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[Reportagem] Download Festival Madrid 2018 (dia 2 – Guns N’ Roses, Parkway Drive, Clutch, etc.)

João Correia

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Guns N’ Roses (Foto: Alfredo Arias)

O segundo dia foi, de longe, o menos emocionante do cartaz. De facto, e abertas as portas às 17h, os Leather Heart, The Pink Slips, Creeper, Thrice e Ankor não conseguiram oferecer momentos de grandeza a um público que esperava pelos Guns N’ Roses. Os Bullet For My Valentine ainda animaram a larga massa humana que se deslocou à Caja Mágica para lhes prestar tributo, mas mais não lograram do que um concerto apontado para um público-alvo maioritariamente abaixo dos 20 anos. Os Moose Blood, praticantes de emocore, deixaram a mesma impressão de todas as bandas anteriores, mesmo que estes sejam sobejamente conhecidos em Inglaterra e nos Estados Unidos. Acontece que Espanha (com uma população a roçar os 46 milhões) tem mercado para absorver quase tudo o que se lhe apresente.

Ankor (Foto: João Correia)

O mesmo sucedeu com os Underoath, colectivo de Tampa (EUA) praticante de ‘mallcore’ que apresentou pouco de novo, ainda que com partes de teclado algo interessantes. Se não fossem os Clutch, que entraram pela porta principal do palco 2 às 20h05, o segundo dia do Download Festival Madrid ter-se-ia saldado até então num rotundo fracasso. Vinte e sete anos passados sobre a sua formação, o conjunto de Maryland pouco alterou o seu som de marca e mantém a mesma atitude em palco de quem tem tudo a perder e que por isso dá o litro com honestidade como nenhuma outra banda. Neil Fallon agradeceu aos fãs mais antigos pela mente-aberta com que acompanharam a banda ao longo de quase três décadas, rendendo músicas de diversas fases da sua carreira, como a inicial “X-Ray Visions”, “Crucial Velocity” e “Electric Worry”, sempre a puxarem pelo público e com uma das melhores comunicações de todo o festival. Tivessem tocado “Rock n’ Roll Outlaw” e certamente teriam angariado mais movimento à sua frente.

Clutch (Foto: João Correia)

Das 21h às 00h30, os Guns N’ Roses ocuparam o palco principal para mais um concerto da Not In This Lifetime Tour. Iniciaram a prestação com “It’s So Easy” e daí em diante houve tempo para todos os clássicos que se possam pensar. Na verdade, escrever “Guns n’ Roses” e “clássicos” na mesma frase resulta em pleonasmo – sem ordem específica: “Paradise City”, “Mr. Brownstone”, “Nightrain”, “November Rain”, “Welcome To The Jungle”, “Don’t Cry”, “Yesterday”, “You Could Be Mine”, “Civil War”, “Used To Love Her”… Enfim, foram três horas e meia de um best of de uma das bandas mais importantes de sempre do rock n’ roll. Ainda houve tempo para nove (!) versões, das quais se destacou sem grande dúvida “Black Hole Sun”, clássico intemporal dos Soundgarden. Durante a rendição do tema, os ecrãs gigantes do Download Festival Madrid passavam imagens alusivas à banda, com grafismos de um buraco negro, bem como imagens constantes do Space Needle, edifício simbólico de Seattle, cidade onde se originou o movimento grunge. Axl Rose vê-se aflito para cantar durante 3h30, tanto que há várias intromissões pelo meio para que o homem do microfone recupere o fôlego. Tudo bem, já não estamos a falar de um tipo nos seus trintas, mas 3h30 de concerto apontam para o mesmo ego de sempre dos californianos. Não foi nem um bom concerto, nem um mau concerto, apenas uma actuação demasiadamente prolongada em que a banda tocou o que toda a gente queria ouvir mais uma vez. Em suma, nihil novi sub sole, mas conseguiram convencer as dezenas de milhar de fãs que assistiram ao concerto.

Parkway Drive (Foto: João Correia)

Seguiram-se-lhes os Parkway Drive no palco 2, e que grande concerto que os australianos deram depois da estafa anterior dos Guns. Será impossível não referir a coordenação entre banda e público durante sessenta minutos: excelente comunicação, algum crowdsurfing, muito suor destilado em palco e a clara sensação de que a banda possui milhões de fãs em todo o mundo. “Wishing Wells”, “The Void” e a final “Bottom Feeder” coroaram um concerto no qual a banda teve o público a comer das suas mãos desde os instantes iniciais. Ainda houve tempo para os Viva Belgrado no palco 3, mais uma banda espanhola screamo que debita rock/metal experimental muito na linha de The Dillinger Escape Plan, mesmo que com uma ínfima parte da originalidade dos norte-americanos. Ao longo do festival, percebeu-se com facilidade que o público espanhol consome imenso produto interno, até porque faz parte da cultura nacionalista de nuestros hermanos. O fim das festividades do magríssimo segundo dia coube aos Bandera Negra DJS, dois DJ com um programa de rádio com o mesmo nome.

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Texto: João Correia
Fotos: Alfredo Arias, João Correia

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Out Of Sight Fest 2018: Fitacola

Joel Costa

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É já amanhã que arranca o Out Of Sight Fest! A Ultraje teve uma breve conversa com os Fitacola antes de partirem para Faro.

Quais são as vossas expectativas para o Out Of Sight e o que poderá o público esperar do vosso concerto?

É sempre um prazer para nós poder participar em novos festivais. Esperamos um dia cheio de boa música e um público cheio de energia. O nosso concerto vai ter um reportório que passa pelos pontos altos dos 15 anos da banda e, claro, uma ou duas músicas do novo álbum.

Qual é a banda do cartaz que mais têm curiosidade em ver ao vivo e porquê?

Os To All My friends. É uma banda da qual já acompanhamos o trabalho desde o início e temos curiosidade em ver como resulta ao vivo.

Como avaliam o estado actual da cena punk rock em Portugal?

A cena punk rock tem os seus altos e baixos mas nunca morre. Neste momento está a atravessar um bom período com bandas como Viralata, Artigo21, Tara Perdida ou Fonzie a trabalharem em novos álbuns e a mostrarem que o punk rock em Portugal está vivo. Ainda este ano vamos lançar o nosso novo álbum, que baseia-se na aprendizagem e vivências dos 15 anos de banda. A cena está viva e recomenda-se!

Os Fitacola sobem ao palco do Out Of Sight sexta-feira, dia 14 de Setembro.

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Out Of Sight Fest: Em cartaz (Parte 2)

Joel Costa

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Um novo festival nascerá em Faro! Será nos próximos dias 14 e 15 de Setembro que a cidade algarvia recebe o primeiro Out Of Sight Fest, apresentando um cartaz onde são os nomes do punk e do hardcore que saltam à vista mas que oferece também espaço ao death metal e até mesmo ao rock. A Ultraje destaca alguns dos nomes que vão marcar presença nesta primeira edição do festival.

FITACOLA

Os Fitacola cantam em português e têm uma sonoridade que se aproxima de uns Pennywise ou até mesmo de uns The Offspring. Prestes a lançar um novo disco intitulado “Contratempo”, a banda de Coimbra acrescentará no Out Of Sight um novo parágrafo a uma história com 15 anos.

PRIMAL ATTACK

A cena groove/thrash nacional – principalmente a que se vivia para os lados de Lisboa e Setúbal – precisava de encontrar uma banda capaz de reinventar uma receita antiga e algo gasta, e foi precisamente aí que os Primal Attack entraram. Com uma sonoridade que tem como base um thrash moderno, a banda não segue nenhum atalho quando se trata de providenciar peso, complexidade e diversidade. Um dos nomes com mais potencial que temos no nosso Portugal.

GRANKAPO

As bandas que se vão apresentar no palco do Out Of Sight Fest vão ter diante de si um público bem aquecido e sedento por hardcore, pois por essa altura os Grankapo já lá terão passado. Ainda que não tenham grandes novidades no campo discográfico há alguns anos, os lisboetas vão activar o moshpit e fazer com que haja trovoada nessa noite.

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Semana Bizarra Locomotiva: Hip-hop, Jorge Palma e ginásio

Joel Costa

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Numa conversa onde o tema principal foram os discos que fazem parte da vida de Rui Sidónio, a Ultraje quis saber o que o vocalista e letrista dos Bizarra Locomotiva gosta de ouvir em determinadas situações.

Antes e depois de um concerto dos Bizarra Locomotiva: «Antes ou depois de um concerto de Bizarra não sou muito de ouvir coisas pesadas ou mais carregadas. Normalmente a escolha musical nem é minha. Nós vamos na carrinha e o nosso motorista é quase sempre o Alpha [máquinas], então ouvimos coisas mais alternativas, como hip-hop. [risos] Ouvimos muito hip-hop quando vamos para os concertos de Bizarra, ou então uma coisa mais alternativa. Temos que ter plena noção de que o som que fazemos cansa. É uma coisa que tens que reconhecer quando chegas ao fim de um dia. É intenso, faz sentido mas é algo que também cansa um bocado. Não cansa ouvir mas depois de um concerto eu procuro outra paz para depois extravasar tudo o que tenho a extravasar em cima do palco.»

A dada altura o músico menciona Jorge Palma. A Ultraje pediu para que Rui Sidónio tecesse um pequeno comentário: «No Jorge Palma atraiu-me a palavra. Não sei se conheces o disco “Só”, mas é um disco com ele ao piano, com versões de temas que já tinha. Fez em 2016 vinte e cinco anos e eu fui ver um dos concertos comemorativos, no CCB. É um escritor de letras maravilhoso; quem me dera escrever como ele.»

No ginásio: «No ginásio recorro a duas bandas, que são os Iron Maiden e os Suicidal Tendencies. Nunca falham para treinar! Eu ouço tanta coisa… Mas naqueles dias em que mais nada funciona diria que seria um álbum dos Iron Maiden ou dos Suicidal Tendencies, que é algo que me faz treinar. Músicas como “You Can’t Bring Me Down” e aquelas palavras de ordem que o Mike [Muir, vocalista] tem, são mais ou menos inspiradoras para quem está ali a lutar contra o ferro e muitas vezes contra a falta de vontade.»

Visita a loja online da Rastilho para conheceres as últimas novidades discográficas dos Bizarra Locomotiva, entre elas o mais recente longa-duração “Mortuário” e a re-edição do “Álbum Negro”.

 

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