Convocation “Scars Across” [Nota: 9/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Convocation “Scars Across” [Nota: 9/10]

Convocation - Scars AcrossEditora: Everlasting Spew Records
Data de lançamento: 30 Março 2018
Género: funeral doom metal

A italiana Everlasting Spew Records é conhecida pelo seu catálogo pejado de boas bandas de death metal, sendo a brutalidade uma imagem de marca. Assim, foi com verdadeira surpresa que recebemos este “Scars Across” – boa surpresa, devo frisar, mas a isso já lá vamos.

Os finlandeses Convocation, banda composta por LL e MN, como se identificam, ambos “ex” de uma data de bandas, apresentam neste seu trabalho de estreia um funeral doom de se lhe tirar o chapéu… Não só pela qualidade, mas também por respeito aos mortos, tal é a intensidade fúnebre do som. O álbum é composto por apenas quatro temas, mas tem uma duração que ultrapassa os 50 minutos. Os temas são longos, obviamente, oscilando entre os 10 e os 14 minutos, e é isso que lhes permite criar uma atmosfera única, uma atmosfera lúgubre, de profunda tristeza, que cria mundos agrestes e desolados com tanto de aterrorizante como de belo. Aos riffs arrastados junta-se uma voz gutural que nos parece ameaçar à distância ao mesmo tempo que nos seduz e chama, já que a sonoridade tem tanto de negro como de hipnótico. Pelo meio, vozes límpidas em tom quase etéreo vão aumentando a intensidade do ambiente lúgubre que nos rodeia. O tema-título que encerra o trabalho surpreende-nos logo à entrada com a suavidade do piano, que nos remete para um estado de suspensão em tudo contrastante com a negritude das três faixas anteriores. Mesmo assim, apesar da suavidade do seu som, o tom lento e arrastado que caracteriza todo o trabalho também está presente nas passagens do piano. Com 14:06 minutos de duração, a composição consegue conciliar os extremos e faz a transição da leveza do piano para o tom depressivo do funeral fundindo a duas sonoridades. “Scars Across”, o tema, destaca-se dos restantes que o acompanham, assim como “Scars Across”, o álbum, se destaca dos restantes dentro deste género que é o funeral doom. Hipnótico, aditivo, áspero e belo – é o que melhor define este trabalho. De descoberta obrigatória para os amantes do género.

9/10
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