em Seattle (EUA). Malhas corridas, twin-guitars, baixo grosso, algumas vozes high-pitched e até cowbell – está tudo neste “Larger Than Death”, mas falta algo… E deparamo-nos com o problema quando percebermos que os Zero Down não querem passar do revivalismo doutros tempos. Contra isso nada, mas a indústria musical, os fãs e os críticos dão ar de si se quiserem que o tradicional seja respeitado, ainda que com o arrojo de se estar no Séc. XXI e tentar um ou outro toque mais moderno. Esta nova proposta tem o seu vigor próprio, mas falta-lhe um kick épico e realmente cativante que não se destaca alargadamente. Bem tocado, mas pouco memorável.

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Reviews avulso: Ill Omen | Tunjum | Ritual Aesthetic

Diogo Ferreira

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Ill Omen “The Grande Usurper” EP [Nota: 7.5/10]
Editora: Iron Bonehead Productions
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: black metal

Proeminente força do underground australiano, a one-man-band Ill Omen, orientada por IV (conhecido como Desolate nos tempos de Austere), marca 2018 com um EP viscoso e moribundo composto por uma sonoridade grave e lindamente nevoeirenta. Ao longo de quatro faixas, este mini-LP revela a podridão sonora e conceptual em que se encontra actualmente Ill Omen através de walls of sound pestilentas por onde escorrem viscosidades nojentas, vozes vindas de criptas, malhas obscenamente sedutoras e influências claras em álbuns como “De Mysteriis Dom Sathanas” dos Mayhem. EPs são, geralmente, boas apostas e o multifacetado artista australiano acertou em cheio.

 

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Tunjum “Deidades del inframundo” [Nota: 7.5/10]
Editora: Dunkelheit Produktionen
Data de lançamento: 23 Julho 2018
Género: death metal

Demoraram um pouco mais de 10 anos para lançarem o primeiro álbum após demos, EPs e splits, mas lá conseguiram. O death metal dos peruanos Tunjum assenta em duas pedras basilares: sonoridade old-school sem baixar guarda e cultura Moche. Reinante durante cerca de 700 anos, já depois da Era que se diz de Cristo, a comunidade Moche, como muitas outras do continente sul-americano, fundamentava a sua existência em sacrifícios sanguinários. À força, caso fossem inimigos, ou voluntariamente, para agradar aos deuses, tais rios de sangue foram encaminhados para o death metal dos Tunjum que se apresenta sem desculpas, mas com muito compromisso estético, tratando-se este “Deidades del inframundo” um trabalho cheio de malhas orelhudas e bárbaras que são enegrecidas pela voz gutural e pela produção crua e atmosférica.

 

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Ritual Aesthetic “Wound Garden” [Nota: 7/10]
Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 27 Julho 2018
Género: industrial metal

Inicialmente idealizado como um projecto de estúdio, Sean Ragan, de Denver (EUA), acabou por elevar Ritual Aesthetic aos palcos e até já os partilhou com Hocico. “Wound Garden” é um terror digital bem maquinado e oleado, seja pelas várias camadas sonoras ou pelos hooks bem sacados dos mais variados elementos industriais que Sean engendrou para música. As faixas deste disco são capazes de nos remeter para outros artistas, o que poderá chamar a vossa atenção, entre os quais Marilyn Manson em momentos vocais, mais calmos e orelhudos, The Lion’s Daughter nas secções ditas mais cósmicas se tivermos em conta o álbum “Future Cult”, e Author & Punisher no quadrante estritamente industrial e desumano.

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