Deny The Urge: renascer em escuridão (entrevista c/ Max Hunger) | Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Deny The Urge: renascer em escuridão (entrevista c/ Max Hunger)

rsz_dtu_promofoto_2

Com carreira iniciada em 1998, os alemães Deny The Urge viram as suas actividades estagnarem após lançarem “Blackbox of Human Sorrow” (2008), num momento em que nada o fazia prever. Com formação revitalizada – até têm James Stewart (Vader) como baterista –, o trio reaparece com um muito interessante “As Darkness Falls”, o que nos levou a contactar a banda e a obter respostas de Max Hunger.

«Temos a formação mais profissional de sempre e com “As Darkness Falls” gravámos o álbum mais ambicioso até agora.»

“As Darkness Falls” surge quase 10 anos depois de “Blackbox of Human Sorrow”. O que vos fez demorar tanto? E quão diferentes pensam que estão desde essa altura?
Depois do lançamento de “Blackbox of Human Sorrow” demos alguns dos concertos mais importantes na história da banda, como fazer suporte a Malevolent Creation e Sepultura. Mas por várias razões, o guitarrista e o baterista abandonaram a banda ao mesmo tempo. Portanto fiquei eu e o Henrik [guitarra/voz]. Esta paragem forçada serviu para pensarmos na direcção geral que a banda devia tomar. Depois o Henrik começou a experimentar na composição – escreveu três álbuns diferentes para encontrar o som certo. Agora gravámos o melhor.
Deny The Urge é uma banda nova em muitas maneiras. A música continua a ser tipo uma homenagem ao death metal dos EUA dos 90s que adoramos, mas não está presa a nenhum limite técnico ou organizacional como antes. Agora está tudo alinhado à música. Outra coisa, que é completamente diferente, é a formação: somos todos músicos a tempo inteiro e vivemos em cidades diferentes, uma parte nem vive no mesmo país. Isso tem algumas desvantagens, mas ao mesmo tempo esta banda tem-se tornado muito mais profissional e ambiciosa do que antes.

Pergunta cliché: como é que o James Stewart, de Vader, acabou por fazer parte de Deny The Urge?
Depois das canções de “As Darkness Falls” estarem prontas, o mais importante foi encontrar um baterista que conseguisse tocar as nossas cenas – sabes, há partes com blastbeats mesmo rápidos e outras mais matreiras. Vimos o James a tocar com Vader num concerto na Alemanha e ficámos muito impressionados. Pouco tempo depois, um amigo disse-nos que ele também estava a trabalhar como músico de sessão, portanto perguntámos-lhe se queria tocar bateria no nosso álbum. Uma vez que ele gostou das canções, e já que fez grande trabalho, quisemos trabalhar juntos no futuro. Assim tornou-se um membro fixo – e aqui estamos!

Para além da velocidade e aspereza, senti que quiseram ser espontâneos ao ponto do nosso headbanging ser espasmódico. Era algo que queriam alcançar?
Ser espontâneo era definitivamente uma das coisas que queríamos para este álbum! O death metal dos 90s tinha muitas vezes canções com esta estrutura estranha. É como se contassem uma história com riffs, sem estarem presos a nenhum padrão. Quisemos captar esse sentimento, mas combinado com malhas cativantes e intuitivas.

Ainda sobre a pergunta anterior: estão a tentar devolver ao death metal algo que lhe está a faltar hoje em dia?
Por acaso há dois aspectos: um relaciona-se com a composição. Hoje em dia, mesmo no metal extremo, a maioria das canções funciona com o esquema típico de verso e refrão: todas as partes são repetidas e retornam no momento esperado – como uma canção pop. Quisemos ver-nos livres dessas maneiras típicas para surpreender o ouvinte. Quero dizer, esses elementos mantêm-se na música, mas tentamos quebrar esse padrão de vez em quando.
Outro aspecto refere-se à forma como se produz. Queríamos dar ao álbum um tacto cru e orgânico. Deve soar como uma banda a tocar e não como um computador a calcular notas. Não há substitutos digitais para a bateria (à excepção de um pequeno sample para o bombo) e temos muitas mudanças de tempo nas canções. Além do mais, gravámos o álbum sem um mapa de tempo e foi quase sempre tocado de seguida. Estas são as coisas que sinto falta nas gravações modernas e digitalizadas em comparação a como as bandas gravavam antigamente.

«Queríamos dar ao álbum um tacto cru e orgânico.»

Há algum tecnicismo – afinal é death metal –, mas acho que preferiram ser cativantes, ainda que brutais, com malhas também elas cativantes. Concordas?
No passado, muitas das canções eram escritas com a ideia de usar as habilidades instrumentais. Quando praticas muito com o teu instrumento, podes perder-te neste mundo de notas rápidas e truques porreiros. Neste álbum, essas habilidades são usadas mas apenas se necessário para criar uma certa expressão. Portanto sim, a ideia era ser-se um pouco mais simples e concentrarmo-nos no cerne musical sem perder o ludismo e a loucura que o death metal sempre teve. Acho que isto é fruto do Henrik estar a crescer como compositor.

A base do death metal está lá, mas concordarias se disser que trazem alguma frescura e modernidade ao género? Quero dizer, há partes melódicas e até teclados…
Adoro death metal, mas quando ouves 45 minutos de blastbeats, duplo-bombo e malhas extremas, os teus ouvidos cansam-se a certa altura. Precisam de descanso para o pontapé da próxima peça pesada. Então decidimos integrar partes atmosféricas dentro e entre as canções. Isto deverá dar alguma atmosfera ao álbum, na qual podes mergulhar. Um bom exemplo é a peça instrumental no disco: é como um contraponto que adiciona um sabor fresco e variedade às canções rápidas e brutais. Assim, o ouvinte é capaz de desfrutar do próximo riff esmagador.
Portanto sim, concordo, mesmo que todos esses elementos sejam usados por bandas no passado. Não estamos a inventar nada completamente novo no género. Estamos a tentar ser old-school e inovadores ao mesmo tempo – tirar partido do melhor do passado e combinar isso como elementos frescos.

Claro que estão a desfrutar de “As Darkness Falls”, mas planeiam manter-se mais activos do que anteriormente?
Sim, claro! Temos a formação mais profissional de sempre e com “As Darkness Falls” gravámos o álbum mais ambicioso até agora. Mal esperamos por tocar ao vivo e gravar o próximo álbum. Vamos tentar chegar o mais longe possível com esta banda!

Topo