[Entrevista] Filii Nigrantium Infernalium: a oração que o Senhor nos ensinou – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Entrevista] Filii Nigrantium Infernalium: a oração que o Senhor nos ensinou

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«Fecha-me essa porta, caralho! FODA-SE! [risos]» – grita Belathauzer. Connosco mesmo colados às traseiras do palco 2, não foi pêra doce fazer uma entrevista aos Filii Nigrantium Infernalium (FNI) sem que a porta do camarim estivesse fechada. De qualquer modo, nunca seria pêra doce – se não são os constantes arremedos dos membros da banda, então é aquela sensação de, por vezes, não termos a certeza  de quando é que estão a falar a sério ou a brincar. «Somos muito influenciados pelo metal mais antigo e pela obra do doutor Kuhlau», diz Pedro “Iron Fist” Pita quando nos referimos à melodia patente em “Hóstia” (novo álbum da banda que sai a 25 de Maio pela Osmose Productions). «É o nosso mentor espiritual!», diz Rick Thor. Belathauzer repica o sino do doutor Kuhlau. «K-U-H-L- [pausa] A-U. Kuhlau. Um interveniente muito importante do movimento pós-pessimista dinamarquês. No Séc. XIX precedeu os Mayhem e previu o suicídio [sic] do Burzum. [risos]» Fez-se silêncio. «Estamos a fazer um minuto de silêncio por tudo o que vocês acabaram de dizer?», perguntámos. [risos]

«Somos muito influenciados pelo metal mais antigo e pela obra do doutor Kuhlau.»

Embora o humor seja constante, o mesmo não se pode dizer da carreira dos FNI. Cada novo disco tem um ambiente e um som próprio. Talvez isso tenha sido um dos grandes motivos que levaram a banda a atingir um novo patamar e terem não só sido pescados pela Osmose Productions, como a que o Hervé (dono da editora) fizesse questão de reeditar “Fellatrix Discordia Pantokrator” em 2018 com o título “Fellatrix”. «Isso também está directamente relacionado com o Nuno da Caverna Abismal, pois ele deu-se ao trabalho de fazer aquilo que nós nunca fizemos e tão pouco nos importava: o trabalho de sapa, de contactar editoras e tal», diz Rick Thor. «O nosso caos acabou por ser uma coisa tão pessoal que só agora, com esta conjuntura específica, é que as coisas se viabilizaram. É um prazer enorme estar em contacto directo com o Hervé e com o pessoal da Osmose – trata-se de um tipo extraordinário e que tem tudo a ver com o nosso tempo e com as nossas referências.»

Belathauzer não poderia estar mais de acordo. «A ideia de fazer um “Fellatrix” 2018 a sério, com tomates a sério, foi dele. Ao fim e ao cabo, não é um disco novo. O novo “Fellatrix” é o mesmo disco com algumas alterações musicais e líricas que expressam o que os Filii são hoje, aquilo que somos. É o mesmo disco com um som actual e, modéstia à parte, tem um som muito melhor e apresenta-nos muito melhores do que em 2004/05. Ainda por cima, o novo “Fellatrix” foi gravado com o baterista original que compôs os arranjos para esses temas. Faz toda a diferença. Ah! E as gravações do Fernando Matias são impressionantes! O gajo extrai o melhor de dentro de uma banda.» Ainda em relação a esses dois discos, Belathauzer tem a sua opinião formada: «Tanto o “Hóstia” como o verdadeiro “Fellatrix” têm um som muito nosso, não é um som adocicado que nos retira força, é o som que obtemos nos ensaios.»

«Tanto o “Hóstia” como o verdadeiro “Fellatrix” têm um som muito nosso.»

Claro que ainda houve tempo para pérolas e shots fired em várias direcções, principalmente da parte de Belathauzer e ao longo da entrevista principal que constará do #16 da Ultraje Magazine: «No concerto que demos em Odense [Dinamarca], um fã aprendeu a falar português exclusivamente para pedir que tocássemos um determinado tema. Assim como certas bandas que para aí andam, os FNI também promovem a cultura portuguesa», diz o vocalista, claramente em referência a uma outra banda que tem levado o nome do nosso país a todos os continentes.

«Gostei de outra entrevista em que, quando perguntei se podia meter Venom a tocar, a pessoa que me entrevistou disse que preferia ouvir black metal, tipo Bathory. Tive de boicotar essa entrevista! [risos] É aquela pessoa cujo nome começa por * e acaba em *» [nome removido a pedido dos entrevistados], diz Belauthauzer, revelando o nome na íntegra. [risos] «O nome não vai para a entrevista, que a pessoa já faleceu», pede Rick Thor. «A sério? Morreu?», pergunta o frontman. «Sim, para o black metal. Morreu para o black metal», responde-lhe Thor. [risos]

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