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Evocation: arquétipo revisitado (entrevista c/ Marko Palmén)

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Apesar de terem estado 12 anos parados, os suecos Evocation pertencem à primeira geração de bandas de death metal melódico e, desde o seu regresso em 2006, têm provado ser uma força digna de reconhecimento dentro deste subgénero. O guitarrista Marko Palmén está nos Evocation desde a sua formação em 1991 e falou-nos do presente e passado da sua banda e também nos levou a mergulhar na História da conhecida cena metal sueca.

«A orientação do novo registo é bem mais brutal comparada com os anteriores e um passo em direcção às nossas raízes death metal.»

“The Shadow Archetype”, o vosso quinto álbum, já saiu, quatro anos depois de “Illusions of Grandeur”, e não pude deixar de reparar que a sonoridade dos Evocation está mais bruta em comparação com o disco anterior. O que nos podes contar sobre este novo lançamento?
Tentamos sempre fazer algo novo em cada álbum e este não foi excepção. Ou seja, não faz sentido fazermos o mesmo álbum outra vez e outra vez. Para “The Shadow Archetype” tivemos algumas mudanças no line-up. Perdemos o Janne [baterista] e o Vesa [guitarrista] que eram parte da formação original e também parte vital da composição para Evocation. Contudo, fizemos um recrutamento espectacular para guitarrista principal quando conseguimos que o Simon Exner (As You Drown) se juntasse à banda. Ele é meu familiar, logo conheço-o desde que era praticamente um puto pequeno e tem sido um amigo dos Evocation já há muitos anos. É um grande guitarrista e compositor, por isso foi natural têrmo-lo escolhido para a posição de guitarrista principal. O Simon está muito voltado para o death metal moderno e eu sou mais de death metal old school e, de alguma forma, conseguimos fundir esses dois mundos na composição do novo álbum de Evocation. O resultado final é “The Shadow Archetype”, um álbum que acho que nos devemos orgulhar para os anos vindouros. A orientação do novo registo é bem mais brutal comparada com os anteriores e um passo em direcção às nossas raízes death metal, mesmo tendo elementos que também pertencem ao presente.

Per Møller Jensen (ex-The Haunted, ex-Invocator) tocou como baterista de estúdio durante o processo de gravação. Como aconteceu esta colaboração?
A percussão do Per sempre foi uma influência para os Evocation desde os seus dias com os The Haunted, mas foi uma coincidência ter conseguido que ele tocasse no novo disco. Quando acabámos de escrever o novo álbum, vimos um post do Per no Facebook a dizer que estava à procura de trabalho de sessão e na altura estávamos à procura de um baterista para o álbum, portanto contactámo-lo e ele ficou imediatamente interessado em gravar a bateria para “The Shadow Archetype”. Depois enviámos-lhe as demos dos temas e ele preparou-se em Copenhaga, onde vive. Conhecemo-nos pela primeira vez em Junho de 2015, em Gotemburgo para gravar a bateria nos Crehate Studios com o engenheiro de som Oscar Nilsson, e revelou-se uma pessoa bastante acessível e profissional para se trabalhar e o seu trabalho de bateria elevou a fasquia dos temas, sem esquecer que é um tipo espectacular e que tivemos uma grande semana juntos quando se gravou a bateria!

Já têm um baterista para os espectáculos ao vivo?
Sim, temos estado a trabalhar com um baterista, mas ainda não decidimos anunciar nada publicamente e vamos mantê-lo em segredo por mais um pouco… Só posso dizer que é um fulano extremamente talentoso de quem gostamos imenso e que vai elevar o nível de Evocation no futuro.

Também trocaram de editora: passaram da Century Media para a Metal Blade Records. O que causou esta mudança e como estão as coisas a correr com a nova editora?
O contracto com a Century Media terminou e quando começámos a trabalhar no novo álbum dissemos que só depois de o terminarmos começaríamos a apresentar o material às editoras. A razão pela qual quisemos trabalhar com a Metal blade é porque, primeiro, é a melhor editora independente de metal extremo: todos nós adoramos a editora e o seu elenco de bandas. Segundo, já tínhamos previamente colaborado com a Metal Blade quando lançámos os nossos primeiros três álbuns numa situação de licenciamento nos EUA e Canadá. A cooperação funcionou perfeitamente e, por fim, temos um velho amigo da banda nos escritórios europeus das Metal Blade. Andreas Reissnauer é o seu nome e tinha uma editora nos inícios dos anos 90 e, em 1992, foi ele que distribuiu a nossa primeira demo “The Ancient Gate”. Sentimos que fechámos um ciclo ao assinar com a Metal Blade. Estamos a trabalhar com amigos da banda e, para nós, esse foi o factor mais importante quando assinámos com eles. Posso garantir que não teremos mais nenhuma editora no futuro, vamos terminar a nossa carreira na Metal Blade Records.

«Diria que a cena Metal Sueca está bastante saudável e viva de momento, especialmente no que toca ao metal extremo.»

Como estão a surgir as datas para os concertos da digressão para “The Shadow Archetype”? Podemos contar com uma visita dos Evocation em Portugal?
Actualmente só temos uma festa de lançamento marcada na nossa cidade natal, a qual iremos anunciar. Tentaremos fazer uma digressão no Outono se tudo correr bem e é claro que vamos tentar fazer o máximo número de festivais possível, mas de momento não temos nada marcado. Portugal seria fantástico de se tocar, nós nunca tocámos lá, por isso seria uma prioridade para nós tocar este álbum lá se a oportunidade surgir.

A cena do death metal sueco é uma das mais resilientes e activas no universo do metal. Os Evocation vêm dos primórdios deste movimento e já viram muito, logo podes-nos dizer um dos momentos mais marcantes que tenhas experienciado na história da banda ou da cena sueca?
Um dos sítios mais fixes da cena death metal do início da década de 90 era o clube underground Valvet, em Gotemburgo. Eu até diria que uma grande parte da cena death metal de Gotemburgo circundava aquele clube. Os Evocation fizeram vários espectáculos lá juntamente com grandes bandas como Ceremonial Oath, Master, etc. E vimos muitos outros com bandas como Carcass, At The Gates, Grotesque. E lembro-me de uma ocasião em que todos os membros dos Evocation estavam no Valvet para ver um concerto dos Edge of Sanity mas, infelizmente, eles tiveram de cancelar. De qualquer forma, o organizador do evento sabia que todos os membros dos Evocation estavam presentes e perguntou-nos se queríamos ser os cabeças-de-cartaz daquela noite. Respondemos-lhe: “Dá-nos uma grade de cerveja e tratamos do assunto!” E foi dos nossos melhores concertos de sempre! O público estava louco e conseguimos gravar tudo em cassete também! Memórias porreiras que uma pessoa se lembra com muito prazer.

Qual a tua opinião da actualidade da cena sueca?
Diria que a cena metal sueca está bastante saudável e viva de momento, especialmente no que toca ao metal extremo. Há muitas bandas a terem sucesso e a renovação de novas bandas é algo bom. Há uns anos diria que a coisa estava em má forma: o principal era hardrock e os tempos eram difíceis para as bandas mais extremas. As coisas mudaram nos últimos anos a favor do metal e a situação agora é como deve de ser!

Os Evocation estiveram parados durante doze anos até ao regresso na década passada. Existiu uma série de promissoras bandas de death metal do início dos anos 90 que nunca tiveram a oportunidade (ou a força de vontade) de voltar à acção. Que banda(s) gostarias de ver “voltar dos mortos” para obter o reconhecimento que merecem?
Pessoalmente adoraria ver uma reunião dos Carnage. São uma das minhas bandas favoritas do início dos 90s e nunca cheguei a vê-los ao vivo. Duvido que aconteça, mas se acontecesse, seria um sonho tornado realidade…

 

 

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Marduk: a morte é cega (entrevista c/ Morgan)

Diogo Ferreira

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Foi em Junho de 2018, pela Century Media Records, que saiu “Viktoria”, o mais recente álbum dos bélicos Marduk e que será formalmente apresentado em Portugal em dois concertos já marcados para 2019. O primeiro acontece a 2 de Maio no Hard Club do Porto e o segundo a 3 de Maio no RCA Club de Lisboa.

Recordando uma entrevista que o mentor Morgan concedeu à Ultraje pela altura do lançamento de “Viktoria”, o sueco considerava que «todos os álbuns [de Marduk] são uma lição de como metal extremo deve ser feito». «Fazemos aquilo em que acreditamos e o que as pessoas pensam é com elas – é assim que vejo as coisas.» Tal como o recente trabalho, Morgan é um tipo espontâneo e veloz a responder às questões que lhe são impostas, e tudo isso espelha-se na forma directa como “Viktoria” é apresentado através de faixas muitíssimo orientadas à guitarra, sendo que cada riff e cada palavra cuspida por Mortuus são como um murro na cara. Ter uma atitude in-your-face é aquilo que, segundo o nosso entrevistado, a banda almeja sempre que grava um álbum. «Ainda é mais directo do que o anterior [“Frontschwein”]», admite Morgan. «Temos uma guitarra e isto é basicamente compor de uma maneira in-your-face – curto, agressivo e pesado em músicas de três minutos. É directo. É como um álbum extremo deve ser.»

“Frontschwein” data de 2015 e ainda está muito fresco por ser um álbum tão bom em vários anos de carreira, por ser imensamente atmosférico e por ter uma temática tão eficaz como a confrontação perante os horrores da guerra. Se fizermos uma ligação ao título, muitos podem achar que os Marduk viraram-se agora para o lado vitorioso da guerra com “Viktoria”. Nada mais errado. «Toda a gente tenta ver a vitória à sua maneira e acho que, no fim, só há uma personagem que sai vitoriosa: a morte. Queríamos um título frio, que funciona muito bem com o simbolismo da capa: simplista, gelado, duro. Queríamos um título simples e directo que fosse o reflexo da temática do álbum.» A capa de “Viktoria” pode parecer imediatamente descomplicada, mas podemos fazer tantas analogias: da cegueira da justiça ao tiro certeiro da morte, a lista de exemplos pode ser longa. Morgan mostra-se, mais uma vez, instantâneo: «Queríamos algo frio e com um estilo de propaganda. Ficámos presos à imagem e acho que funciona muito bem com o simbolismo do álbum. Acho que as pessoas se vão lembrar [de Marduk] quando virem a capa. Às vezes põe-se muita coisa no artwork, mas desta vez fizemos algo mais relaxado e velha-guarda.»

Se antes falou o artista, agora fala o crítico, o old-schooler, o mentor de uma das bandas mais importantes do black metal – mas uma coisa é certa: papas na língua é coisa que nunca demonstra ter. «Nunca quisemos saber de cenas e do que as outras bandas fazem. Não nos sentamos a discutir o que é popular – sabemos o que queremos fazer, deixamos a energia fluir. As pessoas têm medo de dizer o que pensam porque querem manter-se em grupos específicos. Para nós é sobre ter a liberdade total de se fazer o que se quer – que é o que sempre fizemos. Os limites das outras pessoas não são os meus limites, e não quero saber o que os outros fazem. Fazemos as coisas à nossa maneira.»

Quão longe irá Morgan para defender a sua arte? Não muito longe. Ou melhor, a lado nenhum. «Nunca a defendi, não tenho que a defender. Tenho orgulho no que faço, e se as pessoas têm um problema com isso, por mim tudo bem, estou-me nas tintas para quem tenta boicotar ou censurar. Prefiro passar por cima disso e continuar a fazer aquilo em que acredito. Nunca deixaria alguém dizer o que podemos e não podemos fazer. Se as pessoas têm um problema, está tudo bem – farei sempre aquilo que quero. É assim mesmo: ser verdadeiro e leal comigo mesmo.»

(Entrevista integral e original aqui.)

Os primeiros 50 bilhetes têm um preço especial de 18€. Depois de esgotados passarão a custar 20€ em venda antecipada e 23€ na semana do evento. Mais informações estão disponibilizadas nas páginas da Larvae e da Notredame.

 

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Mayhem: o novo “Grand Declaration Of War” (entrevista c/ Jaime Gomez Arellano)

Diogo Ferreira

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A 1 de Maio de 2000 era lançado “Grand Declaration Of War”. Era, naquele momento, a prova de fogo para os noruegueses Mayhem. Ainda que em 1997 já tivesse sido lançado o EP “Wolf’s Lair Abyss”, com Blasphemer na guitarra (que substituía assim o assassinado Euronymous) e com o regresso de Maniac à voz, “Grand Declaration Of War” tinha de marcar um novo rumo seis anos depois do histórico “De Mysteriis Dom Sathanas”.  E marcou! Marcou uma nova direcção da banda, mas também de todo o black metal – com este disco de 2000, os Mayhem foram além dos riffs obscuros corridos e transpuseram a barreira daquilo que seria um dogma dentro do estilo ao utilizarem arranjos próximos da electrónica e ao executarem uma estética vocal que ia para além do berro demoníaco, tendo nós um Maniac com cariz de homem que discursa.

“Grand Declaration Of War” – que segundo fonte da Season Of Mist é o álbum mais vendido da história da editora – atingiu a maioridade há poucos meses e com isso veio a intenção de lhe dar uma nova roupagem sonora. Para tal, os Mayhem recrutaram Jaime Gomez Arellano, conhecido produtor de origens colombianas, que tem no seu currículo bandas como Ghost, Paradise Lost, Sólstafir, Primordial ou Ulver. Sobre  o processo para o qual foi convidado, o homem por detrás de tantos álbuns que se tornaram um sucesso concedeu um breve momento da sua atribulada agenda para responder a três perguntas feitas pela Ultraje.

«Acho que o Rune [Eriksen aka Blasphemer] é provavelmente o melhor guitarrista de metal extremo.»

Quanto consideras “Grand Declaration of War” um marco icónico e quão orgulhosos estás por fazer parte desta nova edição?
Acho que o álbum mudou muitas coisas no black metal, e, sim, acho que é uma jóia. Sou fã de Mayhem desde a minha adolescência quando estava na Colômbia, por isso, para mim, foi uma honra trabalhar nisto.

Quão desafiador foi trabalhar com as fitas obsoletas para recriar o som para algo moderno?
Há um equívoco aqui. A ideia NUNCA foi fazer com que [o álbum] soasse mais moderno! A gravação foi feita para um formato digital antigo que nunca soou bem, sempre foi ténue e áspero. Mesmo que o original soasse bem, tinha aquele som fino e crocante. Fiz a remistura com equipamento analógico para fita analógica de modo a dar mais corpo e profundidade, além de dar o meu ‘toque’. A parte principal do trabalho foi tentar fazer com que a bateria soasse mais realista, porque a gravação foi feita com um kit electrónico com pratos reais. Eu e o Hellhammer [baterista] passámos muito tempo a fazer novos samples da bateria e a ajustar tudo manualmente para que soasse mais realista. O Maniac [vocalista] pediu para que a sua voz permanecesse igual à da versão original, por isso, cuidadosamente, combinei todos os efeitos e níveis o mais próximo que pude.

Quais foram os melhores elementos musicais que descobriste ao dar ao álbum um novo som?
O baixo! É quase inaudível no original. Algumas das partes do baixo são muito boas e destaquei-as, assim como reformular o seu som geral. Também foi divertido ouvir as faixas individuais da guitarra; acho que o Rune [Eriksen aka Blasphemer] é provavelmente o melhor guitarrista de metal extremo, tanto em termos de performance como de composição.

O disco será lançado a 7 de Dezembro pela Season Of Mist.

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Um metaleiro também chora (entrevista c/ Pedro Cova)

Pedro Felix

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«O meu nome é Pedro Cova, tenho 28 anos e sou natural da Mealhada. Neste momento estou a terminar o mestrado em gestão», começa assim a apresentação, estilo Casa dos Segredos, do jovem sossegado e simpático que conhecemos em Abril passado na excursão para o Moita Metal Fest. Desde que nos cruzámos com a página do Facebook “Um metaleiro também chora” que tivemos curiosidade em conhecer quem estava por trás dela. Muitas são as iniciativas que têm como base o metal e que não se consubstanciam na criação ou divulgação directa da música. Neste caso estávamos perante algo que nos é bastante querido – o humor. Mas a carreira do Pedro no mundo da divulgação metálica não começou aqui. «Experimentei tocar bateria e guitarra, mas fazer musica não é a minha praia», relembra antes de referir que a génese da página, que se dá em Novembro de 2014, passou por um desafio entre ele e um colega de licenciatura. Perante o surgimento de páginas como “Um beto também chora” ou um “Dread também chora” decidem criar uma também na mesma linha, e o Pedro, com o metal a correr no sangue, contrapõe a proposta de nome “Uma prostituta também chora” com o agora conhecido “Um metaleiro também chora”. «Fiz logo quatro ou cinco memes, do tipo “Quando estas vestido de preto e está um calor do caralho” ou “Quando estás em frente ao palco e queres ir mijar”», recorda. «No final do mesmo dia já tínhamos 100 likes. Após uma semana alcançámos os 1000 likes. Este número redondo deixou-me a pensar que isto tinha público interessado e comecei a publicar memes de forma regular.» Neste recuar à origem do nome, é peremptório quando refere logo de imediato: «E outra coisa, para mim é metaleiro que se diz, não gosto nada da expressão metálico.»

«Quem nunca viu o Abbath a fazer “abbathices”?»

O humor no metal tem sido debatido ao longo dos anos, com defensores e detractores a opinarem sobre se tudo o que é metal pode incorporar humor. «Para mim, o humor deve existir em todos os estilos de metal, sem excepções», refere-nos relativamente a esta questão, «mas não vou negar que existem estilos mais ricos em conteúdos, e há alguns estilos/bandas que me dão mais gozo fazer memes», reforçando que «uma boa dose de humor nunca fez mal a ninguém – temos músicos extremamente cómicos, até mesmo de géneros mais extremos. Por exemplo, quem nunca viu o Abbath a fazer “abbathices”?».

Mas o objectivo do autor com a página não passa apenas por criar humor tendo por base o mundo do metal. «A missão da página é fazer o movimento do metal crescer em Portugal», explica para depois dizer que acredita que não há publicidade negativa e, como tal, usa o humor para se falar no metal. Assim, começou a tirar partido da dimensão que a página tinha atingido para ajudar a dinamizar o som eterno. «Ultimamente tenho colaborado com bastantes festivais nacionais, tenho oferecido entradas para os eventos, t-shirts e descontos em bilhetes.» As próximas iniciativas passam por oferecer entradas para o Lord Metal Fest, Bairrada Metal Fest, Mosher Fest, entre outros. «Também promovo bandas e eventos na minha página», e em contrapartida cobra um preço simbólico. «Como normalmente as organizações têm orçamentos reduzidos, e como eu gosto de fazer parcerias win-win, costumo pedir sempre uma t-shirt. Como devem imaginar, tenho uma colecção gigante de t-shirts.»

Por falar em t-shirts, a oficial da página foi lançada recentemente e, segundo nos conta, tem sido bem acolhida. «O pessoal gosta da t-shirt», acrescentando: «Para além de comprarem ainda me dão os parabéns e dizem para continuar com isto. São estas coisas que me enchem o coração e me fazem continuar a fazer crescer a página.» E aproveita para fazer um pouco de publicidade: «Na compra da t-shirt tenho oferecido um sticker para colar no carro a dizer “Metaleiro a bordo”.» Para o futuro tem previsto novos desenhos e cores, para além de patches.

Manter uma página sempre a apresentar material novo não é tarefa fácil. Por esse motivo, o Pedro recorre a várias fontes. «Muitos [memes] são de autoria minha», explica-nos, «alguns são publicações de amigos no Facebook, do 9GAG, páginas de humor estrageiras e também os memes que me enviam por mensagem privada para a página». Relativamente a estes últimos, sublinha: «Costumo meter sempre o nome da pessoa que enviou.» Curiosamente, há mesmo situações em que os próprios memes geram memes: «Já tive bastantes comentários que viraram meme; recentemente fiz um a gozar com o Lars e nos comentários alguém disse “um relógio parado acerta mais vezes que o Lars nos tempos”. Fico contente por isso, vejo que seguem a mesma linha de pensamento da página.»

Mesmo assim, não é só reunir ou criar material que satisfaz o Pedro quando procura novos conteúdos para a página. Uma das grandes dificuldades, como ele nos explica, é «provavelmente encontrar bandas que todos conheçam. Gosto de fazer memes em que toda a gente perceba a piada, mas para perceber algumas é preciso conhecer a banda; não quero criar um nicho dentro do nicho, por isso é que se calhar os Metallica são os mais castigados na minha página». Outra dificuldade é a falta de tempo. A terminar o mestrado em gestão, ao ainda estudante sobra pouco tempo livre para se dedicar à página como gostaria, e antevê que, quando se lançar no mundo do trabalho, as dificuldades ainda sejam maiores, mas promete que «a página vai continuar a ter bons conteúdos».

«Ando para realizar um festival de metal na Mealhada, talvez para Junho 2019 o consiga fazer.»

Apesar de todas estas dificuldades, o promotor não pára na sua vontade de fazer crescer a página: «Neste momento estou a desenvolver um website, já tenho o domínio registado – ummetaleiro.com –, mas ainda não está activo», explica-nos em relação ao futuro. «Irá ter uma agenda de concertos de metal em Portugal e passatempos; estou a ampliar a minha rede de parceiros e também um local para vender o meu merch. Criei recentemente conta no Instagram, mas o meu core-business é o Facebook para já.» Contudo, o “Metaleiro” não se fica apenas pelo on-line. «Também ando para realizar um festival de metal na Mealhada, talvez para Junho 2019 o consiga fazer, pois ainda estou a reunir apoios», deixando o desafio: «Quem quiser juntar-se à equipa, o mercado de transferências está aberto!»

Depois do trabalho que tem sido feito, e com o alinhavar do que está para vir, Pedro Cova acha que os nativos da tribo metaleira «ainda são olhados com um pouco de preconceito, apesar de as mentalidades terem mudado de há uns anos para cá – para melhor, claro –, mas ainda falta algum caminho a percorrer». Sobre a cena em si, nota que «ultimamente têm surgido novos festivais de metal». «Acho que o metal está vivo e recomenda-se, e penso que a minha página ajuda o público a descobrir novos locais e a criar interacção entre os seus seguidores», concluindo: «Procuro convencer as pessoas a irem aos festivais e aos concertos. Ouvir só em casa não chega, é preciso estar lá presente!»

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