Dr. Living Dead! “Cosmic Conqueror” [Nota: 5/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Dr. Living Dead! “Cosmic Conqueror” [Nota: 5/10]

rsz_dr_living_dead_-_cosmic_conqueror_webEditora: Century Media Records
Data de lançamento: 27 Outubro 2017
Género: thrash metal

Chegados a 2017, um dos géneros (se não mesmo o género) mais em voga é o retro thrash metal. O thrash nunca passou de moda, ainda que no princípio dos anos 90 tivesse caído no esquecimento devido à crescente experimentação e reformulação de géneros cada vez mais agressivos como o death metal, o grindcore e o black metal. Chegados a 2010, o revivalismo tomou de assalto milhares de jovens nascidos no final dos anos 80 / princípio dos anos 90 e que pensaram: ‘se eu gosto e se eu toco bem, por que não criar uma banda para homenagear todos os meus ídolos?’

Assim o fizeram. Em teoria, a ideia tinha tudo para correr bem: música agressiva, bem tocada e extraída directamente da fonte, com uma óptima produção e que é transversal a quase todos os metaleiros, excepção feita a determinados segmentos de nicho? Claro que sim! Faltou adicionar um elemento à equação: a previsível saturação de bandas que se encontraria neste estilo em 2017. Embora existisse saturação dentro do thrash nos anos 80, a grande diferença era a novidade e a frescura do movimento, o que fez com que dezenas de bandas conseguissem assinar facilmente um contrato de gravação e lançar um clássico para o mercado. Outros tempos.

Em 2017, só conseguem vingar as melhores bandas entre as melhores bandas. Infelizmente, os Dr. Living Dead! são, quanto muito, uma banda acima da média, o que não deixa de ser curioso: estes suecos são bons músicos (ainda que longe de exímios), mas não apresentam ponta de originalidade ou emoção, algo palpável, algo que faça alguém perguntar ‘mas quem são estes gajos?’, limitando-se a mimar algo que já foi feito incontáveis vezes por quem de direito. A ver se a mensagem não é mal interpretada: os Dr. Living Dead não falham por não reinventarem o estilo, não se deve pedir isso a banda alguma, mas sim pelo plágio descarado de Suicidal Tendencies, Exodus e Anthrax, desde a estrutura das guitarras a um vocalista psicologicamente tripartido entre Mike Muir, Joey Belladonna e Steve “Zetro” Sousa.

Ainda assim, “Cosmic Conqueror” não desilude totalmente, muito devido à tal qualidade musical apresentada que, embora também remeta para “nada de novo” ou “debatível”, é a cola que mantém a estrutura em pé, mesmo que de forma periclitante. Há partes interessantes e até robustas, mas aquilo que fica na mente do ouvinte mais rodado é mesmo a semelhança com incontáveis outras bandas e centenas de outros discos lançados ao longo de quase 40 anos de história do género. Presumivelmente, devem ser uma boa banda de festival, até porque o thrash faz sempre abanar a cabeça dos mais resignados devido à sua intensidade, mas, e voltando ao princípio, exige-se mais em 2017, algo menos forçado. Até porque “forçado” é quase sinónimo de “Cosmic Conqueror”.

 

5/10
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