[Entrevista] Cellar Darling: o som do fim do mundo | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Entrevista] Cellar Darling: o som do fim do mundo

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«Demos tudo, colocámos tanta energia e criatividade neste álbum e estamos entusiasmados por saber o que o futuro guarda para nós.»

Sabes quem são os Cellar Darling? São um trio suíço composto por Anna Murphy (voz, hurdy-gurdy), Ivo Henzi (guitarra) e Merlin Sutter (bateria). Mais: até 2016 foram conhecidos como membros dos Eluveitie. Abandonaram o bem-sucedido grupo e, sem perderem tempo, uniram esforços para fundar estes Cellar Darling, de modo a lançarem o primeiro álbum “This Is The Sound” em menos de um ano. Com o espírito em alta – Anna conta mesmo: «Demos tudo, colocámos tanta energia e criatividade neste álbum e estamos entusiasmados por saber o que o futuro guarda para nós.» –, este título pode ter um sentido duplo, porque pode ser o som de tudo aquilo que nos estão a alertar com as suas letras, mas também o som que queriam realmente encontrar quando estavam nos Eluveitie. «O título é uma declaração, principalmente para nós próprios», começa Anna que é seguidamente apoiada pelo baterista Merlin, este dizendo que «é uma declaração ao mundo!». «Em menos de um ano», como já referido anteriormente, «não só começámos uma banda como também escrevemos e gravámos uma hora de música. Não tínhamos um plano, não decidimos soar de uma maneira específica – apenas começámos a compor e o resultado é algo novo e único que apenas aconteceu por si mesmo com a concordância de deixar a criatividade fluir. Estamos entusiasmados por termos encontrado a nossa sonoridade e isto é apenas o início», explica a vocalista. Já o seu colega desvenda que existiam mais algumas ideias para o título, mas que, para si, «este pareceu quase desafiante de se pôr num álbum». Admite ainda que é «uma declaração corajosa, mas [que] o álbum está à altura disso».

Oficialmente não está escrito em lado nenhum que “This Is The Sound” é um álbum conceptual, mas há uma temática recorrente sobre o fim do mundo e os Elementos, e mesmo que Anna concorde que possamos olhar para o disco como um trabalho conceptual, a artista explica que «cada canção conta uma história diferente, mas muitas delas têm temas recorrentes». Conta-nos que escreve «impulsivamente» e que, quando compõe, tem «visões que, imediatamente, se transformam em palavras e as histórias começam a fluir», indo tudo convergir em «símbolos e metáforas», significando que é a «mente a dizer-nos aquilo com que estamos a lidar subconscientemente».

A verdade é que esta temática está sobrecarregada e tem sido abordada desde sempre, mas, de facto, “This Is The Sound” é a visão e percepção do trio. Portanto, com todo o racismo, xenofobia, o confronto de religiões e a ascensão da direita populista, não há momento tão oportuno para abordar isto outra vez, certo? A vocalista esquiva-se e remete-se à sua faceta artística: «Não era, de todo, a minha intenção, mas porque não? Quero contar histórias com as minhas letras – não tenho uma mensagem política ou religiosa para o nosso público, quero levá-los para um mundo diferente. O dom da imaginação é poderoso, quero que as pessoas o usem e sonhem.»

«O dom da imaginação é poderoso, quero que as pessoas o usem e sonhem.»

Ok, vamos à música então. Podemos dizer que Cellar Darling é mais rock do que metal, mas o lado folk continua a ser muito utilizado, o que é óptimo porque oferece equilíbrio e cativação, formulando-se também a ideia de que as ferramentas folclóricas seriam de se manter. «Toco o hurdy-gurdy há mais de 10 anos, seria impensável não o incorporar em Cellar Darling», assenta Anna Murphy, revelando seguidamente ter voltado a tocar flauta para a canção “Six Days” que inclui «influências clássicas». Merlin Sutter, por sua vez, diz que era óbvio ter Anna a tocar o hurdy-gurdy, e avança: «Ampliámos os nossos horizontes para incluir instrumentos clássicos ao lado do piano e da flauta, assim como uma abordagem mais clássica com a actuação em violino do convidado Shir-Ran Yinon.» O lote de convidados não fica por aí e o baterista apresenta ainda Brandon Wade, mais um artista solicitado para, desta feita, tocar as uilleann pipes (gaitas irlandesas): «É um instrumento incrivelmente bonito e [o Brandon Wade] é um músico fantástico que conhecemos e apreciamos ao longo dos anos.» E é o próprio Merlin quem encerra este capítulo da conversa, explicando que «na realidade não se planeou manter ou incorporar nada», querendo apenas «reflectir os três e fazer o que surge naturalmente!».

Actualmente, conforme adianta a frontwoman do projecto, os Cellar Darling estão a ensaiar e vão «talvez até escrever algumas novas canções para o próximo álbum» com Portugal no horizonte. Merlin tem a última palavra e, para além de mencionar as actuações com Evanescence e Delain, remata ao falar daquilo que mais gosta na sua carreira: «A parte favorita dos nossos concertos anteriores [com Eluveitie] era tocar para os fãs e conhecê-los, e conversar com todo o tipo de pessoas por todo o mundo. Estamos ansiosos por vê-los a todos novamente este ano, no próximo e nos que ainda virão!»

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