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Reviews avulso: Adaestuo | Kosmokrator | Ruinous

Diogo Ferreira

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adaestuo-frontcoverAdaestuo “Tacent Semitae” [Nota: 5/10]
Editora: WTC Productions
Data de lançamento: 11 Novembro 2016
Género: black metal

Com cerca de 20 minutos de duração, os Adaestuo apresentam o seu MCD “Tacent Semitae”, um lançamento de black metal ortodoxo e altamente ritualista que pretende disseminar escuridão de modo a levantar o fino véu que fica entre a carne e o Além. É ritualista nas vozes cerimoniais e nos arranjos (a fazer lembrar filmes de terror), o que incita ao oculto e à feitiçaria, e é ortodoxo na abordagem simplista dos riffs e estruturas típicas do black metal profundo. Ideologias ocultistas à parte – apesar disso também fazer parte de uma banda –, este trabalho entra por um ouvido e sai pelo outro com muita facilidade. Nada de novo por aqui.

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kosmokrator-coverKosmokrator “First Step Towards Supremacy” [Nota: 6/10]
Editora: Ván Records
Data de lançamento: 11 Novembro 2016
Género: death/black metal

Em meia horinha está o assunto resolvido e tudo destruído à nossa volta. “First Step Towards Supremacy” é um EP sem meias medidas – vai e racha. Os belgas anónimos Kosmokrator proporcionam um black/death metal de violência extrema que começa dissonante e compacto devido à veia death metal que bombeia riffs down-tuned, mas, e à medida que se avança, a banda acaba mesmo por introduzir alguma melodia tímida proveniente da guitarra lead que, assim, faz crescer o lado black metal do colectivo. O que aqui se ouve já se ouviu muitas vezes, mas não deixa de ser um trabalho com alguns pormenores de guitarra de relevante interesse.

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ruinous-coverRuinous “Graves Of Ceaseless Death” [Nota: 7/10]
Editora: Dark Descent Records
Data de lançamento: 11 Novembro 2016
Género: death metal

Com antigos membros de Funebrarum, os recentemente formados Ruinous tocam um death metal intemporal, porque neste “Graves Of Ceaseless Death” tanto há de novo como de antigo. Numa mistura entre o death metal melódico da Escandinávia e o mais sórdido dos EUA, a banda apresenta temas fustigantes que nos assaltam os sentidos sem misericórdia. Espessos e robustos, estes Ruinous lá nos dão alguns riffs mais rasgados em contraste aos que são cheios, solos que guincham a cada puxão de alavanca e um ou outro apontamento punk. A cobrir o bolo temos ainda a voz gutural de Matt Medeiros que personifica todo este processo poderoso, ainda que nem todas as faixas sejam verdadeiros win-win.

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The Casualties “Written in Blood”

Diogo Ferreira

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Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: punk rock

Fundados em 1990, chegamos a 2018 e nenhum dos membros actuais de The Casualties pode contar a história desde o início, ainda que o primeiro álbum “For the Punx” date apenas de 1997. O único original até há bem pouco tempo era o vocalista Jorge Herrera que abandonou a lendária banda de punk rock em 2017. A substituí-lo temos David Rodriguez que até empresta o seu conhecimento em línguas hispânicas ao longo do álbum, aqui e ali. Posto isto, Jake Kolatis é o elemento mais antigo, a tocar guitarra no grupo desde 1993, seguindo-se-lhe Marc Eggers na bateria desde 1995 e Rick Lopez no baixo desde 1998. E pegando neste último, refira-se desde já que o seu instrumento está muito bem representado ao ponto de se ouvir incessantemente e de forma preponderante em relação ao rumo que o ritmo e melodia dos temas ganham – o que é tão necessário e bonito de se ter no punk rock. Conceptualmente, a banda de Nova Iorque continua a desafiar as normas sociais e a querer derrubar a injustiça sociopolítica; já as riffalhadas mantêm-se coesas e corridas como a malta deseja no género e na banda, mas também podemos encontrar uma ou outra malha mais thrashy e leads mais rock n’ roll, o que não é de estranhar e até salpica o som dos The Casualties com as influências que ainda hoje Kolatis & Cia. têm dentro de si.

“Written in Blood” é um disco que pode não trazer nada de novo ao punk – salvo, porventura, um arranjo ao piano na faixa “Feed Off Fear” –, mas a essência honesta da música que tocam é intocável ao fim de 11 álbuns. Com uma produção limpa – os punks também merecem –, é impossível estar-se quieto a ouvir The Casualties, por isso não te assustes se as tuas pernas começarem a querer dar coices.

Nota Final

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Flageladör “Predileção Pelo Macabro”

Rui Vieira

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Editora: Helldprod Records
Data de lançamento: 02 Novembro 2018
Género: speed/thrash metal

Os Flageladör são uma banda querida por cá. Divulgados primeiramente pela Irmandade Metálica (possivelmente, a primeira entrevista para Portugal) e Herege Warfare Productions da Covilhã, a propósito do seu álbum de estreia – “A Noite do Ceifador” -, como quem não quer a coisa, já vão no seu quarto LP, entre vários splits. Mais uma vez, as premissas deste projecto/banda, oriundo de Niterói (Rio de Janeiro) e que tem o carrasco Armandö Executör como mentor e elemento original, são bastante simples e eficazes: old speed/thrash metal na onda de uns Living Death, Razor ou Destructor. Acrescem umas pitadas de Sodom. Aqui não há que enganar e já sabemos ao que vamos quando o assunto é Flageladör. Isso significa qualidade e ambiente 80s no seu expoente máximo e espírito underground, onde nada falha, desde os tópicos e imagem até à própria produção musical do trabalho. Todos os reverbs, bateria acústica e pequenos defeitos estão lá. São 10 faixas, sendo que a última, “M.A.F. (Morte Aos Fachos)”, é exclusiva para a Europa. Trinta e quatro minutos repletos de riffs cortantes e incisivos, solos eficazes e alguns refrãos para repetir em uníssono nas audições seguintes, é a receita dos brasileiros. Destaque para o tema-título, um épico de 12 minutos, algo nada habitual nas composições do niteroiense.

Armandö Executör, o fundador e a alma de Flageladör, é um nome que – juntamente com, por exemplo, Igor Lopes dos colegas Em Ruínas – tem erguido e ressuscitado o old school speed/thrash metal brasileiro nos últimos 10 anos. De forma sustentada, vêm construindo uma base sólida de admiradores, tanto no Brasil como em Portugal, país onde – finalmente – actuaram pela primeira vez no SWR (XXI) deste ano. Nota final para a excelente capa, a de um jovem a descobrir o prazer do heavy metal, ouvindo com largos headphones e olhando para a capa do vinil enquanto o demónio se revela por trás e se apodera da sua alma. Exactamente como era nos saudosos anos 80. Sendo um projecto pessoal de Armandö (a sua cruzada pessoal pelo verdadeiro metal), há garantias que continuará a erguer a sua bandeira de guerreiro underground e a gritar a plenos pulmões: “Unidos Pelo Metal… Flageladör!!!”

Nota Final

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The Browning “Geist”

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Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

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