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Cloven Hoof “Who Mourns For The Morning Star?” [Nota: 8.5/10]

Pedro Felix

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632977Editora: High Roller Records
Data de lançamento: 21 Abril 2017
Género: heavy metal

Cloven Hoof foi uma das muitas bandas a sair da forja da NWOBHM. A história da banda está repleta de mudanças de formação e fins e reinícios de carreira, mas comentar a sua história e evolução não é o que nos traz aqui hoje.

Mantendo apenas um elemento da formação original, o baixista Lee Payne, o motor por detrás da banda, apresentam-nos aqui o seu sétimo álbum de estúdio, “Who Mourns For The Morning Star?”, evolução natural do anterior “Resist Or Serve”. Esta evolução dá-se em vários sentidos: não só o álbum mantém a herança do anterior como sobe a parada de uma forma incrível. Uma das principais razões, e, provavelmente, a mais forte, foi a adição de um vocalista solo, com a saída do guitarrista e vocalista Joe Whelan. A voz do norte-americano George Call trouxe uma dinâmica e um infindável mar de possibilidades que a banda soube aproveitar na composição dos nove temas que definem este trabalho.

Com uma tão longa história, e com raízes tão profundas no heavy metal dos anos oitenta, os Cloven Hoof, neste seu novo trabalho, sabem aproveitar tudo o que de bom esses tempos produziram, tudo aquilo que os influenciou, e fazem isso tudo florescer com um toque de modernidade e frescura inigualável. Apesar de toda esta herança, os Cloven Hoof têm o seu som próprio, e que som, devo dizer. Desde o fantástico “Star Rider” que faz a abertura, passando pelo “Morning Star”, que inicia ao bom estilo de uma balada, para depois crescer de intensidade, não perdendo o feeling inicial, e acabando por se tornar num dos grandes temas do álbum, até aos riffs potentes de “Mindmaster”, e a “Bannockburn”, um tema com um cheirinho de Maiden e um arranjo muito a lembrar os clássicos do rock progressivo dos anos 70, os Cloven Hoof mostram toda a sua mestria num catálogo extremamente ecléctico de temas que cobrem todo o leque do heavy metal tradicional. O alcance vocal de George Call e o extraordinário trabalho de guitarra solo de Luke Hatton são a cereja no topo do bolo deste que é um dos mais competentes lançamentos de heavy metal dos últimos anos.

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Ghost Ship Octavius “Delirium”

Diogo Ferreira

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Editora: Mighty Music
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Género: metal progressivo

Michael H. Andersen, CEO da dinamarquesa Mighty Music, gostou tanto deste álbum dos Ghost Ship Octavius (GSO) que seria impossível deixá-lo viver, e sobreviver, nos ambientes independentes; por isso, e com lançamento original em Setembro de 2018, a editora liderada por Andersen está prestes a redistribuir “Delirium” como ele merece neste mês de Fevereiro.

Fundados em 2012 pelo guitarrista Matthew Wicklund (ex-God Forbid, ex-HIMSA), pelo baterista Van Williams (ex-Nevermore) e pelo vocalista/guitarrista Adōn Fanion, os GSO prometem tornar-se no projecto mais charmoso do prog melódico oriundo dos EUA. Não só melódico, mas também melancólico e emocional – como é exemplo o sofrido refrão de “Chosen” -, este segundo álbum do trio constrói-se através de malhas e ganchos encorpados que, no seu devido tempo e espaço, dão lugar a solos memoráveis e técnicos. Já a bateria é do mais Nevermore imaginável, mas aqui com um toque deveras experimental e explorador, o que se revela no tema-título devido ao método vocal e também pela forma como as guitarras são tocadas. Atmosférico a toda a largura (ouvir a power-ballad “Edge of Time”, em que até é incluído um segmento final semiacústico a fazer lembrar Porcupine Tree), a esperança e uma imagética fantasmagórica andam de mão dada até aos confins de um resultado final que se quer aconchegante mas árctico ao mesmo tempo.

GSO é obviamente indicado para fãs de Nevermore, mas também para uma fase mais recente de Kamelot, sem esquecer influências recebidas de Pain Of Salvation.

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Avantasia “Moonglow”

Diogo Ferreira

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: power metal sinfónico

Com 41 anos, Tobias Sammet é dos compositores e vocalistas mais respeitados na Alemanha dentro do panorama hard rock e heavy metal. Este caminho iniciou-se em 1992 com os reconhecidos Edguy e ganhou enorme visibilidade quando em 2001 e 2002, como Avantasia, lançou as duas partes da “Metal Opera”, uma história fantástica no encalço de salvação que incluiu dezenas de artistas inigualáveis, como Michael Kiske, Kai Hansen, Timo Tolkki, André Matos, entre muitos outros. O sucesso ditou que o projecto megalómano não iria ficar por aí, seguindo-se mais seis álbuns, em que se inclui a novidade “Moonglow” neste lote. Nesta nova aventura, Sammet chamou a si vozes como Michael Kiske, Jørn Lande, Geoff Tate, Hansi Kürsch, Mille Petrozza ou Candice Night.

Longe vão os tempos dos gloriosos coros, dos debates entre personagens e da velocidade estonteante do power metal magicado por Sammet, mas ao fim de quase 20 anos também é evidente que o alemão pretende desenvolver novas tácticas musicais e manter-se no rumo da evolução natural da indústria. Ainda assim, e caso tenhamos saudades dos dois primeiros discos, há refrãos energéticos e catchy a rodos, solos de guitarra, segmentos complexos de baixo e arranjos orquestrais que se desdobram em introduções/interlúdios electrónicos. Porém, e recuperando uma das observações feitas atrás, o que mais sentimos falta é dos diálogos entre personagens vincadas – hoje em dia, é como se cada convidado tivesse que cantar a sua parte e já está. Não quer isso dizer que o tenham feito por favor e que Avantasia seja a autocracia de Tobias Sammet, mas é uma lacuna que os fãs acérrimos vão notar. Todavia, apontamos a épica “The Raven Child” (com Jørn Lande e Hansi Kürsch) como o pináculo musical de um álbum que bebe do hard rock dos 80s em porções generosas e, claro, de musicais à Broadway.

Quase duas décadas depois, o projecto Avantasia não perdeu a noção de fantasia – e “Moonglow” até consegue oferecer um sentido noctívago e por vezes medieval -, mas sente-se que agora é mais um conjunto de boas músicas do que propriamente uma história corrida que nos faz fugir da realidade ao ponto de conseguirmos mentalmente percorrer estradas, florestas e montanhas à procura de um qualquer artefacto que salvará o mundo de poderes malignos.

Nota Final

 

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Diabolical “Eclipse”

Diogo Ferreira

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Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 15 Fevereiro 2019
Género: progressive death/black metal

Será “Eclipse” o melhor álbum dos Diabolical? Sim. Seis anos depois do quarto “Neogenesis”, estes suecos estão mais refinados do que nunca. Num disco conceptual que reflecte o lado negro da humanidade e que força quem ouve a explorar as suas facetas diabólicas, o quarteto tanto oferece refrãos com vozes limpas e melódicas a fazer lembrar uns Enslaved como incorre por robustas e negras paredes sonoras na onda de uns Behemoth. Aliado a isso, existe uma estética musical ainda mais complexa com coros altivos e algumas orquestrações majestosas que proporcionam uma jornada auditiva épica com resquícios de Dimmu Borgir dos nossos dias. Com ideias refinadas que se transportam da mente até à sua real execução, a coesão entre prática e produção é extremamente evidente, originando um álbum que se ouve do princípio ao fim e mais do que uma vez sem qualquer queixume. Para além dos coros, das orquestrações e dos confrontos entre limpo e pesado, há mais alguns destaques que vão invariavelmente para a produção cristalina, para os leads de guitarra que proporcionam dinâmica e para algum experimentalismo quanto a tempos musicais, como se pode ouvir na faixa “Hunter”. A inaugural “We Are Diabolical”, pelo seu sentido melódico, e a última “Requiem”, pela sua abordagem progressiva, serão os temas a ter mais em atenção. Recuperando observações efectuadas atrás, “Eclipse” é como se Enslaved e Behemoth nas suas fases actuais tivessem um filho chamado Diabolical.

Nota Final

 

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