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Avantasia “Ghostlights” [Nota: 7/10]

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127596_Avantasia___GhostlightsEditora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 29 Janeiro 2016
Género: heavy/power metal

Tobias Sammet é uma espécie de super-estrela do power metal alemão. Tudo em que toca parece transformar-se em ouro, mas mesmo ele estava longe de imaginar quando decidiu, no início dos anos 00, iniciar os Avantasia, o sucesso que obteria. Actualmente, com meia-dúzia de álbuns editados, o projecto paralelo do cantor e multi-instrumentista é uma espécie de supra-sumo das rock-óperas aplicadas ao heavy metal, um Ayreon 2.0 que os fãs de hard rock, heavy metal melódico e power metal europeu se habituaram a esperar e a apreciar sem reservas nem desilusões.

“Ghostlights” é, pois, o sétimo capítulo da Aventura Avantasia e volta a ser um festim de colaborações da equipa constituída por Sammet e pelo guitarrista Sascha Paeth. As mais “fora da caixa” são “Draconian Love”, canção de rock gótico à Sisters Of Mercy em que Herbie Langhans (Sinbreed, Seventh Avenue) dá uma mão nas vocalizações e também “Isle of Evermore”, dueto de Tobias com Sharon den Adel (Within Temptation), single para rádios comerciais de melodia bem açucarada e estrutura redondinha. Estes são os temas que podem transformar “Ghostlights” na típica rock-ópera esquizofrénica que tanto está a disparar temas de power metal cheios de solos e riffs empolgantes (o ex-At Vance Oliver Hartmann e Bruce Kulick, dos Kiss, são os “ajudantes” de Sascha Paeth) como a dar diferentes tons e aromas às canções com vocalistas de personalidade tão forte e diferente como Marco Hietala (Nightwish), Geoff Tate (ex-Queensrÿche), Dee Snider (Twisted Sister), Michael Kiske (ex-Helloween), Bob Catley (Magnum) ou Jorn Lande (ex-Masterplan).

Por isso, se são fãs dos típicos refrões gigantes, melodias pegajosas e produção levada aos píncaros da perfeição que normalmente caracterizam os discos de Avantasia, “Ghostlights” não vos desiludirá e cumpre, ponto a ponto, todas as premissas criadas por Tobias Sammet há década e meia. Se nunca foram com a “cara” do projecto não é agora, com a experiência e a classe a compensar alguma falta de inspiração e entusiasmo, que isto vos vai salvar a vida.

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Aborted “TerrorVision”

Pedro Felix

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Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 21 Setembro 2019
Género: death metal

Vinte anos volvidos sobre o lançamento da primeira demo “The Splat Pack”, os Aborted lançam este que é o seu oitavo álbum de originais. Nestes vinte anos, várias foram as vezes que estes belgas passaram pelo nosso país, tornando-se mesmo numa das bandas fetiche do SWR Barroselas Metalfest. A sua presença nos palcos lusos deve-se, em parte, à personalidade dos elementos da banda, mas maioritariamente por causa do death metal de qualidade que professam. “TerrorVision” não é excepção à regra, e traz-nos dez temas e uma intro de elevada qualidade. Mesmo para quem já conhece a banda e tem acompanhado o seu percurso, este trabalho pode-se revelar uma surpresa agradável. Em comparação com “Retrogore”, o seu predecessor, conseguimos sentir uma evolução, um aprimorar da sonoridade e da composição e execução dos temas. Quando se pensava que os Aborted tinham atingido o ponto de rebuçado, eis que surpreendem e sobem um pouco mais a fasquia.

Com um death metal sólido, as faixas, logo desde o arranque do tema-título a seguir à intro, revelam o que nos espera: uma barragem de riffs bem arquitectados, uma bateria avassaladora de assustadora precisão e uma voz poderosa que, no entanto, não torna as palavras imperceptíveis. As guitarras criam autênticas paredes sonoras, como se fossem uma orquestra de violinos demoníacos em perfeita sincronia e descarregam solos de precisão cirúrgica. Complexo, multifacetado e diversificado, o death metal apresentado pelos Aborted mostra-se sempre de fácil acompanhamento, sem nunca entrar em tecnicismos excessivos, apesar do nível alto de execução que exige.

Destacar algum tema em detrimento de outros seria uma injustiça para os preteridos, já que “TerrorVision” se mostra de pedra e cal, não só na qualidade de cada uma das suas composições como no conjunto de todas elas. Cada música é parte de um todo, sendo que se destaca sempre o tema que está a ser ouvido no momento. Os temas são de se apreciar como um todo e o álbum é de se ouvir e repetir uma e outra vez.

Nota Final

 

 

 

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Mantar “The Modern Art of Setting Ablaze”

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: sludge metal

Poucas bandas conseguem escapar-se de receber um rótulo no que toca à sua sonoridade, algumas podem até aceitá-los de bom grado e há outras, como é o caso de Mantar, que tornam este processo uma das tarefas mais difíceis que já tivemos. Foi sem grandes complicações ou pretensiosismos que este duo germânico conseguiu, desde o lançamento do seu primeiro álbum, enquadrar o punk e o black metal nos meandros do sludge.

Em apenas seis anos de carreira, e sobretudo desde o lançamento de “Ode To The Flame”, provou-se que esta assinatura sonora, tanto em palco como fora dele, lhes valeu um grande e merecido reconhecimento. É então através da Nuclear Blast que nos fazem chegar “The Modern Art of Setting Ablaze.” Este é o seu terceiro álbum de estúdio e volta a apontar holofotes na direcção de Hanno e Erinc, sem nunca se afastar da fórmula original, onde dois bastam para fazer o estrago de cinco ou mais.

“The Knowing” é a faixa introdutória, que rapidamente descontrai e prepara os ouvidos dos mais atentos para um dos momentos mais catchy deste trabalho: o riff inicial de “Age of the Absurd.” Os temas “Seek + Forget” e “Taurus” abrandam ligeiramente o ritmo, mas nem por isso desfalcam a descarga massiva de riffs memoráveis, que ficam alojados naquele sítio mais escondido e obscuro da nossa cabeça. Sempre sob a máxima ‘dois é bom, três é demais’, o ritmo galopante de Erinc nunca esmorece, juntando-se à voz e guitarra animalescas de Hanno, numa feroz contribuição para o build-up que sentimos ao longo destes doze temas.

A meio do álbum, o tema “Dynasty of Nails” chega acelerado e relembra que grande parte das raízes deste duo assenta efetivamente no punk. Mesmo com algumas oscilações de ritmo, o compasso abrasivo mantém-se e é apenas nos últimos “Teeth of the Sea” e “The Funeral” que podemos reconhecer um tom mais melancólico, onde a vertente mais doom da banda volta a merecer algum destaque.

Uma produção mais cuidada revela-se talvez uma novidade não tão bem-vinda neste terceiro trabalho. O registo mais limpo facilita a coesão entre faixas, mas descarta aquele som pantanoso, repleto de pormenores ásperos, a que já nos tínhamos habituado. Ainda assim, na maior parte do tempo, as letras dos temas compensam este ponto com linhas como “since you are born, you are waiting for death.”

Um álbum coeso e straightforward, com mais uma pitadinha de in-your-face do que lançamentos anteriores. Aqui não há direito a pausas para descanso.

Nota Final

 

 

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King Dude “Music To Make War To”

Diogo Ferreira

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Editora: Ván Records
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: blues / country / rock

King Dude não é um artista de massas, mas tem fãs leais por todo o mundo e ao fim de quase 10 anos é evidente que ajudou a modificar, para melhor, a cultura musical norte-americana. Se os primeiros discos eram direccionados às guitarras acústicas e já com muita atmosfera, em “Fear” (2014) introduziu a guitarra eléctrica, em “Songs Of Flessh & Blood – In The Key Of Light” (2015) surgiu com piano e em “Sex” revelou a sua faceta punk. Agora, com “Music To Make War To”, o músico adorado por tantas e tantos junta um pouco de tudo o que já fez.

Com a loucura de guerra como fundo, King Dude oferece uma mescla de country, blues, americana e rock, sempre, claro, com o seu cunho tão pessoal. Se a guerra provoca náuseas, desorientação e doença, a música de King Dude tenta curar tudo isso sem nunca omitir a negritude da base conceptual. A inaugural “Times To Go To War” apresenta uma faceta obscura e extremamente atmosférica, “Velvet Rope” atira-nos para campos sonoros relacionados ao rock, “I Don’t Write Love Songs Anymore” recorda-nos o post-punk de Inglaterra, “Dead On The Chorus” expõe mais uma vez uma inclinação punk, “In The Garden” apresenta uma paisagem sonora meia electrónica com loops cativantes, “Let It Burn” evoca uma espécie de cenário western e “Good And Bad” põe-nos à mesa de uma boîte envolta em fumo de cigarros onde, no palco, poderá estar uma cantora de vestido vermelho que chora ao lado de um saxofone.

Ao fim de sete álbuns, este “Music To Make War To” prova que parar e ficar numa zona de conforto não é o trato de King Dude. Relevando novamente que TJ Cowgill é parte importante da transformação da música underground norte-americana, este disco prova também que nunca sabemos ao certo o que acontecerá a cada álbum que é lançado. E isso é bom! Aliás, tem sido bom. Qualquer trabalho de King Dude é um must-have.

Nota Final

 

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