[Reportagem] Gwydion + Bleeding Display + Dogma + Beyond Carnage (07.07.2018 – Lisboa) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Gwydion + Bleeding Display + Dogma + Beyond Carnage (07.07.2018 – Lisboa)

Gwydion (Foto: Joana Marçal Carriço)

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Gwydion + Bleeding Display + Dogma + Beyond Carnage
07.07.2018 – RCA Club, Lisboa

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Foi no passado sábado (7 de Julho) que os Gwydion voltaram ao palco do RCA club para apresentar o seu novo disco “Thirteen”. Com a presença de Beyond Carnage, Dogma e Bleeding Display, essa noite foi certamente uma afirmação de que o metal português ainda tem muito para dar.

A noite de concertos começou por volta das 21:30 com os Beyond Carnage, uma banda de death metal num registo bastante old-school. Dominaram o palco e renderam o público presente à sua música e agressividade crua. As faixas que tocaram foram dinâmicas o suficiente para aguentar o concerto, os riffs obrigavam-nos, instintivamente, ao famoso headbanging e o vocalista João Colaço fez um bom trabalho ao manter a atenção do público (ainda fresquinho) com as suas pequenas teatralidades. Old-school death metal sempre a dar-lhe.

Beyond Carnage (Foto: Joana Marçal Carriço)

Depois de uma abertura sangrenta, foi a vez dos Dogma subirem ao palco. A banda de gothic/doom metal apanhou-nos de surpresa. Apesar da nossa familiaridade com o seu material de estúdio, a performance ao vivo foi uma coisa de outro mundo. As fortes melodias e o incrível contraste entre as vozes masculina e feminina renderam o público ao seu misticismo. A seleção das faixas foi bastante boa, utilizando o pouco tempo que tinham para realmente mostrar os seus pontos fortes. Os instrumentais eram extremamente eficazes e atmosféricos, a voz de Gonçalo Nascimento tinha um alcance brutal e a voz de Isabel Cristina assaltava-nos os sentidos sempre que se fazia ouvir.  Foi um concerto verdadeiramente assombrador e bonito.

Dogma (Foto: Joana Marçal Carriço)

Após, os Bleeding Display tomaram o palco e ficou logo bastante claro que estava na altura de voltar às agressividades. Assim que Sérgio (vocalista) entra em palco de corpo ensanguentado e erguendo um machado, inicia-se uma sinfonia de morte e destruição. Uma onda estonteante de death metal e grindcore emanou daquele palco pela mão dos Bleeding Display. Uma prestação admirável e bastante abrasiva. O vocalista cativou bem o público, vertia energia por todos os seus poros e no geral foi um concerto bastante agradável de se ver. Este concerto teve também a participação especial de Inês Freitas (Burn Damage) numa das músicas.

Bleeding Display (Foto: Joana Marçal Carriço)

Por fim chegou a altura de Gwydion, o momento mais esperado da noite – o regresso dos titãs do folk metal português e a apresentação do seu mais recente disco. Apesar de alguns problemas técnicos no início do concerto, o resto da estadia de Gwydion correu às mil maravilhas. A banda, sempre adornada de vestimentas Viking, conseguiu sempre cativar o seu público, que em troca respondeu lindamente aos seus novos e velhos temas – pareciam tão contentes por tocar aquele material como os fãs estavam em ouvi-lo. No meio de toda esta maluqueira viking ainda houve espaço para algumas surpresas na forma de convidados especiais, como Muffy (Karbonsoul) ou mais notavelmente o antigo vocalista de Gwydion que dirigiu o barco durante velha favorita “Mead of Poetry”. O novo material apresentado reflecte uns Gwydion mais sábios na sua arte e com um melhor controlo daquilo que funciona no seu estilo – um grande domínio na criação de hinos larger-than-life que, como um chifre cheio de cerveja, embriagam o ouvinte na sua melodia. O final do concerto foi marcado por um momento bastante espetacular em que a banda ensinou o refrão do seu mais recente single (“Thirteen Days”) ao público e depois encheu o palco com os seus convidados e membros de outras bandas para que todos juntos cantássemos esta canção. Uma verdadeira festa.

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Texto: Diogo Lourenço
Fotografia: Joana Marçal Carriço

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