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Blaze Bayley “The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)”

Rui Vieira

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Editora: Blaze Bayley Recording
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: heavy metal

Se alguém pensa que Blaze Bayley é apenas um mero tradicionalista por ter passado pelos Iron Maiden, engana-se. “The Redemption of William Black” é um álbum futurista, em diversos sentidos. Não só pelo “surfista prateado” que aparece na capa, mas pela sua produção, músicas e as pequenas histórias sci-fi aqui contadas – uma tradição do próprio Blaze (para quem esteja com atenção à sua carreira). Acresce a tudo isto o modernismo implícito neste álbum, uma obra da cabeça de Blaze mas coadjuvado – principalmente – pela banda britânica Absolva. Esta cápsula de 47 minutos (certinhos) traz a voz inconfundível do homem que gravou dois álbuns com a Dama de Ferro (bons, diga-se) mas que acabou por voltar ao seu mundo, após desintegrado o projecto Wolfsbane, para ir em socorro dos britânicos. Em 1999, após sair de Maiden, funda Blaze e, em 2007, Blaze decide enveredar por uma carreira em total nome próprio, e este já é o sexto álbum de originais desde então. O subtítulo “Infinite Entanglement Part III” define mais um capítulo de uma trilogia que começou em 2016. Este é o fim da trilogia de Wiliam Black, a personagem que viverá por 1000 anos e que aqui encontra a sua redenção.

Musicalmente, Blaze é muito esclarecido e “objectivo” actualmente. O importante são músicas simples mas grandiosas, melodias semi-orelhudas e um grande sentido épico. Não sei porquê mas sempre que oiço a voz de Blaze sou automaticamente enviado para as montanhas escocesas e para a altura de Sir William Wallace. Deve ser pelo clássico “The Clansman”, música que gravou com Iron Maiden no álbum “Virtual XI” de 1998, estar tão colado ao cérebro. O arranque com “Redeemer”, e o seu refrão incisivo, marca o tom para o andamento de todo o disco com excepção para os momentos acústicos e de mais introspecção. Há logo aqui um piscar de olho a Maiden (ok, é chapado) e às suas harmonias/construção de músicas (até os ‘Oh! Oh! Oh!’). Aliás, este tema de abertura remete um pouco para “Man On The Edge”, single de estreia de Blaze com Maiden em 1995 para o álbum “The X-Factor”. Longe de ser cópia, este trabalho é daqueles que vai crescendo a cada audição. Diria que é uma obra de elite – a espaços também lembrando Accept ou UDO – que se vai apreciando lentamente, qual vinho envelhecido. O álbum é arrojado – tal como a descoberta do busão de Higgs – e moderno q.b.. Há toques de industrial com notas dissonantes (“Immortal One”), melodias acústicas ao lado da fogueira (“Human Eyes”), um groove apuradíssimo (“Already Won”), melodias orelhudas (“Prayers Of Light”) ou uns ressemblances de Helloween (“The Dark Side Of Black”). A produção assemelha-se à do último de Judas Priest, “Firepower”, com tudo no sítio certo.

Blaze Bayley não é Bruce Dickinson, mas isso não importa até porque este senhor de 55 anos em nada fica a dever a qualquer outro vocalista deste mundo, pois tem o seu timbre muito pessoal e facilmente reconhecível, e isso marca muitos pontos. Sempre achei que Blaze tinha uma voz única e muito boa (quando muitos o criticavam) mas a herança e os agudos de Bruce mataram o seu desempenho em Maiden, principalmente ao vivo. Bayley Alexander Cooke é homem de graves e isso lixou-o. Vi-o em Cascais e, tirando algumas excepções, a coisa era um bocadinho feia. Com a saída de Maiden, a sua reputação foi gravemente atingida e teve de fazer o dobro do que fazia. Mas com este álbum, Blaze não procura a redenção mas antes uma sweet revenge, e consegue. “The Redemption of William Black” dá 10-0 ao último de Iron Maiden, “The Book Of Life”!

Nota Final

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Ancst “Abolitionist”

Diogo Ferreira

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Editora: Lifeforce Records / Yenohala Tapes
Data de lançamento: 16 Novembro 2018
Género: black metal / hardcore / crust

Mesmo a tempo de partirem para uma digressão norte-americana em Novembro com os Dawn Ray’d, os proeminentes alemães Ancst voltam à carga com o EP “Abolitionist”. Por esta altura do campeonato, e tendo em conta que a banda de Berlim existe desde 2011, os mais atentos adeptos de sonoridades extremas já devem estar a par do que esta banda é capaz.

Produtivos e eficazes no que fazem, esta proposta, que estará disponível em CD e vinil, não traz nada de novo ao som da banda, mas continua com a fasquia elevada naquela que é uma mistura sedutora e cativante de black metal moderno e hardcore/crust metalizado.

Motivados pelo sucesso underground que têm obtido, os Ancst mostram-se neste EP um pouco mais crus a nível de produção, mas em nada isso lhes retrai as capacidades criativas que têm para oferecer músicas ultravelozes repletas de riffs orelhudos e vocais raivosos que, como tem sido desde sempre, se debruçam nos problemas sociopolíticos mundiais.

“Abolitionist” acaba por ser uma combinação entre o passado não muito longínquo da banda e o presente que lhes proporcionou um enorme salto na carreira com o álbum “Ghosts of the Timeless Void” (Março, 2018). A máquina é jovem e não pode parar. Os Ancst sabem disso e estão a puxar por si próprios – os fãs agradecem.

Nota Final

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Unleashed “The Hunt For White Christ”

João Correia

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Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: death metal

É louvável que, ao fim de 29 anos de actividade, uma banda de death metal continue a surpreender como quando o fazia nos idos de 90. É o caso dos eternos Unleashed, banda pioneira do viking
death metal que lançou de rajada três álbuns fundamentais (“Where No Life Dwells”, “Shadows In The Deep” e “Across The Open Sea”) e que, com eles, ajudou a alicerçar o futuro do death metal sueco puro: inicialmente básico, mas pleno de originalidade/vitalidade, e porque os solos técnicos estavam quase sempre ausentes, os Unleashed tinham a capacidade de criarem riffs simples, mas imortais (quem não se recorda de temas como “Before The Creation Of Time” ou “To Asgaard We Fly”?). Eram tempos mais simples, tempos em que conseguíamos identificar uma banda pela produção e afinação de apenas uma guitarra, tempos em que cada logótipo era completamente distinto de banda para banda, em contraste com a actualidade.

A partir de 1995, os suecos extinguiram um pouco a sua chama inicial e caíram num limbo de incertezas. Mesmo no princípio dos 2000, os mestres pagãos poucos concertos davam fora da Suécia, excepção feita a concertos de grande dimensão (como o Wacken, em 2002). Ademais, o género de death metal praticado pouco evoluiu, o que quase fez da banda uma glória antiga com pouco ou nada mais a acrescentar. Porém, mais recentemente os Unleashed voltaram a provar de que massa são feitos quando lançaram o muito bem conseguido “Odalheim” (2012), um registo mais violento do que anteriormente e orientado para o death metal com toques de black sueco muito discretos, com uma produção e uma sensação de actualidade sempre com o death metal sueco clássico de fundo e, pasme-se, com solos de alta categoria, oscilando entre o caos e a melodia e, finalmente, os riffs de marca dos Unleashed. Desaceleraram para uma toada mais épica e lenta no álbum seguinte, “Dawn Of The Nine” (2015), mas continuaram a convencer com a crescente qualidade das composições. Tudo isto apontava para um sucessor à altura das lendas escandinavas.

Chegados a 2018, “The Hunt For White Christ” é uma rodela que apresenta todo o potencial de uma banda que fez do death metal o seu ganha-pão. “Lead Us Into War” – a primeira de 11 faixas cuja duração média é quatro minutos e que assenta arraiais na clássica declaração veni, vidi, vice – é um tema extremamente rápido que grita “UNLEASHED!” com todas as letras, principalmente graças aos riffs inconfundíveis de Tomas Olsson e aos solos de classe de Fredrik Folkare, que são caóticos, complexos e perfeitos. Esta fórmula repete-se a cada tema do novo registo, com a particularidade de não aborrecer ou de dar a impressão de dejá vu – “Stand Your Ground” (com a sua afinação de guitarras nitidamente sueca), “The City Of Jorsala Shall Fall” (com o seu compasso mais lento, o que permite a Fredrik demonstrar o quanto evoluiu, que aliás é uma constante em cada tema) ou a final “Open To All The World” (que coroa uma vez mais a cabeça dos verdadeiros reis do deah metal sueco) são temas que marcam e que nos apresentam ainda uma influência de death metal mais técnico extraído de outras paragens que a Escandinávia, com toques de Gojira e até de bandas norte-americanas aqui e ali. O contexto, esse, não varia – anticristianismo, paganismo, os feitos dos vikings e a eterna necessidade dos einherjar em tombarem honrosamente em combate para ascender gloriosamente a Valhalla.

Gravado e produzido nos Chrome Studios por Fredrik Folkare, “The Hunt For White Christ” é um trabalho algo improvável e que nos prova que os Unleashed não são apenas mais uma banda relevante da época de platina do metal extremo, mas sim um trabalho em progresso que logra surpreender mais e mais a cada nova audição e a cada novo registo. Feitas as contas, “The Hunt For The White Christ” vale pelo seu todo e pelos factores novidade (tendo em conta a banda de que se trata) e qualidade, sempre presentes em doses muito generosas e que fazem com que este seja um dos álbuns a ter em atenção dentro do género em 2018.

Nota Final

 

 

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The Casualties “Written in Blood”

Diogo Ferreira

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Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: punk rock

Fundados em 1990, chegamos a 2018 e nenhum dos membros actuais de The Casualties pode contar a história desde o início, ainda que o primeiro álbum “For the Punx” date apenas de 1997. O único original até há bem pouco tempo era o vocalista Jorge Herrera que abandonou a lendária banda de punk rock em 2017. A substituí-lo temos David Rodriguez que até empresta o seu conhecimento em línguas hispânicas ao longo do álbum, aqui e ali. Posto isto, Jake Kolatis é o elemento mais antigo, a tocar guitarra no grupo desde 1993, seguindo-se-lhe Marc Eggers na bateria desde 1995 e Rick Lopez no baixo desde 1998. E pegando neste último, refira-se desde já que o seu instrumento está muito bem representado ao ponto de se ouvir incessantemente e de forma preponderante em relação ao rumo que o ritmo e melodia dos temas ganham – o que é tão necessário e bonito de se ter no punk rock. Conceptualmente, a banda de Nova Iorque continua a desafiar as normas sociais e a querer derrubar a injustiça sociopolítica; já as riffalhadas mantêm-se coesas e corridas como a malta deseja no género e na banda, mas também podemos encontrar uma ou outra malha mais thrashy e leads mais rock n’ roll, o que não é de estranhar e até salpica o som dos The Casualties com as influências que ainda hoje Kolatis & Cia. têm dentro de si.

“Written in Blood” é um disco que pode não trazer nada de novo ao punk – salvo, porventura, um arranjo ao piano na faixa “Feed Off Fear” –, mas a essência honesta da música que tocam é intocável ao fim de 11 álbuns. Com uma produção limpa – os punks também merecem –, é impossível estar-se quieto a ouvir The Casualties, por isso não te assustes se as tuas pernas começarem a querer dar coices.

Nota Final

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