Bullet-Proof: Bay Area versus Teutonic (entrevista c/ Richard Hupka) | Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Bullet-Proof: Bay Area versus Teutonic (entrevista c/ Richard Hupka)

rsz_bullet_0055_1_

Os Bullet-Proof são uma banda dividida por natureza: uns são eslovacos, outros são italianos; numas vezes soam à Bay Area, noutras ao estilo Teutónico. Mas no fim tocam thrash metal puro e duro com melodia e refrãos orelhudos. Estivemos à conversa com o guitarrista/vocalista Richard Hupka que nos revelou as diferenças entre os álbuns “De-Generation” e “Forsaken One”, olhando sempre em frente sem esquecer o passado.

«O nosso objectivo para o “Forsaken One” foi principalmente ser concentrado num som mais pesado que queríamos alcançar.»

Que diferenças apontas entre “De-Generation” e “Forsaken One”?
Bem, diria que é mais maduro. “De-Generation” foi o primeiro álbum deste projecto e, na minha opinião, soa exactamente como os primeiros álbuns soam: crus, directos, furiosos. O segundo nasceu com novas pessoas na banda, com nova mentalidade, com experiência ganha do primeiro disco. O nosso objectivo para o “Forsaken One” foi principalmente ser concentrado num som mais pesado que queríamos alcançar. Mudámos de estúdio, de produtor e abordámos tudo de maneira diferente. O novo álbum tem uma produção melhor – estamos muito contentes com ele e satisfeitos que tenha sido lançado!
Resumindo, a maior diferença entre os dois álbuns reside no melhor som que tem o segundo.

Muitas bandas novas de thrash metal estão a misturar muito mais o som da Bay Area com o Teutónico –  e isso tem sido fixe. Achas que esta é a derradeira combinação no som do thrash metal?
Por acaso não me tenho concentrado nessa matéria. Se acontece é porque ouvimos e somos influenciados por isso nas nossas vidas. Como consequência compomos o que vem dos nossos corações e almas. Aquilo que te tem marcado apenas sai de dentro de ti. Falo por mim, claro. [risos] Mas estou bastante convencido que acontece o mesmo com a maioria dos compositores. Portanto, se como resultado temos a mistura desses dois elementos é porque sentimos que tem de ser assim. E é muito bom se funcionar e os fãs o receberem bem. Se é a derradeira combinação no som do thrash metal…? Espero que se desenvolva ainda mais! [risos] O tempo dirá.

Pessoalmente não gosto daquelas bandas thrash metal que tocam sempre a todo o vapor sem melodia e coros cativantes. Felizmente vocês oferecem melodias porreiras, o que dá muita cor às canções. Dirias que um dos vossos objectivos é manter a vossa sonoridade nos ouvidos das pessoas?
Muito obrigado pelas palavras, meu! Agradeço imenso! É porreiro ouvi-lo de ti! Não há melhor do que ouvir as pessoas dizerem que lhes deixámos a nossa música nos ouvidos! Seria óptimo que muitas pessoas sentissem o mesmo que tu! De qualquer forma, vamos à tua pergunta: tenho de admitir que partilho do teu ponto de vista! Também me aborreço facilmente quando ouço algo que é apenas rápido e furioso sem mais nada exceptuando a velocidade de fundo. Duas ou três canções seguidas são fixes, mas depois tem de se seguir algo mais! É por isso que os Bullet-Proof não querem ser essa coisa linear. Adoro Megadeth – e acho que se pode ouvir isso nas nossas canções – e adoro Kreator. Para mim tem de haver velocidade e poder, mas melodia também!

Não podemos esquecer o heavy metal e a canção mais directa em relação a isso é, provavelmente, a “Lust”. Antes do thrash metal vem o heavy metal, certo? Hoje em dia e após várias décadas, o que é que um músico pode tirar da cena heavy metal tradicional?
Se calhar, mais do que nunca, é tempo de olhar um pouco para trás. Não podemos esquecer de onde vimos. E não devemos olhar apenas para o heavy metal como era nos anos 80, devemos olhar, aprender e tirar de vários tesouros dos anos antes do heavy metal. Pessoas como Chuck Berry, Robert Johnson, etc.. Há muitas coisas que podes aprender daí e usar para composição. E todas estas coisas só te trazem criatividade. De facto, a “Lust” é uma canção estranha no álbum! [risos] Queria que fosse tipo, não sei, Testament, e acabou com refrãos à Kiss! [risos]

É sabido que a banda está dividida entre eslovacos e italianos. Vivem em diferentes países e trabalham via Internet ou há algum tipo de migração que vos permite trabalhar lado-a-lado?
Sim, eu e o meu filho Lukas (bateria) somos eslovacos, mas viemos para Itália há 20 anos. Vivemos perto uns dos outros. Só não temos a nacionalidade italiana, mas somos como italianos! Se calhar bebemos mais do que os italianos! [risos]

 

 

Topo