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Forgotten Tomb “We Owe You Nothing” [Nota: 8/10]

Diogo Ferreira

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fogotten-tomb-nothingEditora: Agonia Records
Data de lançamento: 27 Outubro 2017
Género: black/doom metal

Toda a discografia dos italianos Forgotten Tomb é dividida em trilogias e chegamos ao fim de mais uma com o adequado título “We Owe You Nothing”. Já é conhecido que o trio de Piacenza tem uma sonoridade muito própria, mas, e mesmo que experimentem isto ou aquilo a cada álbum que lançam, a sua imagem de marca suja e dissonante mantém-se firme – “We Owe Nothing Nothing” não é diferente. Algures entre black metal, doom metal, rock e algum punk, as seis faixas deste nono longa-duração expandem-se por riffs cativantes e sludgy que são prontamente abrilhantados por leads/solos melódicos (como na inaugural faixa-título) em contraste com toda a depressão que a banda quer fazer passar. E já que se fala em musicalidades depressivas, se calhar vale a pena referir que esta abordagem, assim como a dos suecos Shining, não se envolve em coisinhas bonitas e lances melodramáticos – aqui tudo soa a decadência, abandono, automutilação, pele a rasgar e facas a cortar, e quando não é pelo esgalhar granítico das guitarras é pela fúria vocal de Herr Morbid.

Se à partida este disco parecia condenado com o acidente do fundador no início de 2017, o seu lançamento só veio provar a existência da veia batalhadora de uma das bandas mais importantes de Itália. “We Owe You Nothing” é um álbum que se ouve em repetição e cada vez que rodar vai fazer com que certa guitarrada se torne sempre mais significativa para quem ouve – é, de facto, electrizante a esse ponto.

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The Browning “Geist”

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Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

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Blaze Bayley “The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)”

Rui Vieira

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Editora: Blaze Bayley Recording
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: heavy metal

Se alguém pensa que Blaze Bayley é apenas um mero tradicionalista por ter passado pelos Iron Maiden, engana-se. “The Redemption of William Black” é um álbum futurista, em diversos sentidos. Não só pelo “surfista prateado” que aparece na capa, mas pela sua produção, músicas e as pequenas histórias sci-fi aqui contadas – uma tradição do próprio Blaze (para quem esteja com atenção à sua carreira). Acresce a tudo isto o modernismo implícito neste álbum, uma obra da cabeça de Blaze mas coadjuvado – principalmente – pela banda britânica Absolva. Esta cápsula de 47 minutos (certinhos) traz a voz inconfundível do homem que gravou dois álbuns com a Dama de Ferro (bons, diga-se) mas que acabou por voltar ao seu mundo, após desintegrado o projecto Wolfsbane, para ir em socorro dos britânicos. Em 1999, após sair de Maiden, funda Blaze e, em 2007, Blaze decide enveredar por uma carreira em total nome próprio, e este já é o sexto álbum de originais desde então. O subtítulo “Infinite Entanglement Part III” define mais um capítulo de uma trilogia que começou em 2016. Este é o fim da trilogia de Wiliam Black, a personagem que viverá por 1000 anos e que aqui encontra a sua redenção.

Musicalmente, Blaze é muito esclarecido e “objectivo” actualmente. O importante são músicas simples mas grandiosas, melodias semi-orelhudas e um grande sentido épico. Não sei porquê mas sempre que oiço a voz de Blaze sou automaticamente enviado para as montanhas escocesas e para a altura de Sir William Wallace. Deve ser pelo clássico “The Clansman”, música que gravou com Iron Maiden no álbum “Virtual XI” de 1998, estar tão colado ao cérebro. O arranque com “Redeemer”, e o seu refrão incisivo, marca o tom para o andamento de todo o disco com excepção para os momentos acústicos e de mais introspecção. Há logo aqui um piscar de olho a Maiden (ok, é chapado) e às suas harmonias/construção de músicas (até os ‘Oh! Oh! Oh!’). Aliás, este tema de abertura remete um pouco para “Man On The Edge”, single de estreia de Blaze com Maiden em 1995 para o álbum “The X-Factor”. Longe de ser cópia, este trabalho é daqueles que vai crescendo a cada audição. Diria que é uma obra de elite – a espaços também lembrando Accept ou UDO – que se vai apreciando lentamente, qual vinho envelhecido. O álbum é arrojado – tal como a descoberta do busão de Higgs – e moderno q.b.. Há toques de industrial com notas dissonantes (“Immortal One”), melodias acústicas ao lado da fogueira (“Human Eyes”), um groove apuradíssimo (“Already Won”), melodias orelhudas (“Prayers Of Light”) ou uns ressemblances de Helloween (“The Dark Side Of Black”). A produção assemelha-se à do último de Judas Priest, “Firepower”, com tudo no sítio certo.

Blaze Bayley não é Bruce Dickinson, mas isso não importa até porque este senhor de 55 anos em nada fica a dever a qualquer outro vocalista deste mundo, pois tem o seu timbre muito pessoal e facilmente reconhecível, e isso marca muitos pontos. Sempre achei que Blaze tinha uma voz única e muito boa (quando muitos o criticavam) mas a herança e os agudos de Bruce mataram o seu desempenho em Maiden, principalmente ao vivo. Bayley Alexander Cooke é homem de graves e isso lixou-o. Vi-o em Cascais e, tirando algumas excepções, a coisa era um bocadinho feia. Com a saída de Maiden, a sua reputação foi gravemente atingida e teve de fazer o dobro do que fazia. Mas com este álbum, Blaze não procura a redenção mas antes uma sweet revenge, e consegue. “The Redemption of William Black” dá 10-0 ao último de Iron Maiden, “The Book Of Life”!

Nota Final

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Eneferens “The Bleakness of Our Constant”

Diogo Ferreira

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Editora: Bindrune Recordings / Nordvis
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: post black metal

Imagina um espírito solitário que decidiu viajar pelo globo à procura de respostas para os mistérios do mundo natural e da condição humana. Endurecido por essa batalha e espiritualmente enriquecido, o eremita regressa com muitas questões respondidas. Algumas ainda não estão claras no seu cérebro e outras não estão aptas a serem transmitidas por palavras, mas, irredutível, o viajante decide espalhar a sua mensagem através de música, já que as respostas são demasiado etéreas para meras palavras.

E é assim, muito à volta deste conceito, que Eneferens chega a um terceiro álbum impossível de rotular numa só expressão. Neste “The Bleakness of Our Constant” há toda uma paleta de cores sonoras que se baseia nas regras desreguladas da cena post e que lança até nós várias alusões de várias influências. Evidentemente triste e/ou melancólico, Jori Apedaile criou um álbum que espelha a beleza da natureza e da auto-reflexão da experiência humana numa química delicada, por vezes áspera, e astuta que entrelaça luta e triunfo. “The Bleakness of Our Constant” é um lugar – se assim acharmos correcto utilizar tal palavra – onde crueldade e aconchego representam uma dicotomia cada vez mais próxima, um lugar que uma vez visitado será revisitado vezes sem conta.

Ao longo de sete faixas dinâmicas e bem conseguidas, há espaço para black metal contemporâneo, segmentos calmos que exalam um pouquinho de prog à Opeth mas que depressa nos fazem lembrar uns Alcest, e até funeral doom metal em pontuais partes mais arrastadas e densas. De facto, Jori Apedaile tem razão: não é com simples palavras que vamos conseguir desmitificar “The Bleakness of Our Constant” – é preciso ouvi-lo.

Nota Final

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