Analepsy: Mestres do Apocalipse (entrevista c/ Diogo Santana) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Analepsy: Mestres do Apocalipse (entrevista c/ Diogo Santana)

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Após “Dehumanization By Supremacy”, um EP que pôs os Analepsy no mapa do que de mais pesado se faz em terras Lusas, foi a vez de, dois anos passados, darem o passo que lhes consolida o lugar e começa a abrir as portas do exterior. Para falar sobre este novo opus, “Atrocities From Beyond”, estivemos à conversa com Diogo Santana, guitarrista e nova voz da banda.

«Acho que já definimos o nosso som, já encontrámos o rumo que queremos seguir, mas sim, ainda há muito por fazer.»

Antes de mais nada, podes dar-nos uma breve apresentação da banda e da história da sua formação?
Somos os Analepsy, somos uma banda de slam/brutal death metal de Lisboa. A banda foi formada em 2013 pelo Marco, pelo Ricardo e pelo Flávio. No início era para ser uma banda na onda do subgénero goregrind, mas acabou por seguir uma vertente mais bruta. Entretanto a banda andava à procura de novo baterista e de um outro guitarrista, eu e o Tiago acabámos por nos juntar em 2014 aos Analepsy. Mais tarde o Ricardo abandonou a banda, em 2016, e a formação é composta desde então pelo Marco na guitarra, o Flávio no baixo, o Tiago na bateria e eu na guitarra e voz.

Depois de um excelente EP e um ainda melhor álbum, sentem que já encontraram o vosso caminho ou que ainda há muito para fazer?
Acho que já definimos o nosso som, já encontrámos o rumo que queremos seguir, mas sim, ainda há muito por fazer. Há muita coisa que ainda queremos melhorar, temos sempre ideias novas ou ideias que queríamos ter usado nos discos anteriores e não chegámos a usar. Enfim, como músicos, queremos sempre testar e explorar coisas novas, por isso é meter mãos à obra mais uma vez e tornar melhor o que já fizemos até hoje.

Os vossos temas estão repletos de brutalidade contida em ritmos de meio-tempo, com a intensidade de uma bomba prestes a explodir. Como definis o vosso som?
O nosso som é algo difícil de explicar, porque é uma mistura de influências e de feeling de cada um de nós. O nosso som é bruto, tem riffs e beats rápidos e outros mais lentos, também tem algumas partes melódicas e solos que dão um carácter com mais feeling à nossa sonoridade. Talvez neste álbum haja algumas partes mais técnicas, mas é um som próprio que se consegue sempre identificar como sendo o de Analepsy.

Para ti, quais são as principais diferenças entre o EP e o álbum, e como foi o percurso entre ambos?
Bem, o EP foi o nosso primeiro trabalho, gravado e produzido com o Miguel Tereso, no Demigod Studios. Foi, e será sempre, algo importante para nós, é o nosso “clássico”, foi o primeiro disco que gravei na vida, nunca tinha ido a estúdio gravar sequer, mas poderia ter sido muito mais bem trabalhado. Os riffs, principalmente, poderiam ter sido muito mais bem trabalhados, mas, como disse, foi o nosso primeiro disco e ficámos muito contentes com o resultado e com a projecção que teve. O álbum foi gravado e produzido também pelo Miguel Tereso, no Demigod Studios. Foi algo mais bem pensado, com muito mais tempo e calma. A estrutura das músicas e as próprias composições já são mais complexas que no EP, mas têm presente a nossa sonoridade na mesma. A bateria desta vez foi gravada numa bateria acústica, no Nox Messor Sound Studios, o que deu um carácter mais orgânico à produção. Os vocais foram algo que também marcaram a diferença neste álbum, com a saída do Ricardo acabei por ser eu a gravar os vocais para o álbum. Ficaram muito diferentes dos do EP, mas no bom sentido.

«Conseguimos ver pelo feedback na Internet que o pessoal estava mesmo satisfeito com o nosso trabalho.»

Em termos de expectativas, como tem sido a receptividade do CD, tanto da impressa como do público e vendas, no vosso ponto de vista?
Sinceramente, as expectativas foram bastante superadas. Já sabíamos que quem tinha gostado do EP também ia gostar do nosso novo trabalho, mas, como disse, essas expectativas foram mesmo superadas. O pessoal gostou mesmo do álbum, aderiu imenso, tivemos muitas pre-orders e muitas vendas do álbum e de merchandise. Conseguimos ver pelo feedback na Internet que o pessoal estava mesmo satisfeito com o nosso trabalho, o que nos deixou bastante contentes e realizados.

Devo dizer que a capa do álbum é soberba. Nova parceria com o Pedro Sena. Como começou esta vossa parceria? Como nasceu o conceito para a capa?
Esta parceria começou quando o Pedro fez a capa para o EP “Dehumanization By Supremacy”. Gostámos do trabalho dele, por isso decidimos fazer de novo com ele o artwork, e ficámos novamente bastante satisfeitos. O conceito da capa surgiu com a temática do álbum, uma entidade de outro Universo que vem mudar o nosso mundo como o conhecemos. O Flávio, o nosso baixista, fez alguns esboços e deu algumas ideias de capas e de imagens de jogos, e formou ele assim, com o nosso apoio, um conceito para a capa que acabou por ser do agrado de todos.

Para este lançamento, para além da vossa editora nacional, a Vomit Your Shirt, também estão a trabalhar com a editora germânica Rising Nemesis. Como começou esta parceria e qual o impacto da mesma na vossa divulgação a nível internacional?
A parceria com a Rising Nemesis surgiu quando tocámos na Suíça, no festival Rock The Hell, e o Nasar, o boss por detrás da Rising Nemesis, veio ter comigo, disse-me que tinha adorado o nosso concerto e perguntou se estaríamos interessados em lançar o novo álbum pela sua editora. Eu, na altura, fiquei um bocado atrapalhado e sem saber o que dizer, mas acabei por dizer que seria melhor contactar a banda para discutirmos melhor a situação. Ele contactou e acabámos por aceitar a proposta dele. A Rising Nemesis tem muitos contactos internacionalmente e mexe-se muito bem neste meio, foi uma decisão bem ponderada e de facto estamos satisfeitos com essa decisão. Por um lado tínhamos de ter a Vomit Your Shirt a trabalhar connosco, o Micael é um amigo de extrema confiança e trabalhamos de perto com ele, é uma pessoa que já anda neste meio há muito tempo, por isso depositámos a nossa confiança no Micael e na Vomit Your Shirt mais uma vez.

Neste momento estão apurados para a final do Waken Metal Battles que irá decorrer na abertura do SWR XX. Para quem vai estar presente no festival, o que podem esperar dos Analepsy ao vivo? Já têm mais datas previstas?
O que podem esperar dos Analepsy ao vivo é boa disposição e brutalidade acima de tudo. Outras datas próximas é o Eradication Festival (22 de Abril em Cardiff), o Nice To Eat You Deathfest (20 de Maio na República Checa), vamos ter a nossa primeira tour europeia juntamente com os Human Vivisection em Julho e em Agosto vamos estar presentes no Deathfeast, na Alemanha.

A review ao disco pode ser recordada AQUI.

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