Evocation: arquétipo revisitado (entrevista c/ Marko Palmén) – Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Evocation: arquétipo revisitado (entrevista c/ Marko Palmén)

EVOCATION-Band-2017-04

Apesar de terem estado 12 anos parados, os suecos Evocation pertencem à primeira geração de bandas de death metal melódico e, desde o seu regresso em 2006, têm provado ser uma força digna de reconhecimento dentro deste subgénero. O guitarrista Marko Palmén está nos Evocation desde a sua formação em 1991 e falou-nos do presente e passado da sua banda e também nos levou a mergulhar na História da conhecida cena metal sueca.

«A orientação do novo registo é bem mais brutal comparada com os anteriores e um passo em direcção às nossas raízes death metal.»

“The Shadow Archetype”, o vosso quinto álbum, já saiu, quatro anos depois de “Illusions of Grandeur”, e não pude deixar de reparar que a sonoridade dos Evocation está mais bruta em comparação com o disco anterior. O que nos podes contar sobre este novo lançamento?
Tentamos sempre fazer algo novo em cada álbum e este não foi excepção. Ou seja, não faz sentido fazermos o mesmo álbum outra vez e outra vez. Para “The Shadow Archetype” tivemos algumas mudanças no line-up. Perdemos o Janne [baterista] e o Vesa [guitarrista] que eram parte da formação original e também parte vital da composição para Evocation. Contudo, fizemos um recrutamento espectacular para guitarrista principal quando conseguimos que o Simon Exner (As You Drown) se juntasse à banda. Ele é meu familiar, logo conheço-o desde que era praticamente um puto pequeno e tem sido um amigo dos Evocation já há muitos anos. É um grande guitarrista e compositor, por isso foi natural têrmo-lo escolhido para a posição de guitarrista principal. O Simon está muito voltado para o death metal moderno e eu sou mais de death metal old school e, de alguma forma, conseguimos fundir esses dois mundos na composição do novo álbum de Evocation. O resultado final é “The Shadow Archetype”, um álbum que acho que nos devemos orgulhar para os anos vindouros. A orientação do novo registo é bem mais brutal comparada com os anteriores e um passo em direcção às nossas raízes death metal, mesmo tendo elementos que também pertencem ao presente.

Per Møller Jensen (ex-The Haunted, ex-Invocator) tocou como baterista de estúdio durante o processo de gravação. Como aconteceu esta colaboração?
A percussão do Per sempre foi uma influência para os Evocation desde os seus dias com os The Haunted, mas foi uma coincidência ter conseguido que ele tocasse no novo disco. Quando acabámos de escrever o novo álbum, vimos um post do Per no Facebook a dizer que estava à procura de trabalho de sessão e na altura estávamos à procura de um baterista para o álbum, portanto contactámo-lo e ele ficou imediatamente interessado em gravar a bateria para “The Shadow Archetype”. Depois enviámos-lhe as demos dos temas e ele preparou-se em Copenhaga, onde vive. Conhecemo-nos pela primeira vez em Junho de 2015, em Gotemburgo para gravar a bateria nos Crehate Studios com o engenheiro de som Oscar Nilsson, e revelou-se uma pessoa bastante acessível e profissional para se trabalhar e o seu trabalho de bateria elevou a fasquia dos temas, sem esquecer que é um tipo espectacular e que tivemos uma grande semana juntos quando se gravou a bateria!

Já têm um baterista para os espectáculos ao vivo?
Sim, temos estado a trabalhar com um baterista, mas ainda não decidimos anunciar nada publicamente e vamos mantê-lo em segredo por mais um pouco… Só posso dizer que é um fulano extremamente talentoso de quem gostamos imenso e que vai elevar o nível de Evocation no futuro.

Também trocaram de editora: passaram da Century Media para a Metal Blade Records. O que causou esta mudança e como estão as coisas a correr com a nova editora?
O contracto com a Century Media terminou e quando começámos a trabalhar no novo álbum dissemos que só depois de o terminarmos começaríamos a apresentar o material às editoras. A razão pela qual quisemos trabalhar com a Metal blade é porque, primeiro, é a melhor editora independente de metal extremo: todos nós adoramos a editora e o seu elenco de bandas. Segundo, já tínhamos previamente colaborado com a Metal Blade quando lançámos os nossos primeiros três álbuns numa situação de licenciamento nos EUA e Canadá. A cooperação funcionou perfeitamente e, por fim, temos um velho amigo da banda nos escritórios europeus das Metal Blade. Andreas Reissnauer é o seu nome e tinha uma editora nos inícios dos anos 90 e, em 1992, foi ele que distribuiu a nossa primeira demo “The Ancient Gate”. Sentimos que fechámos um ciclo ao assinar com a Metal Blade. Estamos a trabalhar com amigos da banda e, para nós, esse foi o factor mais importante quando assinámos com eles. Posso garantir que não teremos mais nenhuma editora no futuro, vamos terminar a nossa carreira na Metal Blade Records.

«Diria que a cena Metal Sueca está bastante saudável e viva de momento, especialmente no que toca ao metal extremo.»

Como estão a surgir as datas para os concertos da digressão para “The Shadow Archetype”? Podemos contar com uma visita dos Evocation em Portugal?
Actualmente só temos uma festa de lançamento marcada na nossa cidade natal, a qual iremos anunciar. Tentaremos fazer uma digressão no Outono se tudo correr bem e é claro que vamos tentar fazer o máximo número de festivais possível, mas de momento não temos nada marcado. Portugal seria fantástico de se tocar, nós nunca tocámos lá, por isso seria uma prioridade para nós tocar este álbum lá se a oportunidade surgir.

A cena do death metal sueco é uma das mais resilientes e activas no universo do metal. Os Evocation vêm dos primórdios deste movimento e já viram muito, logo podes-nos dizer um dos momentos mais marcantes que tenhas experienciado na história da banda ou da cena sueca?
Um dos sítios mais fixes da cena death metal do início da década de 90 era o clube underground Valvet, em Gotemburgo. Eu até diria que uma grande parte da cena death metal de Gotemburgo circundava aquele clube. Os Evocation fizeram vários espectáculos lá juntamente com grandes bandas como Ceremonial Oath, Master, etc. E vimos muitos outros com bandas como Carcass, At The Gates, Grotesque. E lembro-me de uma ocasião em que todos os membros dos Evocation estavam no Valvet para ver um concerto dos Edge of Sanity mas, infelizmente, eles tiveram de cancelar. De qualquer forma, o organizador do evento sabia que todos os membros dos Evocation estavam presentes e perguntou-nos se queríamos ser os cabeças-de-cartaz daquela noite. Respondemos-lhe: “Dá-nos uma grade de cerveja e tratamos do assunto!” E foi dos nossos melhores concertos de sempre! O público estava louco e conseguimos gravar tudo em cassete também! Memórias porreiras que uma pessoa se lembra com muito prazer.

Qual a tua opinião da actualidade da cena sueca?
Diria que a cena metal sueca está bastante saudável e viva de momento, especialmente no que toca ao metal extremo. Há muitas bandas a terem sucesso e a renovação de novas bandas é algo bom. Há uns anos diria que a coisa estava em má forma: o principal era hardrock e os tempos eram difíceis para as bandas mais extremas. As coisas mudaram nos últimos anos a favor do metal e a situação agora é como deve de ser!

Os Evocation estiveram parados durante doze anos até ao regresso na década passada. Existiu uma série de promissoras bandas de death metal do início dos anos 90 que nunca tiveram a oportunidade (ou a força de vontade) de voltar à acção. Que banda(s) gostarias de ver “voltar dos mortos” para obter o reconhecimento que merecem?
Pessoalmente adoraria ver uma reunião dos Carnage. São uma das minhas bandas favoritas do início dos 90s e nunca cheguei a vê-los ao vivo. Duvido que aconteça, mas se acontecesse, seria um sonho tornado realidade…

 

 

Topo