Forteresse: Canções de Rebelião (entrevista c/ Moribond) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Forteresse: Canções de Rebelião (entrevista c/ Moribond)

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Passaram cinco anos desde o último álbum de Forteresse, mas a banda do Québec (e é importante mencionar o Québec em vez do Canadá – já vão perceber porquê) regressa em grande força com o quinto longa-duração “Thèmes pour la Rébellion”, lançado no final de Junho pela Sepulchral Productions. A promoção afirma que é o regresso triunfante do quarteto, mas o guitarrista Moribond não sabe se o é, garantindo ainda assim que é o «trabalho mais conseguido até agora». E continua: «Levámos o tempo necessário para ter a certeza que o momento era o certo e que todos os elementos estavam no sítio correcto.»

No início do artigo mencionou-se o Québec em vez do próprio Canadá, porque há uma forte ignição separatista no conceito dos Forteresse. «A nossa província é parte do Canadá há muito tempo», conta Moribond, e foi apenas ao longo das décadas do Séc. XX que a região obteve mais autonomia, mas isso não chega. «Alguns sentem que as pessoas do Québec são diferentes do resto do Canadá. Temos valores diferentes, uma língua diferente e um folclore diferente. Portanto sim, somos separatistas e acreditamos que o Québec devia ser um país. “Thèmes poiur lá Rébellion” é baseado nos conflitos que ocorreram entre 1837-1838 em que se opuseram o exército britânico e o povo do Québec.» Moribond não diz abertamente que os valores estão em declínio, até porque os dos «canadianos são diferentes» dos do Québec, mas «algumas pessoas sentem que o estilo de vida canadiano está perto daquele encontrado nos EUA». Contudo esclarece que conheceu «grandes pessoas no Canadá» e que «obviamente não é esse o ponto», pois tem mais a ver com a questão de se sentirem ou não parte do país, e aí o músico é peremptório: «a resposta para isto é e sempre será não.»

Posto todo este plano romântico e fervoroso, há a hipótese da música de Forteresse ser revolucionária, mas isso «depende do desejo que se tem para interpretar» a situação. «A ideia de Forteresse é prosseguir com a mensagem de que a nossa própria província existe e que luta uma batalha perdida dentro do próprio país. Também pode ser visto como memória aos nossos heróis caídos, ao nosso folclore e à nossa História. Gostamos de pensar que a nossa mensagem é como um forte pontapé no cu de todos aqueles que, na nossa província, não querem saber de independência. É como um despertar.» Por cá estamos habituados a baladas de Zeca Afonso, mas os Forteresse – como muitos outros – preferiram ir pelo caminho do black metal, ainda que Moribond não saiba se esta é «a maneira definitiva de o fazer». Mesmo assim, numa coisa estamos todos de acordo: «a música é uma boa maneira para mover as pessoas». E continua: «As pessoas ouvem-te, gostam do que ouvem e depois interessam-se por ouvir a mensagem. Se uma música for suficientemente honesta, geralmente sentes as emoções e a história que o criador tenta passar. Penso que isto é a diferença entre um projecto interessante e um projecto enfadonho.»

Neste álbum há grandes títulos, como “Par la Bouche de Mes Canons” ou “Le Sang des Héros”, por isso é interessante saber o que sentem quando compõem tais canções. Moribond responde-nos a isso: «Tento colocar-me fora do tempo e reflectir no poder, orgulho e raiva que residem na História do Québec. A paz e beleza dos rios que fluem e das densas florestas. A força dos nossos antepassados e da sua luta quando tiveram que defender o que era deles.» Por outro lado, e por mais que a imagem medieval esteja presente na banda, o guitarrista diz que «isso tem pouco a ver com Forteresse». Fugimos um pouco ao conceito medieval e seguimos pela conclusão de que a glória crê-se épica – o que é transversal a qualquer época – e, portanto, nada melhor do que criar música neste chavão, mas Moribond vai mais longe ao achar que «a música de Forteresse vai além do simples ‘glorioso’». E finaliza: «Pelo menos tentamos explorar diferentes estados de espírito: derrota, perda, orgulho, beleza… Tentamos criar várias dimensões para que cada canção capte diferentes tipos de emoções e texturas.»

A review ao álbum “Thèmes pour lá Rébellion” encontra-se disponível no #5 da Ultraje que podes encomendar AQUI.

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