Ashenspire: dilemas do imperialismo britânico (entrevista c/ Alasdair Dunn) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Ashenspire: dilemas do imperialismo britânico (entrevista c/ Alasdair Dunn)

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Ashenspire é um segredo que queremos que deixe de o ser. “Speak Not Of The Laudanum Quandary” é uma verdadeira obra-de-arte que lida essencialmente com os absurdos e tragédias do imperialismo britânico, é um álbum teatral e cheio de tensão com alguns pontos que digladiam entre o romantismo e o barroco. Para perceber melhor tudo isto, falámos com o director criativo desta proposta, o Sr. Alasdair Dunn.

«[O álbum] é uma condenação ao imperialismo, colonialismo e outros assuntos sociais que continuam a assolar o mundo moderno.»

Lidando com os absurdos e tragédias do imperialismo britânico, podemos olhar para o álbum como uma viagem pelos tempos?
Em certo sentido suponho que sim! O álbum baseia-se em sete observações à história imperial britânica, destacando particulares incidentes e atrocidades que emergiram. É, consequentemente, um pequeno banho na fossa, uma breve (e por vezes abstracta) lição. A música em si reflecte a estética antiga, portanto conspira a invocar visualizações do passado. Mas os paralelos que podem ser desenhados com os problemas dos dias modernos são um aspecto muito importante destas canções.

Mergulhando nas letras, contas apenas histórias ou podemos vislumbrar criticismo?
Absolutamente, o álbum é muito crítico. É uma condenação ao imperialismo, colonialismo e outros assuntos sociais que continuam a assolar o mundo moderno. Ao que a nós diz respeito, essa é a orientação completa do álbum: demonstrar a mensagem do conceito.

«Vejo o álbum como um artigo académico – embora sem as referências e com linguagem e opiniões muito mais floridas…»

Todas a canções têm muita tensão e foi o que mais gostei no disco. Podemos olhar para o álbum como uma peça de teatro?
Não o vejo como uma peça de teatro, embora tenha uma fluidez narrativa muito vaga e quase não-existente, e é certamente executado de uma forma muito teatral, portanto vejo onde queres chegar. Quanto muito vejo o álbum como um artigo académico – embora sem as referências e com linguagem e opiniões muito mais floridas…

O uso de violinos soa romântico, mas ao mesmo tempo apreensivo. Podemos apontar isso como algo envolvente, mas também misterioso?
Por certo cria uma atmosfera muito específica neste contexto. Violinos e pianos apareceram fortemente na música do Séc. XIX (onde muito do álbum acontece), portanto parece-me particularmente apropriado! Esperamos usar isto (e outros instrumentos menos convencionais) com maior extensão no material futuro.

Quando às vozes, a promoção fala de semelhanças teatrais com Diamanda Galas, mas também incluiria Andrew King e David Tibet. Funciona brilhantemente, mas nesta abordagem vocal há uma linha ténue entre o maravilhoso e o enfadonho. Pessoal e musicalmente, como é que manténs as coisas interessantes?
Bem, as vozes são muito uma experiência corporal – podem ser completamente exaustivas, tanto física como emocionalmente. É uma auto-expressão pura e inalterada, portanto a nível pessoal sempre foi completamente natural. De uma perspectiva mais musical, é tudo sobre variar o pitch, o tom e o ritmo; muito da cantoria segue os mesmos ritmos, e gosto de explorar os estranhos e pouco habituais. Quanto ao resto, é tudo teatro.

«As vozes são muito uma experiência corporal.»

Duas coisas que me prenderam a atenção, mesmo antes de ouvir o disco, foram os nomes de Greg Chandler e Brad Boatright. O primeiro é um músico conhecido e o segundo tem sido muito requisitado para produzir. Quão felizes estão por terem trabalhado com eles?
Não podíamos estar mais felizes. O Greg tem sido incrivelmente diligente, paciente e entusiástico no seu trabalho connosco, e só podemos responder com gratidão e com o maior respeito por ter trazido o álbum à vida de forma que não antecipávamos. Esperamos voltar a trabalhar com ele. O mesmo para o Brad – um ser-humano flexível, profissional e excelente.

Claro que o álbum está fresco e tem canções muito complexas, mas não posso esperar por ouvir novidades. Como estão os planos para o futuro próximo?
Para o futuro próximo, provavelmente uma bebida forte – este álbum foi trabalhado durante muito tempo e com elevado esforço. Temos ideias que imploram por coagular no próximo disco: mais músicos, mais sons, mais jazz. Não queremos desvendar muito nesta altura, mas o foco de observação vai mudar para iniquidades mais recentes, mais próximas de casa. Para além disso, há mais uma ou duas ideias a zumbir nas nossas cabeças. Primeiro de tudo, queremos criar discussão e diálogo sobre tudo o que surge de “Speak Not Of The Laudanum Quandary”.

A review ao álbum pode ser acedida AQUI.

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