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[Reportagem] Download Festival Madrid 2018 (dia 1 – Arch Enemy, Marilyn Manson, Kreator, Avenged Sevenfold, etc.)

João Correia

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Arch Enemy (Foto: Alfredo Arias)

O primeiro dia do Download Festival Madrid iniciou às 17:15 com os Altair, power metallers progressivos italianos que já contam com 10 anos de actividade e que desempenharam um concerto sólido a promover “Descending: A Devilish Comedy”, de 2017, sendo que a proeza técnica da banda foi um excelente cartão-de-apresentação do festival. O final deste concerto anunciou os Tesseract no palco principal, onde os britânicos desempenharam o seu trabalho, ainda que sem grande emoção aparente por parte dos músicos. Mesmo assim, o público presente não quis perder pitada do que se passava. Temas como “Smile” ou “King” foram, aliás, responsáveis pela adesão em massa ao palco 1. Ao mesmo tempo, os austríacos Kaiser Franz Josef tocavam o seu rock com inspiração muito clara de Editors no palco 3. Pensou-se que não poderiam estar mais deslocados do género de festival, mas a qualidade geral do trabalho desta banda é notável, mesmo que aponte para outro tipo de eventos.

Backyard Babies (Foto: João Correia)

No fim deste concerto, apresentou-se no palco 2 um dos claros vencedores do primeiro dia – os veteraníssimos Backyard Babies. Acabadinhos de assinar com a Century Media, os suecos esbanjaram atitude e muito, muito rock n’ roll pesadão e infeccioso, tão a lembrar os Hellacopters, os Gluecifer e até os The Hives de outros tempos. Entre “Dysfunctional Professional”, “Brand New Hate”, (o novo single) “Shovin’ Rocks” e “Abandon”, valeu tudo numa actuação de 40 curtos (mas prolíficos) minutos. Os neorockers espanhóis Catorce tocavam no palco 4, dando vez aos também espanhóis Foscor no palco 3. Com “Les Irreals Versions” a ser editado em Agosto pela Season of Mist, o concerto dos Foscor saldou-se assombroso devido à qualidade e originalidade do negrume que os catalães debitaram; aguarda-se impacientemente pelo novo disco. No palco principal tocavam os Arch Enemy, que pouco mais causaram do que sonolência – as mesmas frases de sempre (“Vocês são os maiores”, etc.) e uma clara falta de empenho em palco resultaram num concerto de calendário que, embora mecanicamente perfeito, careceu de alma e emoção. “The World Is Yours”, “We Will Rise” e “Nemesis” foram os destaques da actuação. Devido a Arch Enemy no palco 1 seguido de Kreator no palco 2, os Apphonic (banda galega de rock produzida pelo ‘nosso’ Vasco Ramos) tiveram algumas dificuldades em angariar público.

Kreator (Foto: João Correia)

Os Kreator apresentaram-se em palco prontos a não falharem, coisa já habitual nas suas actuações: de enfiada, debitaram clássicos como “Phantom Antichrist”, “Violent Revolution”, “Enemy of God” e “Pleasure to Kill”, ainda com tempo para criarem a única wall of death do festival. Tirando ligeiros defeitos de som, Petrozza & Cia. proporcionaram um dos concertos mais agressivos dos três dias. Os thrashers Iron Reagan tocavam no palco 3 e deixaram uma sensação quase idêntica à de Arch Enemy, ainda que os norte-americanos fossem muito mais expressivos e mexidos. Mesmo assim, não conseguiram mimetizar o bom trabalho que têm feito em estúdio – notou-se vontade, mas ficou-se por aí. Às 21:05, o palco principal recebeu Marilyn Manson, um dos artistas mais esperados do primeiro dia, se não mesmo o mais aguardado. Brian Hugh Warner está diferente, mais que não seja pelos 21 anos que o separam de alguns dos concertos mais escatológicos das suas primeiras digressões, o que se verificou neste concerto e infelizmente para pior. O vocalista limitou-se a caminhar de um lado para o outro do palco, ausente e apático – apenas mais um dia no escritório. Felizmente, arranjou um truque com “Kill4Me”, em que todas as actuações convida membros do público para o acompanharem em palco na rendição do novo tema. “Dope Show”, “Irresponsible Hate Anthem”, “Sweet Dreams” e “The Beautiful People” foram outros temas reconhecidos que entraram no repertório da banda.

Marilyn Manson (Foto: João Correia)

Os Exhorder tocavam ao mesmo tempo no palco 4, e finda a sua actuação seguiram-se os norte-americanos Rise Against no palco 2 e Myrkur no palco 3. Neste concerto, Amalie Bruun conseguiu transportar para palco os mesmos espíritos que invoca em estúdio, numa actuação marcada por um ramo de hortênsias cor-de-rosa devidamente afixado ao microfone da multi-instrumentalista dinamarquesa. Desfolhou temas como “The Serpent”, “Måneblôt” e “Vølvens spådom”, tendo convencido as poucas centenas de pessoas que ouviram o seu chamamento. Logo após, foi a vez de os Avenged Sevenfold explicarem o porquê de tamanho sucesso à escala mundial. As razões são simples: evoluíram de uma sonoridade metalcore para um tipo de heavy metal moderno e nitidamente progressivo, são incansáveis em palco e musicalmente acessíveis a fãs de diversos subgéneros de metal. Sem reservas, deram o melhor concerto do primeiro dia, principalmente devido a temas complexos como “The Stage” e “God Damn”, ambos do seu  último álbum. Beneficiaram de um som cristalino durante toda a sua actuação, o que magnificou a experiência. No palco 3, os Pennywise davam início a mais uma celebração de punk rock americano. A determinada altura, Jim Lindberg (vocalista) pede-nos para lhe emprestarmos a nossa máquina fotográfica e começa a tirar fotos ao público com ela – nunca sabemos o que esperar de um concerto destes nativos da Califórnia à excepção de clássicos como “Bro Hymn” ou “Fight Till You Die” e, se por acaso ouvirmos uma versão acelerada de “(You Gotta) Fight for Your Right (To Party)”, dos Beastie Boys, então estamos mesmo perante um concerto de Pennywise.

A Pefect Circle (Foto: Maite Nieto Paz)

Era cerca de uma da manhã quando os A Perfect Circle subiram ao palco 2 para proporcionarem o momento mais inusitado dos três dias, tal foi a simbiose a que assistimos em palco. A lembrarem bastante Depeche Mode – algo tão patente em temas como “The Contrarian”, do mais recente “Eat The Elephant” –, conseguiram captar com facilidade a atenção do público mais orientado para o rock progressivo e foram 60 minutos que voaram rapidamente. Enquanto no palco 4 actuavam os Galactic Empire, banda que toca temas da saga Star Wars, no palco 1 preparava-se Carpenter Brut, o fruto da genialidade de Frank Hueso, um músico electrónico francês que mistura synthpop dos anos 80, música de filmes de terror, metal e rock para criar uma das maiores surpresas de 2018: o disco “Leather Teeth”. A hora tardia e a apetência de um público maioritariamente habituado a comer o ‘arroz nosso de cada dia nos dai hoje’ fez com que Carpenter Brut tocasse para umas quantas centenas de pessoas, uma experiência ligeiramente diferente da vivida no Hellfest apenas quatro dias antes. “Cheerleader Effect”, “Roller Mobster” e  “Turbo Killer” foram momentos de puro delírio, mesmo para quem não conhece e/ou gosta. Os Anti Karaoke tocavam em simultâneo no palco 3, uma mescla de show de cabaret com rock e can can à mistura.

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Texto: João Correia
Fotos: Alfredo Arias, João Correia, Maite Nieto Paz

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Out Of Sight Fest 2018: Fitacola

Joel Costa

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É já amanhã que arranca o Out Of Sight Fest! A Ultraje teve uma breve conversa com os Fitacola antes de partirem para Faro.

Quais são as vossas expectativas para o Out Of Sight e o que poderá o público esperar do vosso concerto?

É sempre um prazer para nós poder participar em novos festivais. Esperamos um dia cheio de boa música e um público cheio de energia. O nosso concerto vai ter um reportório que passa pelos pontos altos dos 15 anos da banda e, claro, uma ou duas músicas do novo álbum.

Qual é a banda do cartaz que mais têm curiosidade em ver ao vivo e porquê?

Os To All My friends. É uma banda da qual já acompanhamos o trabalho desde o início e temos curiosidade em ver como resulta ao vivo.

Como avaliam o estado actual da cena punk rock em Portugal?

A cena punk rock tem os seus altos e baixos mas nunca morre. Neste momento está a atravessar um bom período com bandas como Viralata, Artigo21, Tara Perdida ou Fonzie a trabalharem em novos álbuns e a mostrarem que o punk rock em Portugal está vivo. Ainda este ano vamos lançar o nosso novo álbum, que baseia-se na aprendizagem e vivências dos 15 anos de banda. A cena está viva e recomenda-se!

Os Fitacola sobem ao palco do Out Of Sight sexta-feira, dia 14 de Setembro.

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Out Of Sight Fest: Em cartaz (Parte 2)

Joel Costa

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Um novo festival nascerá em Faro! Será nos próximos dias 14 e 15 de Setembro que a cidade algarvia recebe o primeiro Out Of Sight Fest, apresentando um cartaz onde são os nomes do punk e do hardcore que saltam à vista mas que oferece também espaço ao death metal e até mesmo ao rock. A Ultraje destaca alguns dos nomes que vão marcar presença nesta primeira edição do festival.

FITACOLA

Os Fitacola cantam em português e têm uma sonoridade que se aproxima de uns Pennywise ou até mesmo de uns The Offspring. Prestes a lançar um novo disco intitulado “Contratempo”, a banda de Coimbra acrescentará no Out Of Sight um novo parágrafo a uma história com 15 anos.

PRIMAL ATTACK

A cena groove/thrash nacional – principalmente a que se vivia para os lados de Lisboa e Setúbal – precisava de encontrar uma banda capaz de reinventar uma receita antiga e algo gasta, e foi precisamente aí que os Primal Attack entraram. Com uma sonoridade que tem como base um thrash moderno, a banda não segue nenhum atalho quando se trata de providenciar peso, complexidade e diversidade. Um dos nomes com mais potencial que temos no nosso Portugal.

GRANKAPO

As bandas que se vão apresentar no palco do Out Of Sight Fest vão ter diante de si um público bem aquecido e sedento por hardcore, pois por essa altura os Grankapo já lá terão passado. Ainda que não tenham grandes novidades no campo discográfico há alguns anos, os lisboetas vão activar o moshpit e fazer com que haja trovoada nessa noite.

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Semana Bizarra Locomotiva: Hip-hop, Jorge Palma e ginásio

Joel Costa

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Numa conversa onde o tema principal foram os discos que fazem parte da vida de Rui Sidónio, a Ultraje quis saber o que o vocalista e letrista dos Bizarra Locomotiva gosta de ouvir em determinadas situações.

Antes e depois de um concerto dos Bizarra Locomotiva: «Antes ou depois de um concerto de Bizarra não sou muito de ouvir coisas pesadas ou mais carregadas. Normalmente a escolha musical nem é minha. Nós vamos na carrinha e o nosso motorista é quase sempre o Alpha [máquinas], então ouvimos coisas mais alternativas, como hip-hop. [risos] Ouvimos muito hip-hop quando vamos para os concertos de Bizarra, ou então uma coisa mais alternativa. Temos que ter plena noção de que o som que fazemos cansa. É uma coisa que tens que reconhecer quando chegas ao fim de um dia. É intenso, faz sentido mas é algo que também cansa um bocado. Não cansa ouvir mas depois de um concerto eu procuro outra paz para depois extravasar tudo o que tenho a extravasar em cima do palco.»

A dada altura o músico menciona Jorge Palma. A Ultraje pediu para que Rui Sidónio tecesse um pequeno comentário: «No Jorge Palma atraiu-me a palavra. Não sei se conheces o disco “Só”, mas é um disco com ele ao piano, com versões de temas que já tinha. Fez em 2016 vinte e cinco anos e eu fui ver um dos concertos comemorativos, no CCB. É um escritor de letras maravilhoso; quem me dera escrever como ele.»

No ginásio: «No ginásio recorro a duas bandas, que são os Iron Maiden e os Suicidal Tendencies. Nunca falham para treinar! Eu ouço tanta coisa… Mas naqueles dias em que mais nada funciona diria que seria um álbum dos Iron Maiden ou dos Suicidal Tendencies, que é algo que me faz treinar. Músicas como “You Can’t Bring Me Down” e aquelas palavras de ordem que o Mike [Muir, vocalista] tem, são mais ou menos inspiradoras para quem está ali a lutar contra o ferro e muitas vezes contra a falta de vontade.»

Visita a loja online da Rastilho para conheceres as últimas novidades discográficas dos Bizarra Locomotiva, entre elas o mais recente longa-duração “Mortuário” e a re-edição do “Álbum Negro”.

 

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