[Exclusivo] Alexander Krull comenta o estado de graça de Atrocity – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Exclusivo] Alexander Krull comenta o estado de graça de Atrocity

«É interessante porque agora percebemos que várias bandas se inspiram nas nossas bandas.»

Tudo é feito de gerações e cada uma foi inspirada a envolver-se em variados assuntos e movimentos a determinada altura – especialmente em momentos de convulsão social ou artística. Por exemplo, muitos dos adeptos do metal que têm agora cerca de 30 anos entraram na cena no final dos anos 90 / início dos 00 com o nu-metal que estava por todo o lado – da rádio à televisão. Passados cerca de 20 anos, há quem se incline a gozar e a rebaixar o nu-metal como se tivessem esquecido de onde vêm enquanto metálicos da actualidade que evoluíram para gostar de sonoridades mais extremas e menos comerciais como death e black metal. Algo parecido tem ocorrido nos últimos anos com o deathcore. Os jovens têm entrado na cena metal através de bandas de deathcore, e ao sentirem tanta paixão por isso acabam por descobrir os ícones do death metal, como Cannibal Corpse, Napalm Death, Carcass ou Atrocity.

Numa conversa realizada por telefone com Alexander Krull, dos Atrocity, a Ultraje referiu precisamente esse crescimento no gosto musical. «É interessante porque agora percebemos que várias bandas se inspiram nas nossas bandas. É por causa do tempo – começámos cedo e fizemos cenas bem malucas com Atrocity», assinala o vocalista da banda alemã. «Os miúdos agora ouvem os primeiros álbuns de Atrocity e ficam ‘uau, já fizeram isto naquela altura?’. É porreiro.»

Todavia, não só os fãs abordam os veteranos germânicos, mas também artistas / colegas de profissão contemporâneos aos Atrocity, como conta Krull: «Lembro-me que quando tocámos no 70000 Tons Of Metal Cruise, o Pat [O’Brien] dos Cannibal Corpse encontrou-me no bar e disse-me que éramos das bandas favoritas dele. Já nos tínhamos encontrado muitos anos antes, em 1990, quando andámos em digressão. São estas as conversas que temos com estas pessoas… Até os Slipknot já falaram comigo e disseram que adoravam os primeiros álbuns. O Joey [Jordison] praticava com a nossa tape quando aspirava a ser um baterista extremo. É muito, muito fixe.»

Mas claro que a interacção com os fãs é um ponto central de opinião e divertimento, por isso Alex Krull faz questão de regressar a esses momentos: «O mesmo com os fãs… No 70000 Tons Of Metal Cruise estava pessoal de todo o mundo e tocámos como Leave’s Eyes, mas anos antes tínhamos tocado como Atrocity – e veio toda a gente dizer: ‘Ei, estão cá como Atrocity?’ E nós: ‘Não, estamos como Leaves’ Eyes.’ ‘Têm de voltar como Atrocity!’», retorquiam os admiradores. «Querem ouvir os clássicos e as novas músicas. E é maravilhoso, porque o EP “Masters Of Darkness” saiu em Dezembro [de 2017] e as pessoas já estavam todas entusiasmadas. Ficamos muito contentes por ter este tipo de opiniões.»

O novo disco dos Atrocity intitula-se “Okkult II” e será lançado pela Massacre Records a 6 de Julho. A entrevista completa com Alexander Krull e Thorsten Bauer será publicada futuramente.

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