God Is An Astronaut “Epitaph” [Nota: 7/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
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God Is An Astronaut “Epitaph” [Nota: 7/10]

369642Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 27 Abril 2018
Género: post-rock

Com 16 anos de carreira, os irlandeses God Is An Astronaut (GIAA) têm reinado no campo do post-rock com bons álbuns atrás de bons álbuns e o novo “Epitaph” não é excepção. Um epitáfio pode significar o fim de algo, mas nada faz crer que seja o fim da banda – o acabar de uma era para se renovar talvez, mas o término de tudo não. À medida que o álbum se desenrola, e durante o decorrer desta análise, já iremos perceber que tipo de epitáfio conceptual é este…

Ao longo de sete faixas, os GIAA transfiguram a sua condição humana e tornam-se em seres espirituais que se interligam com as movimentações do Universo. Inscrição poética à parte, a banda irlandesa tira-nos do deambular mundano para um ambiente de levitação através do seu rock etéreo, das soundscapes emotivas e das dinâmicas sonoras estruturadas entre o atmosférico e o riff pesado de uma guitarra eléctrica.

Cada tema pode ser uma jornada unilateral – por exemplo, a última “Oisín” representa uma homenagem ao primo de Torsten e Niels que viu a sua vida terminar com apenas sete anos –, mas por todo este “Epitaph” há uma temática corrente dividida em duas palavras: dor e perda. Com vários arranjos de piano e alguma electrónica no discorrer desta proposta, o tema-título – que inaugura o disco – define logo à cabeça um estado de espírito que personifica luto, e mais tarde, na sexta “Medea”, somos envolvidos por um exercício ambient ao longo de 6 minutos e 58 segundos que têm o seu clímax num confronto entre uma malha de guitarra sludgy e uns acordes cintilantes de outra. Indo um pouco mais atrás, a segunda e bela “Mortal Coil” deverá ser a faixa mais straight em relação ao post-rock com os seus instrumentos orgânicos que se iniciam calmos e melódicos, mas que se encaminham, por fim, para uma explosão musical densa e melancólica.

Sem a utilização de letras/vozes, a interpretação deste álbum dos GIAA poderá ficar ao cargo de cada ouvinte, ainda que a directriz seja dor e perda; logo, não é fácil afirmar se “Epitaph” se adequa a momentos de paz interior ou a prantos de choro quando a vida não nos corre bem – o que é certo é que é um disco que dá prazer ouvir e o sentimento que dele tiramos relaciona-se com aquilo que somos em determinada altura, mesmo que a banda tenha delineado um fio-condutor a priori.

7/10
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