Emerging Chaos: decadência emergente (entrevista c/ Pedro Nascimento) | Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Emerging Chaos: decadência emergente (entrevista c/ Pedro Nascimento)

17198290_1434059660001278_1314732173_n

Os Emerging Chaos podem ter ainda apenas uma maqueta e um EP editados, mas as indicações dadas ao vivo e no registo “The Decay Of Mankind”, de 2015, não enganam. Estamos na presença de thrash/death metal feito com as influências certas, com a fúria da juventude e com um inconfundível ADN da cena metaleira do Barreiro. O baixista Pedro Nascimento esteve à conversa com a Ultraje e explicou-nos como surgiram os Emerging Chaos e o que planeiam para o futuro mais próximo.

«Praticamos thrash com algumas influências de death metal, mas as nossas influências são incrivelmente vastas.»

Como surgiu a banda? Vocês já tinham tocado noutros projectos antes?
O Jorge [Silva, baterista] e eu começámos a tocar juntos em 2008 e, basicamente, ele convenceu-me  a voltar a pegar no baixo, porque o tinha posto um pouco de lado após a desintegração dos Move Under Disorder no inicio deste milénio. O [guitarrista] Tainan Lucas juntou-se a nós em 2009 e só aí nasceram os Emerging Chaos. A formação actual surgiu no final de 2014 com a entrada do Jim [Gäddnäs, vocalista].

Quais são as vossas principais referências musicais? As influências variam muito de membro para membro do grupo?
Praticamos thrash com algumas influências de death metal, mas as nossas influências são incrivelmente vastas. Somos tipos com uma mente bem aberta a outras sonoridades e cada um de nós tem influências bem distintas, que vão desde o blues ao industrial. Às vezes pergunto-me como é que quatro tipos com influências musicais tão diferentes se conseguem entender nos ensaios.

Vocês têm um vocalista finlandês, certo? Como é que ele entrou para a banda e como se processa a logística da banda, como ensaios, concertos, etc?
Sim, o Jim é finlandês, mas agora está a viver em Lisboa e isso facilita as coisas. Acho que ele fez uma busca no Google por “banda procura vocalista” e apareceu um anúncio que tínhamos colocado num fórum de metal nacional. Ele contactou-nos, combinámos um ensaio e gostámos da voz dele, pois era diferente de tudo o que tínhamos apanhado até então. Convidámo-lo a ficar com a difícil tarefa de meter a voz nas nossas músicas e ele foi suficientemente louco para aceitar.

A abordagem às letras mudou, de alguma forma, com a entrada do Jim?
De certa maneira sim. O Jim não se revia com algumas letras antigas nem com as métricas das mesmas e como nós também sabíamos que elas podiam ficar bem melhores, demos-lhe a liberdade para trabalhar nelas e, em algumas músicas, recomeçar mesmo as letras do zero.

«As reacções ao EP foram na generalidade boas e em 2016 conseguimos apresentá-lo ao vivo bastantes vezes.»

O vosso EP “The Decay Of Mankind” foi editado há quase dois anos. Que reacções e resultados obtiveram com ele?
O EP saiu em meados de 2015 e, com ele, finalmente conseguimos ter algo físico para apresentar, porque a nossa maqueta “Why We Fight” ficou-se pelo formato digital. Este EP foi essencial para conseguirmos mostrar o nosso trabalho a um maior número de pessoas e até conseguimos ter algumas faixas a tocar em programas de rádio. As reacções ao EP foram na generalidade boas e em 2016 conseguimos apresentá-lo ao vivo bastantes vezes. No final do ano começámos a trabalhar com a [promotora de espectáculos] Seven Hills Productions.

Já iniciaram a composição de novos temas? Quando serão eles registados e em que formato serão editados?
Quando o EP “The Decay of Mankind” saiu já tínhamos algumas músicas em estado embrionário. Esses temas foram sendo colocados nos setlists dos concertos que fomos dando em 2016 e no final desse ano começámos a preparar a gravação dos mesmos. A ideia inicial era gravar um novo EP, mas chegámos à conclusão que estava na altura de avançar para o nosso primeiro longa-duração. Neste momento estamos a finalizar algumas músicas novas e a seguir entramos em gravações. Esperamos lançar o álbum depois do Verão.

A cena metaleira do Barreiro sempre foi especial. Achas que ainda existe uma cena por aí? Como a descreverias?
A cena abrandou nos últimos anos; fecharam muitos bares e os espaços para realizar concertos são poucos, mas continua a haver por cá bastantes almas penadas que ouvem metal. Recentemente apareceu o excelente Camarro Fest – que já vai na segunda edição – e que veio agitar as águas por estes lados e que espero que continue a ser realizado por mais uma porrada de anos.

Topo