[Reportagem] Bunker Metal Assault V @ Bunker, Braga | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Bunker Metal Assault V @ Bunker, Braga

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Neoplasmah / Bleeding Display / Beastanger / Toxik Attack / Lyfordeath

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Sábado, 14 de Janeiro de 2017. Ainda a recuperar da noitada de sexta-feira 13, no Cave 45, no Porto, onde me cruzei com a Disposal Of The World European Tour 2017, numa noite algo atribulada, eis que me desloco ao Bunker, na minha cidade de Braga, para mais uma dose de metal.

Pela primeira vez ia participar no Bunker Metal Assault, nesta que era a sua quinta edição. O cartaz, que me interessava bastante e que me parecia bem diversificado e equilibrado, sofrera uma alteração com a saída dos Happy Farm por motivos profissionais imprevistos de um dos seus elementos. Esta alteração foi algo amarga para mim, pois estava bastante curioso para os ver ao vivo, agora que se encontram a divulgar o seu CD de estreia, “Just Pig It”. Apesar deste contratempo, a organização conseguiu, no curto espaço de tempo que teve, encontrar substituto para a banda de abertura nos Lyfordeath, uns ilustres desconhecidos para mim.

A noite estava gelada, mas no interior do Bunker a temperatura estava amena. Longe ia a sauna da minha última visita, no Verão, onde me cruzei pela primeira vez com a única banda repetente do Bunker, os Toxik Attack. Como referi, a abertura coube aos Lyfordeath, banda que, confesso, foi a primeira surpresa da noite. Um death metal bem estruturado mostrou uma banda que, apesar da sua juventude, já demonstra uma boa maturidade. Um nome a seguir com atenção.

De seguida foi a vez dos repentes. Os thrashers da Cidade Berço cumpriram, mais uma vez, com a sua palavra e descarregaram o seu thrash old-school que continuou a inflamar um público que ia enchendo a sala. Temas obrigatórios, como “Carne Queimando” ou “Thrash On Command”, com que encerraram o set, fizeram abanar a cabeça dos presentes.

Beastanger era a proposta black metal da noite. Quem me conhece sabe que este é um dos estilos do metal que menos me alicia. No entanto a qualidade da banda, com o seu black impregnado de melancolia, foram a segunda surpresa da noite para mim. Já tinha sido avisado para ter atenção a esta banda, mas o estilo fazia-me ficar de pé atrás. Para além da música, a excelente prestação e entrega do grupo acabaram por ser a sentença de morte das minhas ideias preconcebidas.

Uma nota especial vai para a qualidade do som que, num local onde a acústica não é o forte, estava de uma qualidade que eu não sabia ser possível naquele espaço. Com esta vantagem, as prestações das bandas saíram a ganhar, principalmente as seguintes. Os Bleeding Display entraram a matar, como sempre fazem. Uma daquelas bandas que é sempre um prazer de ver actuar. O público respondeu à altura, com crowdsurfing e mosh, basicamente tudo o que fosse possível fazer naquele espaço confinado. A inexistência de palco eliminou a distância entre a banda e o público, aumentando assim a intensidade da actuação.

O fecho da noite coube aos Neoplasmah, banda que eu aguardava com grande expectativa. Como esperava, as minhas expectativas não foram defraudadas e fui presenteado com uma prestação imaculada de uma banda que demonstrou um profissionalismo e uma entrega constante durante toda a actuação. O domínio técnico, a presença inconfundível de Sofia Silva e o esmagador death / black que descarregaram foram o culminar de uma noite muito positiva, que apenas sofreu de uma afluência menor de público do que a que merecia. Mesmo assim, a sala esteve bem composta, mas nunca deixou de ser pequena demais para albergar um cartaz tão completo e com tanta qualidade. Nota final positiva vai para a atitude dos Neoplasmah, que, apesar de terem dois elementos doentes, incluindo a própria Sofia, ignoraram esse facto para darem o seu melhor e oferecerem uma excelente prestação ao público presente, e para esse mesmo público, sempre respeitador das bandas e do seu espaço, apesar da sala pequena e sem palco, e com excelente atitude, como, por exemplo, quando a Sofia pediu que não fumassem perto dela, porque estava mal da garganta, de imediato vi os cigarros a serem apagados.

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