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Casa Pina: irredutível fortaleza do metal aveirense

Diogo Ferreira

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Moro na periferia de Aveiro, mas é no coração da cidade que passo os meus dias e uma boa parte das noites. Vivemos num Portugal ainda muito centralizado com Lisboa à cabeça, seguindo-se Porto e Coimbra. Conheço mal Coimbra, em Lisboa sei minimamente mexer-me sozinho e do Porto tanto conheço o seu dia como a sua noite. Porto sempre foi um local próspero para o rock e para o metal devido à pujança natural de quem é do norte (está-lhes no sangue) – há boas bandas do Douro para cima (especialmente black metal), há e houve boas casas onde tudo isto pode funcionar na perfeição e é também por isso, pelas casas, que o Porto tem surgido na imprensa: a queda do Hard Club em Gaia e luta pelo seu ressurgimento no Porto, a manutenção do Metalpoint como alvo de importância muito significativa para a saúde do metal/rock nortenho, o erguer e o cair do Cave 45, o desaparecimento abrupto do Fundo do Poço e o novo refúgio no Barracuda.

Adoro o Porto. Mas respiro Aveiro. Guardo enormes recordações do Clandestino e as suas noites post-punk, tenho saudades do que se passava no topo de um prédio e que dava pelo nome de Performas, ainda peço por um Mercado Negro à moda antiga… Mas há um sítio que existe desde 2007 e que sobrevive à crise, aos bares de música fácil e copos caros, às modas e à normalidade. É o Casa Pina e sobrevive por causa de uma palavra: lealdade. Fica na Rua Antónia Rodrigues, mesmo ao pé da Capela de S. Gonçalinho, e constitui um dos últimos redutos da Praça do Peixe no que a fronteiras terrenas diz respeito.

Este é o bar metal de Aveiro, onde os mais novos são chamados pela variedade de shots e os mais velhos deliciam-se com a boa e fiel amiga cerveja acompanhada por sonoridades que passam pelo blues rock, hardrock, heavy metal, thrash metal, death metal e black metal. Há sempre Motörhead, Slayer, Pantera, Iron Maiden, Opeth, Satyricon, Darkthrone, Mayhem e a lista continua. Não há noites temáticas – o que às vezes é discutido se se valeria a pena fazer ou não –, mas há sempre música pesada e cerveja a rodos – há liberdade. As setas/dardos ganharam destaque nos últimos meses, mas o ex-libris (para além das paredes pintadas por artistas que são ou foram clientes) é a mesa de matraquilhos no cubículo das traseiras onde ferozes confrontos futebolísticos acontecem todas as noites e durante várias horas.

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Apesar de todos os defeitos que podem advir de algum conservadorismo presente na cidade, Aveiro tem muitas pessoas hospitaleiras e o Casa Pina é uma das ferramentas estimulantes nessa tarefa – todas as pessoas são ali bem-vindas. O Sr. Zé é uma espécie de mestre-de-cerimónias com a sua forma educada de falar e cativar, é o mais velho de todos e toda a gente lhe tem um enorme respeito, sempre com uma palavra para quem ultrapassa o hall de entrada. Maioritariamente ao balcão, o Zeca, que é o filho do Sr. Zé e cara presente no Pina desde sempre, comanda o barco e os empregados. O ar de motoqueiro com o casaco preto e as botas da tropa são a imagem de marca de um tipo que quando abre a boca é para fazer rir ou contar uma história engraçada que, em muitos casos, viveu com algum dos clientes.

Numa cidade de estudantes e de canais aquáticos – afinal é a Veneza de Portugal – reina o vaticínio de que Aveiro está morto. Somos masoquistas, só vemos o mal e muitas vezes não se tenta mudar nada esperando que alguém mude, mas há nichos vivos e que valem a pena. O metal não é para todos porque a maioria não quer, porque é “barulho” e “gajos violentos”. Discordo. O metal pode ser de todos e para todos, o Pina pode ser a casa de todos nós. Pelo menos para mim é. Passem por lá.

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Fernando Ribeiro: «Gostaria de reassistir ao concerto dos Black Sabbath.»

Joel Costa

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Os Moonspell lançam hoje “Lisboa Under The Spell”, uma edição limitada que contém 1 DVD, 1 Blu-Ray e 3 CD’s ao vivo, onde a banda interpreta os discos “Wolfheart”, “Irreligious” e “Extinct” ao vivo e na íntegra, oferecendo assim mais de três horas de espectáculo.

A Ultraje falou com o vocalista Fernando Ribeiro a respeito deste novo lançamento e quis saber qual seria o concerto que o músico gostaria de voltar a assistir se pudesse regressar a um ponto do passado. Fernando Ribeiro relembra o ano de 1998, quando viu a formação original dos Black Sabbath a actuar no festival Graspop, na Bélgica:

«Vi, juntamente com os Dimmu Borgir, a reunião dos Black Sabbath. Tocaram no Graspop e foi dos poucos concertos que deram com os quatro [membros] originais. Eles não admitiam músicos no palco e nós também queríamos ver cá de fora. Estávamos assim praticamente todos juntos, as bandas todas, e fomos ver de uma grua, a partir do backstage, mas víamos super mal. Não era realmente o que nós imaginávamos pois éramos todos muito novos quando os Black Sabbath começaram a tocar e ninguém os tinha visto. [risos] Gostaria de reassistir a este concerto, sem dúvida, pois vi Black Sabbath outras vezes e não deixou de ser bom, mas não tinha aquela componente histórica de ter os quatro elementos [originais].»

“Lisboa Under the Spell” contém ainda um documentário realizado por Victor Castro (Moonspell, Black Mamba, Richie Campbell) – que assina também a direção do DVD – sobre as semanas que antecederam a subida ao palco. Destaque também para a edição em triplo LP do concerto ao vivo que conta com participações especiais como a da cantora Mariangela DeMurtas e Carolina Torres.

A entrevista poderá ser lida na íntegra na edição de Outubro/Novembro da revista Ultraje, disponível a partir do dia 1 de Outubro.

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Vagos Metal Fest: Resumo da conferência de imprensa

Diogo Ferreira

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A poucas horas de ter início mais uma edição do Vagos Metal Fest, foi realizada uma conferência de imprensa onde Luís Salgado, responsável pela organização, partilhou algumas informações dignas de nota junto dos presentes. Agora com mais opções de lazer e com a existência de dois palcos, o promotor fala em mais volume de trabalho, apontando como aspecto positivo o facto de não haver paragens nas actuações. Foi também comentada a consciência ecológica não só por parte da organização mas também dos festivaleiros, que têm no VMF um festival transgeracional que acolhe pessoas de todas as faixas etárias.

Luís Salgado, que conta ter em 2018 o ano com mais sucesso do festival, avançou que o dia 10 – que recebe nomes como Cradle Of Filth, Moonspell e Ratos de Porão – está próximo de esgotar, com o dia seguinte – onde sobem ao palco bandas como Kamelot ou Enslaved – a estar igualmente próximo disso.

O Vagos Metal Fest decorre entre os dias 9 e 12 de Agosto. Hoje sobem ao palco nomes como Orphaned Land, Dust Bolt e Analepsy.

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Milhões de Festa: Os 3 nomes que não vais querer perder!

Joel Costa

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Depois de dez edições, o Milhões de Festa afasta-se do período tradicional dos festivais de Verão portugueses e escolhe o mês de Setembro para reinventar-se. A Ultraje destaca três nomes do cartaz da edição de 2018 que não vais querer perder:

1. ELECTRIC WIZARD

Estabelecidos em 1993, os doomsters britânicos Electric Wizard têm em “Wizard Bloody Wizard” o seu mais recente trabalho de estúdio. Apontados pelos fãs como os sucessores óbvios dos Black Sabbath, os Electric Wizard passaram por diferentes encarnações ao longo da sua carreira, com esta nova proposta a marcar uma nova era do colectivo.

2. CIRCLE

A veia experimental dos finlandeses Circle exigiu que se tornassem senhores de uma enorme discografia. Explorando sonoridades que vão do jazz ao metal, passando pelos ambientes mais psicadélicos, os Circle mostram desde logo que são capazes de derrubar qualquer barreira que encontrem pelo seu caminho. São mais de 50 os discos editados, justificando o selo de banda de culto que trazem consigo.

3. SCÚRU FITCHÁDU

(Fotografia: António Marinho)

«Scúru Fitchádu representa outra África, eu sou outra África.» Foi assim que o produtor Sette Sujidade descreveu o seu projecto à Ultraje, aquando da passagem da banda pela cidade de Aveiro. Os Scúru Fitchádu levam até ao Milhões a sua mistura de funaná cabo-verdiano, punk, metal e noise.

Os passes gerais do festival (que decorre em Barcelos entre os dias 6 e 9 de Setembro) têm um preço de €60 euros, enquanto que os bilhetes diários saem a €20. O primeiro dia será de acesso livre. Mais informações em www.milhoesdefesta.com

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