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[Entrevista] Auðn: sombras infinitas

rsz_audn-22-small-lilja_draumlandFoto: Lilja Draumland

O fluxo de bandas islandesas não pára de invadir o resto da Europa e a mais recente proposta da ilha nórdica chama-se “Farvegir fyrndar”, o segundo álbum dos Auðn (banda que inclui membros de Dynfari). Para falar do disco, do país e da sua cena musical estavam, do outro lado, Andri Björn Birgisson e Aðalsteinn Magnússon (ambos guitarristas). Eis a entrevista.

«Chegámos a mais extremos neste álbum – picos mais altos e vales mais fundos.»

Concordam se dissermos que o novo álbum é mais agressivo, detalhado e maduro?
Sim, temos polido a nossa composição e chegámos a mais extremos neste álbum – picos mais altos e vales mais fundos.

As bandas islandesas têm sempre a capacidade de transformar a paisagem do país em som – sejam artistas pop, rock ou metal. Com “Farvegir fyrndar” somos capazes de sentir o toque afiado do gelo, a força da lava e muita solidão. Acham que esta é uma forma de falar sobre Auðn?
Claro que somos influenciados pelas paisagens, mas, e talvez mais em opinião própria, a influência vem das diferentes Estações – os Invernos sem Sol e os Verões sem dormir. No Inverno tudo é mais lento e pesado enquanto no Verão há um sentido de urgência para se fazer tudo o que se conseguir enquanto dura.

Tendo a questão anterior em conta e sabendo que as vossas letras são em islandês, o que diriam sobre o conceito lírico?
As letras são muito metafóricas. De uma forma ou doutra, a maioria é sobre depressão, paisagens ásperas, visões melancólicas do mundo e fantasias de um mundo há muito acabado ou esquecido. Somos inspirados mas não limitados à Islândia.

Há um jogo entre melodia e dissonância em quase todas as faixas. Diriam que este equilíbrio vem da habilidade ou do vosso interior? Talvez um pouco dos dois, não?
Geralmente seguimos o nosso interior quando compomos, mas é claro que se constrói uma certa habilidade ao longo do tempo que influencia as decisões interiores. A nossa música favorita é normalmente aquela que dança na linha entre dissonância e melodia, e sentimos que levámos muito mais o álbum nessa direcção do que anteriormente.

A press-release avisa que o álbum cresce em nós vagarosamente. Bem, podemos prová-lo na medida em que apenas o conseguimos inalar por completo à terceira vez. Gostámos do álbum desde o início, mas tudo se tornou mais significativo após alguma rodagem. Acham que isso pode ser um perigo para o álbum?
É difícil dizer, [porque] pertencer ao processo de composição pode tornar-te cego em relação ao teu próprio trabalho. Só conseguimos mergulhar na maior parte dos nossos álbuns favoritos após algumas audições. Se por um lado o álbum deverá ser estratificado para dar ao ouvinte algo novo a cada audição, por outro também deverá haver algo muito magnético para agarrar a atenção.

A Islândia tem à volta de 330.000 habitantes e o resto do mundo do metal tende a pensar que o país está repleto de metaleiros em cada cidade, vila, esquina ou bar. Acho que isso não é bem verdade, mesmo que a Islândia exporte muito black metal. Portanto, como é realmente a cena musical e artística na Islândia?
Bem, não é uma cena enorme, mas há pessoas muito activas. Algumas têm duas ou mais bandas, talvez por isso se vê tanto fluxo de bandas islandesas a tocar internacionalmente – às vezes partilham membros e estamos todos próximos uns dos outros.

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