Corroded: rijos como aço (entrevista c/ Per Sölang) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Corroded: rijos como aço (entrevista c/ Per Sölang)

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«Actualmente, na Suécia, ganha-se a maior parte do dinheiro tocando ao vivo.»

Olhando de repente, uma pessoa menos atenta pode não se aperceber bem da dimensão e estatuto que os Corroded possuem na sua Suécia natal. E é mais ou menos natural, se pensarmos na distância que separa os dois países, que não tenham havido por cá grandes ecos de a banda ter criado a música para o programa “Survivor” local e para o popular jogo “Battlefield”, da EA Games. O que não é natural é não reparar na superior mistura de hard rock moderno e heavy metal, espécie de Disturbed com mais balls, que o projecto pratica. Mas agora, com “Defcon Zero”, a quarta proposta de originais, a oportunidade renova-se. Mesmo que só aconteça cinco anos após o último disco, “State Of Disgrace”. «Bem, estivemos em negociações com outras editoras durante a maior parte desse tempo e, claro, andámos em digressões», diz-nos o baterista Per Sölang, um dos fundadores do grupo, quando instado a justificar a meia-década de silêncio editorial. E será que todos esses concertos afectaram o processo de composição do álbum, no sentido do grupo procurar escrever música mais imediata, que resulte melhor ao vivo? «Não nos preocupamos muito com isso», é a resposta. «Sempre tocámos ao vivo e queremos que as canções soem bem em disco, mas queremos que sejam ainda maiores, mais pesadas e mais fixes em concerto E, para finalizar o assunto dos cinco anos sem lançar nada, Per garante-nos que “Defcon Zero” soaria exactamente assim se fosse editado, por exemplo, há três anos atrás. «Tenho a certeza que sim. É que gravei a bateria há precisamente três anos», ri-se.

Com um novo guitarrista na formação – Tomas Andersson, dos HANK Of Sweden – os Corroded viram a sua dinâmica de composição mudar. E, segundo Per, não foi pouco. «De forma massiva», exclama. «Ele é um excelente compositor, guitarrista e vocalista. Nunca nos preocupámos com o potencial dele.» De certo modo, esta injecção de sangue novo ajuda a mitigar um pouco o drama de escrever música nova quando já temos quatro álbuns de originais editados e não nos queremos repetir. O nosso interlocutor confirma a dificuldade, mas dá a solução ao mesmo tempo: «É óbvio que é um pouco preocupante, mas sempre escrevemos a música de que gostamos e que apoiamos… É um bónus enorme quando as outras pessoas também gostam dela. Isso agrada-nos.» É esse também o caso da nova editora da banda, Per? O que vos pode dar esta nova “casa” que a antiga não dava? «Bem… Sentimos que era altura de mudar e a Ninetone [Records] estava numa onda musical diferente, por isso diria que talvez o interesse tenha sido a principal coisa que a Despotz [Records] nos deu e que a Ninetone já não dava…»

Nenhuma conversa com algum dos elementos dos Corroded pode acontecer sem se falar do enorme sucesso que a banda teve no passado. Canções em programas de TV, jogos de computador, prémios “Bandit” (equivalentes ao Grammy na Suécia) e entradas para o top 10 das tabelas de venda no seu país. Sölang considera, no entanto, que todas essas conquistas apenas valem quando se traduzem em concertos. «Actualmente, na Suécia, ganha-se a maior parte do dinheiro tocando ao vivo», diz-nos. E continua: «Temos de chegar a um mercado bastante mais lato para vendermos a quantidade de discos necessária para facturar bem.» Oh Per, e isso será sinal de que a Suécia não é uma pátria tão forte para o heavy metal e hard rock como os seus vizinhos escandinavos, nomeadamente a Finlândia e Noruega? «Na Suécia as cenas de hard rock e metal sempre foram uma parte importante do panorama musical», defende o baterista. «Pergunta ao Steve Harris dos Iron Maiden.»

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