Bestial Invasion “Contra Omnes” [Nota: 9.5/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Bestial Invasion “Contra Omnes” [Nota: 9.5/10]

bestial-invasion-capaEditora: independente
Data de lançamento: Setembro 2017
Género: thrash metal progressivo

Por onde começar? Os Bestial Invasion são um colectivo ucraniano vindo de aparentemente nenhures e que apresentam o seu segundo álbum “Contra Omnes”. Ainda que breve, esta introdução poderia ser a história de qualquer banda underground que se apresenta ao mundo em 2017… não fosse “Contra Omnes” uma anomalia musical raríssima que homenageia muito justamente e que só encontra pares à altura em trabalhos como “Control and Resistance”, “Unquestionable Presence”, “Focus” ou “Mental Vortex”. Difícil de acreditar? Já lá vamos. Antes de mais, a banda é nitidamente influenciada por Watchtower, Atheist, Cynic e Coroner, os criadores das obras anteriores. Depois, e se isto em si parece irrealmente ambicioso, ao ouvir “Contra Omnes” depressa nos apercebemos de que os Bestial Invasion superam ou – na pior das hipóteses – facilmente igualam qualquer uma das suas influências, e é aqui que tudo se torna inusitado: se soar aos seus ídolos já é um elogio tremendo, achar que a banda ultrapassa, na generalidade, os seus ídolos, parece ridículo.

Mas não é. De facto, os Bestial Invasion são músicos prodigiosos tanto no plano individual como no colectivo e “Contra Omnes” prova-o sem margem para dúvidas. Trata-se de um disco de thrash/speed metal progressivo no verdadeiro sentido da palavra, com imensas nuances neoclássicas, flamenco (!) q.b. e muitos pontos de interrogação espalhados uniformemente ao longo do trabalho. Se as guitarras de Aleksandr Klaptsov e Denis Shvarts criam momentos clássicos raros e solos de trazer uma lágrima ao canto do olho, o trabalho de baixo inquieto e precoce de Sergiy Bondar, que faz lembrar um Steve Di Giorgio da época dos Sadus mas com esteróides, une todos os instrumentos em uníssono como se de maestro e ensemble se tratasse, a voz de Vakhtang Zadiev compete ombro-a-ombro com Alan Tecchio ou Bruce Dickinson nos seus períodos áureos e Ivan Semenchuck, baterista e o membro mais discreto da banda, reparte-se entre o thrash progressivo, os blastbeats típicos do death metal e a variação prolífica do jazz como se se tratasse de um passeio no parque.

Não existem meios-termos em “Contra Omnes”, não existem cinzentos, é tudo preto no branco – trata-se de um álbum singular, seguro, adulto, sólido e muito raro, ainda que (por vezes) soe demasiadamente a Atheist, mas é natural: o próprio Rand Burkey (Atheist) colabora, juntamente com Shaun McCoy (ex-Confessor) com um solo de guitarra em “Prisoner of Miserable Fate”; logo, será que isso não deve ser considerado um pró em vez de um contra? Como cerejas no topo do bolo, há duas covers: “Thrash Attack”, dos Destruction, e “See You in Hell”, dos Grim Reaper, esta última com participação especial de John Gallagher, dos Raven. A produção é a que se espera de um clássico e mesmo a capa é um trabalho espantoso e atípico de uma banda thrash metal, mesmo que progressivo. Não façamos confusões: “Contra Omnes” tem tudo o que é necessário para entrar no top 3 de melhores álbuns do ano de muita gente. Se gostas de metal, compra isto.

9.5/10
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