[Reportagem] Disposal Of The World European Tour 2017 @ Cave 45, Porto | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Disposal Of The World European Tour 2017 @ Cave 45, Porto

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Defeated Sanity / Putrid Pile / Skinned / Primordius / Cranial Engorgement

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Sexta-feira treze e todos os caminhos levavam ao Cave 45, no Porto. Não é todos os dias que se recebe um lote de cinco bandas de death metal, das quais uma é alemã e as outras quatro são oriundas dos Estados Unidos.

A chegada ao local honrou a tradicional procura exaustiva de lugar para estacionar. Havia carros por todos os lados e estacionados em todos os lados também. Assim por assim, encontrei um lugarzito simpático e deixei lá o meu meio de transporte. Estando arrumado este assunto, verifiquei que, como planeara, tinha chegado cedo para o evento. A abertura das portas estava marcada para as 22 e, como me tinha sido dito que “Tem que acabar às 01:30”, estava descansado. A minha última expedição ao Cave tinha terminado pouco depois das 3:00 e não estava interessado em repetir a experiência…

Não fosse sexta-feira treze, algo teria, obviamente, que começar mal. Enquanto aguardávamos, enregelados por um frio cortante, foi-nos dito que o autocarro das bandas tinha tido um problema, o que estava a atrasar a chegada das mesmas, e que as portas abririam uma hora mais tarde. A notícia não desanimou ninguém, nem o frio arrefeceu os ânimos. As pessoas foram-se juntando à porta e os atrasados, crónicos ou não, desta vez, chegaram a tempo.

A chegada do autocarro foi uma epopeia por si só. Depois de uma troca intensiva de e-mails entre a organização e os representantes das bandas, eis que surge o monstro e se prostra em frente à porta do Cave. Estamos a falar da zona centro do Porto, cidade antiga, onde serpenteiam ruas estreitas, herança de tempos idos. Com todo o trânsito bloqueado, as bandas retiraram o material em tempo record, o que não evitou algumas caras de descontentamento nos automobilistas que aguardavam o término das movimentações.

Ultrapassado que estava o problema, e com tudo a correr dentro do previsto, se não tivermos em conta as duas horas de atraso, deu-se início às hostilidades.

Cranial Engorgement

Cranial Engorgement

Aos Cranial Engorgement coube a honra de iniciar a noite e não se fizeram rogados, debitando rajada após rajada do seu death metal brutal, no estilo pastoso de Carcass dos velhos tempos. Tão rápido como começou, terminaram a sua actuação. Este curto tempo de actuação repetiu-se com as duas próximas bandas a pisar o palco. Seguiram-se os Primordius, do Texas, e o seu death metal brutal mais tradicional, e os Skinned, do Colorado, na mesma onda, mas mais tecnicistas, que continuaram a aquecer um público que enchia a sala do Cave. No final, Weston Wylie (g&v), dos Primordius, comentava, em conversa, que tinha sido «um show brutal» e «o público estava cheio de pessoal fantástico e foi uma experiência que nunca vou esquecer».

Apesar do curto tempo que fora disponibilizado a estas bandas para apresentarem a sua música, isso não impediu que cada uma das actuações fosse de uma intensidade esmagadora do início ao fim. Curiosamente, apesar deste facto e de se sentir o seu impacto no público, o mesmo não se movimentava como era natural em tal evento. Devo dizer que notei bem esta diferença, pois, como me encontrava também a tirar fotos e o Cave é um sítio muito complicado para essa actividade, conseguia fazê-lo com relativa facilidade.

Tudo isto terminou com a chegada de Putrid Pile, ou melhor, de Shaun LaCanne, já que ele compõe a totalidade da formação da banda. Eu já tinha visto bandas de dois elementos, com ou sem bateria electrónica, e confesso que nunca nenhuma me convenceu, por isso, foi com um pé atrás que recebi este one-man-show. O pé atrás acabou por ser literal, porque a entrada de Putrid Pile coincidiu com a chegada do inferno do fotógrafo, o mosh pit, e precisei bem de ter um pé atrás para conseguir manter o equilíbrio. A plateia, que até aí tinha vindo a aquecer, entrou em erupção. O espaço pequeno da sala tornou-se grande e o movimento das hostes intenso. Para isso contribuiu o aumento do tempo da actuação e o death metal brutal e rápido orientado para o riff que não deixava ninguém indiferente, eu incluído. No final falei com um Shaun LaCanne sempre bem-disposto que louvou o público presente e que referiu que «tinha sido um prazer actuar no Porto».

 

O fechar do pano coube aos germânicos Defeated Sanity. O pequeno palco do Cave pareceu crescer, mesmo cheio com os quatro elementos da banda. Com o seu death metal coeso e debitando o melhor som da noite, conseguiram levar o público aos limites num constante braço de ferro de intensidade. À frente da banda, um vocalista hiperactivo percorria o (curto) espaço do palco como se estivesse num grande palco de festival e inflamava o público, o que atiçava ainda mais o mosh pit, chegando mesmo a empurrar alguns dos seus elementos, inclusivamente a minha pessoa, quando me preparava para tirar uma fotografia, tal era o seu estado de inebriação pela brutalidade do som e da entrega do público. A noite encerrou com um encore que premiou a perseverança dos presentes frente à hora tardia e ao frio intenso que se sentia no exterior.

 

No final, já com o relógio a acariciar as 4:00, dirigi-me para a minha viatura para iniciar o meu regresso a casa. Infelizmente o meu lugarzito simpático não era tão simpático assim, pois no pára-brisas esperava-me um bilhetinho deixado por um simpático agente da PSP… Não fosse sexta-feira treze…

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