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[Exclusivo] Coroner: transcendendo (pre)conceitos

Pedro Felix

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Os Coroner anunciaram o lançamento de um novo álbum em 2017.

Esta frase, que se repete sucessivamente, apenas alterando o nome da banda e a data, neste caso toma um significado especial. Para compreender o significado desta expressão, temos que começar por recuar no tempo.

1986
No mesmo ano em que os Slayer lançavam a “bíblia” do thrash rápido e agressivo, “Reign In Blood” (ver edição especial Ultraje “Thrash Death Black”), três roadies de Celtic Frost entravam em estúdio para gravar uma demo. Tommy T. Baron, Ron Royce e Marquis Marky, respectivamente guitarra, baixo e bateria, acompanhados pelo convidado especial Tom G. Warrior, de Celtic Frost, editavam aquilo que seria a primeira pedra de uma carreira brilhante, mas, infelizmente, subestimada por muitos: a demo “Death Cult”.
Já nesta gravação os Coroner apresentavam a sonoridade e o estilo que iria marcar a sua carreira, nomeadamente os primeiros álbuns.
No dia 16 de Novembro desse mesmo ano deu-se o «primeiro grande concerto de Coroner, em Volkshaus, Zurique, juntamente com Celtic Frost e Kreator», como comentou Ron Royce em exclusivo para a Ultraje. Sendo este um dos grandes momentos da carreira da banda, para ele.

1987
No auge do movimento thrash mundial, este trio suíço assina pela Noise Records, editora que contava no seu portefólio com bandas como Kreator, Running Wild ou Tankard, e apresenta ao mundo o seu primeiro álbum, “R.I.P.”. Como nos disse Ron Royce, a assinatura deste contrato em Berlim, foi, para ele, o mais importante dos quatro momentos mais marcantes da carreira dos Coroner. Um pouco apagados pelo movimento do thrash teutónico, localizado principalmente na Alemanha, com bandas como Kreator, Tankard ou Sodom, o seu estilo único, que mistura as grandes investidas de alta velocidade do thrash com uma aproximação muito mais técnica e estilizada, bastante adiantados relativamente ao seu tempo, começa a marcar presença. Temas como “Reborn Through Hate” (2) ou o instrumental “Nosferatu” (7) são disso excelentes exemplos.

1988
É neste ano que os Coroner lançam o álbum que contém um dos melhores temas thrash de sempre, aquele que tornou o símbolo desta primeira fase musical da banda. “Masked Jackal” (3) é uma excelente combinação de peso e técnica, onde a tonalidade negra da música se conjuga com temática de decadência social das letras.
Um passo evolutivo coerente em relação ao anterior álbum, este “Punishment For Decadence” trilha caminho para a evolução que se haveria de operar no lançamento seguinte com temas como o já referido “Masked Jackal” ou “Sudden Fall” (5), com todas as suas quebras e mudanças de ritmo.

 

1989
Naquele que foi, possivelmente, o ano mais prolífico no que toca ao movimento thrash tradicional, com os Kreator a lançar o seu “Extreme Aggression” e com o lançamento internacional de bandas de quadrantes anteriormente desconhecidos do mundo, como os brasileiros Sepultura e o seu “Beneath The Remains” (ver edição especial Ultraje “Thrash Death Black”), os Coroner aprimoravam o seu estilo, definiam os parâmetros do thrash técnico, onde as constantes mudanças de ritmo e um baixo complexo e com uma presença imponente se tornavam imagem de marca.
“No More Color”, o terceiro trabalho do trio, mostra-se mais lento, mais técnico e complexo que todos os seus antecessores. Embora ainda mantenha a sua identidade thrash, com temas onde os ritmos rápidos marcam presença, como em “D.O.A.” (6), embora imbuídos de uma técnica que os torna diferentes do expectável, são os mais lentos que marcam a diferença. Temas como os do soberbo trio de abertura, de onde se destaca o primeiro, “Die My Hand” (4), são autênticas obras-primas de thrash na sua componente técnica, tornando-se pedras basilares na influência de futuras bandas do género. Embora o “Rust In Peace” dos Megadeth (ver edição especial Ultraje “Thrash Death Black”) seja um tratado de thrash técnico, o apresentado pelos Coroner mantém uma aura negra, quase que mais aproximada ao death metal, enquanto o “Rust…” tem uma sonoridade mais limpa e aberta.

1990
No ano em que ocorre um dos eventos políticos mais significativos na Europa do pós-guerra, a queda do muro de Berlim, os Coroner participam nos primeiros concertos que se realizam na antiga Alemanha de Leste, juntamente com os Kreator. «Na altura eu tinha 26 anos», diz-nos Ron Royce, «e não estava muito consciente do impacto histórico que o evento iria inevitavelmente ter, mas continuamos a receber um intenso e positivo feedback mesmo nos dias de hoje». Este concerto foi filmado para a posteridade, tendo sido lançado pela Noise Records em formato VHS na altura. «De início não queríamos lançar o vídeo», refere-nos o músico, «mas a editora insistiu e editou-o contra a nossa vontade, felizmente para nós, tenho que o admitir. Olhando para trás, claro que é um sentimento incrível ter sido uma pequena parte de um dos mais significantes acontecimentos do século XX».

 

1991
Com o tema “Divine Step” (1) é dada a abertura ao álbum “Mental Vortex”, trabalho que marca, talvez, o fim de um ciclo na carreira de Coroner. Evolução natural dos seus anteriores, a sonoridade mantém-se pesada, intensa, técnica, com a já característica voz rouca de Ron Royce a dar o mote para mais uma obra-prima de thrash com uma veia técnica predominante. Temas que dificilmente descem abaixo dos cinco minutos e que se estendem até passarem os sete, com passagens lentas, como até aí não se tinham ouvido em álbuns da banda, e que preparam o passo seguinte, entrecruzam-se com riffs esmagadores e solos brilhantes. A complexidade e diversidade dos temas e a imponência da técnica estão aqui para o thrash como os últimos álbuns de Death estão para o death metal.
Para encerramento do álbum, uma novidade nos trabalhos da banda, há uma cover do tema “I Want You (She’s So Heavy)”, dos Beatles.

 

1993
Este ano marca o lançamento do álbum que apresentaria uma alteração significativa na sonoridade da banda e que antecederia a separação da mesma.
“Grin” apresenta-se com uma sonoridade associada à de Coroner dos trabalhos anteriores, mas com diferenças estruturantes. A veia thrash desvanece-se um pouco e a técnica mantém-se, mas com uma diminuição da complexidade. A estas alterações junta-se uma sonoridade com fortes influências industriais. No entanto continua a ser um trabalho de Coroner, que, embora as diferenças sejam grandes, não deixa de ser uma evolução natural dos trabalhos anteriores, mantendo a inconfundível imagem de marca que sempre os caracterizou. É mesmo considerado por muitos como o melhor trabalho que a banda produziu até aos dias de hoje. Esta dualidade de relacionamento deste álbum para com os anteriores está bem patente em temas como “Internal Conflicts”, que não deixa de ser uma pista de puro thrash técnico, e “Serpent Moves” (8), onde o ritmo mais lento e a sonoridade de influência industrial o afastam do estilo do tema referido anteriormente.

1995
Com a separação da banda, cuja causa foi apontada à falta de atenção que sempre tiveram por parte dos media, surgem as inevitáveis compilações. Nesse ano sai “Coroner”, uma compilação com temas raros e temas dos álbuns que tiveram mais sucesso, e, no ano seguinte, seria a vez de “The Unknown (Unreleased Tracks 1985-95)” que, como o nome indica, era uma compilação de temas inéditos que, convenhamos, são inéditos por um motivo, se me entendem…

2011
Após a falha da reunião da banda em 2005, a mesma torna-se realidade em 2011. Nesse ano tocam em festivais na Suíça, nos Estados Unidos e em França. Sobre este último, diz-nos Ron Royce: «O terceiro momento [mais importante da carreira de Coroner] foi a nossa actuação no Hellfest, em França, em 2011, à frente de mais de 30.000 pessoas.»

2016
«E em último, mas não menos importante, o recente contrato internacional com a Sony Int.», confessa-nos Ron Royce relativamente ao passo mais significativo da carreira dos Coroner no século XXI. Este passo significou uma mudança na formação do grupo. O carismático baterista, Markis Marky, até aqui senhor da bateria em todos os álbuns da banda, abandona as fileiras. «Originalmente, a reunião dos Coroner era apenas para realizar um máximo de cinco concertos», conta-nos Ron, «mas, depois de os fazermos, eu e o Tommy decidimos que queríamos continuar. No entanto o Marky sempre dissera que só queria tocar alguns concertos e depois parar. Queria dedicar-se mais à família e a outros projectos musicais. De início, o Tommy e eu tínhamos alguma incerteza sobre como os fãs reagiriam a um novo baterista, já que o Marky sempre fora uma das peças fundamentais de Coroner. No entanto, agora estamos super satisfeitos com o Diego [Rapacchietti (69 Chambers)], já que ele é o melhor baterista que conhecemos. Para além disso já nos tornamos grandes amigos».
Para preparar o caminho para o novo trabalho, e para celebrar o regresso e a carreira, foi editada uma nova compilação, “Autopsy – The Years 1985-2014 In Pictures”, em dois formatos diferentes, combinando CD com 3 DVDs ou vinil com 3 Blu-rays. No CD/vinil encontram-se uma compilação, com os temas referidos ao longo deste artigo com o número da sua posição no alinhamento, e os DVDs/BDs contêm temas ao vivo, incluindo o histórico concerto na Alemanha de Leste, um documentário sobre a história de banda e entrevistas inéditas.

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Nuno Bettencourt, Tom Morello e Scott Ian tocam tema de Game Of Thrones

Diogo Ferreira

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Consagrada como uma das séries mais populares de sempre, Game Of Thrones, que terminou na última madrugada, teve a capacidade de exultar nos seus fiéis seguidores todas as emoções desde o seu início com o genérico criado por Ramin Djawadi.

No clip abaixo, Djawadi é acompanhado por Dan Weiss (criador da série), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax), Nuno Bettencourt (Extreme) e Brad Paisley numa jam session com as novas guitarras Fender em que tocam precisamente o tema principal de Game Of Thrones com muito free-style solista pelo meio.

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Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

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No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

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Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

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Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

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