Lock Howl: Amor num mundo frio | Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Lock Howl: Amor num mundo frio

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«Quis criar um álbum que eu mesmo pudesse ouvir». É com estas palavras que James McBain, o único músico por detrás de Lock Howl, inicia a conversa com a Ultraje. A frase diz respeito a “Pareidolia”, o álbum com que o escocês se dá a conhecer ao universo musical através de uma sonoridade post-punk.

«Foi um desafio para mim pois foi a primeira vez que decidi ‘cantar a sério’, por assim dizer. Queria que o produto final apresentasse todas as minhas influências de diferentes estilos musicais.» Se era este o objectivo de McBain, o mesmo foi conseguido, pois basta ouvirmos os primeiros segundos de “The Seventh Room” – tema que dá início a este “Pareidolia” – para sermos tomados de assalto por nomes como Beastmilk. Para além da banda de Mat McNerney, James McBain guarda também um lugar na lista de influências para os Joy Division: «Os Joy Division são uma referência por terem sido a primeira banda post-punk que ouvi e a razão pela qual decidi perseguir este estilo musical. Musicalmente, diria que não há muitas semelhanças para além de algumas músicas que são conduzidas pelo baixo, ou pelos vocais profundos.» Já com Beastmilk, a história é outra: «São, como é óbvio, uma grande influência e uma das minhas bandas preferidas de sempre», refere. «É uma influência muito evidente» [risos].

A conversa é rebobinada e voltamos a Joy Division, uma banda que daria um grande contributo na evolução da música, principalmente com o genial “Unknown Pleasures”, de 1979. «Se os Joy Division não tivessem aparecido nessa altura, acredito que metade das bandas de hoje não existiriam», comenta McBain acerca da importância da banda de Ian Curtis. «Teríamos um ambiente musical totalmente diferente daquilo que é.»

Ao contrário dos Joy Division e dos já citados Beastmilk, Lock Howl tem a particularidade de ter apenas uma pessoa a fazer tudo. Da bateria aos teclados, passando pelas cordas e pelos vocais, é James McBain o criador do seu próprio mundo: «Adoro criar música sozinho. Tento total liberdade para compor, gravar e dizer aquilo que quero, quando quero.» Contudo, não pensem que Lock Howl é o típico projecto de estúdio que não sai à rua, pois a banda anda na estrada graças à ajuda de alguns amigos: «Tenho dado alguns concertos com o apoio de alguns amigos: Mark Lerche, Clark Core e Peter Barron. Todos eles têm gostos semelhantes aos meus e eu também toco noutras bandas com eles, pelo que isto funciona muito bem.»

De forma a conhecermos melhor a realidade escocesa no que ao dark rock e ao post-punk diz respeito, questionámos o músico se a Escócia era um bom país para se ter uma sonoridade destas. A resposta, ainda que desanimante, pareceu indicar que há luz ao fundo do túnel: «Não há propriamente uma cena para este género musical em Aberdeen, mas ela existe em Edimburgo. Tocámos lá em Abril e foi uma noite muito divertida. Tirando isso, é muito difícil conseguir marcar concertos e promover a banda.»

“Pareidolia” está disponível para audição na íntegra abaixo ou no Bandcamp dos Lock Howl.

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