Fractal Universe “Engram Of Decline” [Nota: 7/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Fractal Universe “Engram Of Decline” [Nota: 7/10]

fadce292-d670-449e-ace0-3704c252391aEditora: Kolony Records
Data de lançamento: 14 Abril 2017
Género: death metal técnico/progressivo

Qualquer banda oriunda de um país responsável por lançar alguns dos melhores trabalhos de sempre de metal técnico/progressivo extremo tem muito que batalhar para elevar a fasquia do que já foi feito até agora. Provenientes de França, estes Fractal Universe sabem melhor que ninguém o difícil que é praticar um estilo de elite e com tantos conterrâneos já com provas dadas: Misanthrope, Gojira, Gorod, Massacra, Suppuration… Sim, elevar certas fasquias é muito complicado. “Engram of Decline”, primeiro álbum da banda, é uma megalomania geral – como se não bastasse o género praticado, que está ao alcance de apenas uns poucos, este trabalho conceptual baseia-se na seminal obra “Also Sprach Zarathustra”, de Nietzsche, o que é louvável pelo arrojo e coragem. “Backworldsmen”, um dos conceitos de Nietzsche, é também título de uma das faixas, que apenas confirmam os delírios de grandiosidade a que a banda se propõe quando ouvimos declamações da obra em alemão acompanhadas pelo saxofone de Jørgen Munkeby, dos Shining (noruegueses). Sim, a ousadia e a mestria técnica assistem muito bem os Fractal Universe. “Mas…?” – perguntam vocês. Mas… Não chega, lamento. Em 2017, uma banda de metal extremo progressivo não pode contar apenas com mestria, não chega apenas ser virtuoso, há que possuir também uma dose inata de genialidade e é aqui que, geralmente, tudo se complica. Deixem-me simplificar: só os Misanthrope poderiam ter criado trabalhos como “Courtisane Syphillitique”. Só os Gorod poderiam ter criado trabalhos como “Disavow Your God”. Chama-se a isto “cunho”, aquele pormenor que nos faz perceber que estamos perante um trabalho realmente especial. Ainda falta esse cunho aos Fractal Universe, e é compreensível: estamos a falar de uma banda em início de carreira. Há rasgos de genialidade em “Engram of Decline”? Com certeza que sim – aponto, entre outros temas, para “Narcissistic Loop”, que quando a ouvi pensei “OK, é ISTO que quero ouvir!”. Assim, são tecnicamente competentes? Sim, bem mais que competentes e não têm mais olhos que barriga, sabem perfeitamente a que se propõem e não desiludem em termos de mestria musical. Mais: têm partes rítmicas/groove que certas bandas perdem com demasiada técnica em detrimento daquela emoção que é essencial para o tal factor especial. Assim, não desiludirá fãs de Necrophagist, Beyond Creation, The Faceless ou Obscura, entre muitos outros, mas eu já ouvi todas essas bandas. Agora quero ouvir os Fractal Universe. Quando ganharem o tal cunho que indiquei serão maiores que a vida. Até lá, têm aqui um bom álbum em mãos, mas pouco mais.

 

7/10
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