Hammer King: todos saúdam o “Rei” (entrevista c/ Titan Fox) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Hammer King: todos saúdam o “Rei” (entrevista c/ Titan Fox)

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Com um surpreendente segundo álbum, os germânicos Hammer King afirmam-se como uma das grandes propostas de heavy metal da actualidade. Como conhecer apenas este grande álbum não era suficiente, fomos ao encontro de Titan Fox, vocalista do grupo, para falarmos sobre o álbum e o passado, presente e futuro da banda.

«As reacções [ao álbum] têm sidos fantásticas, excluindo os haters, é claro.»

Antes de avançarmos para o vosso novo trabalho, podes darnos uma breve retrospectiva sobre a origem dos Hammer King?
Diz a lenda que a banda foi criada em 1978 pela sua majestade o “Rei Martelo” [Hammer King]. Logo de seguida, a banda foi posta em suspenso até à nossa reunião em 2014, da qual saiu o nosso primeiro álbum “Kingdom Og The Hammer King”, em 2015. Todos os elementos da banda estiveram activamente envolvidos com outras bandas durante esse intervalo de tempo. O nosso baterista, Dolph A. Macallan, tocou com a banda de rock medieval, Saltatio Mortis, com bons resultados em termos de tabelas de vendas, e eu fiz dois álbuns com Ross The Boss, apenas como exemplo.

Agora que o vosso segundo álbum, “King Is Rising”, já saiu, como estão a ser as reacções ao mesmo? Como esperadas?
Como esperadas, não… como desejadas! As reacções têm sidos fantásticas, excluindo os haters, é claro. Há pessoas que realmente nos odeiam, mas eu digo sempre que isso é algo positivo. Nada é pior que uma banda “ok” ou um álbum “ok”. Sejamos extremos, estamos a falar de heavy metal! Fomos incluídos na Rock Hard alemã e recebemos uma cotação de 8 em 10 na crítica ao álbum. O “Rei Martelo” tem dado nas vistas e tem sido compreendido, logo o “Rei” está contente, e se o “Rei” está contente, eu estou contente!

O vosso primeiro trabalho, “Kingdom Of The Hammer King” é muito bom, mas esmorece quando comparado com este “King Is Rising”, e isto em apenas um ano! Em retrospectiva, como vês a evolução da vossa música e da banda?
Devo confessar que leio e ouço isso com frequência actualmente. A reacção geral é de que “King Is Rising” é melhor que “Kingdom Of The Hammer King”. Pessoalmente, considero o “Kingdom…” fabuloso, por isso é estranho para mim considerar o “…Rising” melhor. Quero dizer, é o novo álbum, é excitante, por isso ainda não consigo fazer um juízo pessoal sobre o mesmo. Para mim os álbuns são como irmãos, combinam muito bem um com o outro. No entanto, o novo álbum parece ter um lado mais emocional. O importante é que conseguimos cumprir com o esperado. “Kingdom Of The Hammer King” foi uma experiência mais espontânea. As músicas simplesmente encaixavam por si só. Tocámos os temas no Castle Rockfort, o nosso espaço de ensaios, gravámos as nossas demos e depois fomos para o Studio Greywolf. O Charles Greywolf [produtor], de Powerwolf, era-nos desconhecido, mas simpatizámos uns com os outros imediatamente. Com o “King Is Rising” já trabalhámos nas demos durante mais tempo, preocupámo-nos com todos os detalhes e não tivemos contemplações em dizer uns aos outros o que devíamos fazer e o que não devíamos. Estávamos bem preparados e a nossa relação com o Charles [Greywolf] cresceu imenso a todos os níveis. Conseguimos mesmo crescer musicalmente durante o tempo que estivemos em estúdio. O meu primeiro dia a gravar a voz foi ok, o segundo também, no terceiro foi muito difícil, dia quatro foi excelente e o quinto ainda melhor. No sexto e último dia, foi o melhor de todos. Eu estava completamente concentrado, como nunca estivera antes. Em conclusão, é tudo uma combinação de trabalho e experiência, e ter a clara visão do que é para fazer e do que é para esquecer. A minha música preferida do álbum até ficou de fora, não era suficientemente boa!

Falando agora das vossas letras, qual é o conceito por detrás do Hammer King?
Muitos dos temas são sobre o “Rei Martelo” [Hammer King], é claro. É uma das grandes lendas perdidas e chegou a altura de a contar. No primeiro álbum apresentámos o “Rei Martelo” numa trilogia chamada “The King With The Sword And The King”, e agora, no “King Is Rising”, contamos as histórias de guerra do “Rei”. O que me fascina mais é que as antigas histórias de guerra do “Rei” se assemelham muito à agitação política actual. Mas nós temos outras histórias para contar: “Kingbrother” é sobre um complexo de edifícios construído no Reino sem autorização de construção, e “Battle Gorse”, que já se mostra como um favorito do público, é uma história, que esperamos ser sempre puramente ficcional, sobre esporos vindos do espaço.

«Hammer King não usa triggered drums e não há uma única nota de teclados em nenhum dos álbuns… E nunca haverá!»

Sou um amante de metal há mais de 30 anos e confesso que o vosso som traz-me memórias do passado, mas, no entanto, não consigo deixar de o considerar completamente actual. Como descreves o vosso estilo, que tenho visto definido como sendo power metal, embora eu não concorde.
Agrada-me ouvir-te dizer que não consideras os King como power metal. Eu estou ligado ao metal há 25 anos e, como tu, cresci com o heavy metal, antes de alguém chamar ao que quer que fosse power metal. Hammer King é heavy metal, ponto final. Normalmente no power metal há triggered drums e teclados. Hammer King não usa triggered drums e não há uma única nota de teclados em nenhum dos álbuns… E nunca haverá! Sempre que precisamos de encher mais o som de uma determinada parte de uma música incluímos um coro. Podemos cantar estes coros ao vivo também. Tudo o resto é lixo!

A diversidade musical do álbum é excelente. Há uma sequência natural na ordem dos temas e nunca se tornam repetitivos. Quem é responsável por compor os temas e de que forma é que encaram o processo de gravação?
Preocupo-me muito, mas muito com por os temas na ordem correcta, tanto ao vivo como nos álbuns. A sequência dos temas pode fazer toda a diferença. O grande exemplo é o álbum “Age Of Consent”, dos Virgin Steele. A edição original recebeu críticas medíocres, a reedição tinha um diferente alinhamento dos temas, com “Burning Of Rome” como abertura, e a opinião de que estava muito melhor foi unânime. Conta a lenda que a música e as letras são escritas por sua majestade o “Rei Martelo” [Hammer King], mas o “Rei” é misericordioso com todos e dá a sua contribuição às nossas vidas de forma anónima, o que nos leva a dar o nosso melhor contributo.

A utilização de instrumentos acústicos em intros, como a flauta em “Eternal Tower Of Woe”, é algo a que já estou habituado, mas as castanholas em “Viva ‘La King”, e nem sequer é num intro, surpreenderam-me imenso. Gosto imenso desse tema. De quem foi a ideia de usar as castanholas?
“Eternal Tower Of Woe” é um tema épico, muito old-school, com um riff ao estilo dos primórdios dos Demon. A música precisava desta intro para ter mais crescendo. Como referiste, é um tipo tradicional de instrumentação. “Viva ‘La King” tem este espirito espanhol/sul-americano, por isso dedicámo-lo às boas memórias que temos dos nossos concertos e digressões na América do Sul, e a um grande amigo do Peru. Como a sonoridade flamenca tem sido muito usada, a inserção de castanholas na música tornou-se natural. Não me lembro exactamente como aconteceu, mas acho que foi ideia do Dolph [Macallan, baterista]. Estamos muito satisfeitos com o resultado já que ficou excelente e bastante irónico. Felizmente, não ficou cómico nem ridículo!

No que toca a actuações ao vivo, recentemente apresentaram o novo álbum em Roma. Qual foi a resposta do público?
Roma foi uma experiência espectacular para nós! Tivemos o prazer de tocar com Sacred Steel e com duas bandas italianas muito respeitadas, Battleram e Rosae Crucis. Ambas incluem amigos nossos e ambas são fantásticas. Foi uma honra finalmente conhecer pessoalmente o patrão da nossa editora, Enrico Lecese. Ele é a mesma pessoa simpática, profissional, confiável e amigável que deu a entender na nossa troca de e-mails. Foi bom poder criar uma ligação pessoal e falar da direcção a seguir pela banda. Não preciso de te dizer quão fantástica é a cidade de Roma, certo? Passámos dois dias a passear pela cidade como se fossemos peregrinos, indo de um lado para o outro. Podemos dizer, orgulhosamente, que, devido a uma inesperada chamada telefónica, Hammer King terá sido, provavelmente, a primeira banda de heavy metal a ser ouvida na catedral de S. Pedro… “I Am The King” no telemóvel do Gino Wilde [guitarra]! Passámos uns dias fantásticos em Roma, com velhos amigos e fazendo novos, comemos bastante da excelente comida italiana e, no final, o mais importante, o concerto foi brutal! O público aderiu à música dos King de imediato e ouvimos gritos de “Hammer King, Hammer King!” entre os temas. Estes dois dias foram curtos, mas bastante intensos. Hammer King irá regressar!

«Um concerto dos Hammer King é um puro espectáculo de metal.»

Tens novos planos para concertos? Portugal está ou estará nos vossos planos futuros para digressões? O que se pode esperar de um concerto dos Hammer King?
Queremos dar o máximo de concertos possível e queremos ir ao maior número de países também. Assinámos recentemente com uma agência, por isso vamos ter mais concertos no futuro. A quem nos fornecer o contacto de organizadores de concertos em Portugal, o “Rei” será muito generoso. Um concerto dos Hammer King é um puro espectáculo de metal, é claro. Usamos os mesmos uniformes dos soldados da capa do CD, temos pedestais e o Martelo. Temos os clássicos movimentos de palco… E continuamos a evoluir.

Já que referes o Martelo, é o que podemos ver no videoclip do tema “Kingdom Of The Hammer King”, certo? Podes falar um pouco sobre ele e o que significa?
“The King is the Hammer, the Hammer is the King”! O “Rei” mandou fazer o Martelo para o videoclip e, a partir daí, temo-lo usado em todos os concertos, excepto o de Roma… Não o conseguimos meter no avião, infelizmente. Eu até usei o Martelo no estúdio durante as gravações do “King Is Rising”. Tinha um pé em cima dele enquanto cantava e usei-o para o erguer e baixar quando cantava partes vocais mais exigentes e, acredites ou não, ajudou-me imenso a relaxar para cantar! O Martelo é a mascote dos King, tem que estar sempre presente, por isso levamo-lo sempre connosco.

Muito obrigado por responderes às nossas perguntas e deixo-te um convite. Vem ao Porto na noite da véspera de S. João, a noite em que o martelo é rei.
Muito obrigado pela entrevista. Aceito o teu convite, nunca se sabe. Porto na noite de S. João deve ser fantástico. O “Rei” agradece o vosso apoio. Viva Portugal! Deus abençoe o “Rei” e que o “Rei” vos abençoe!

A review ao disco pode ser acedida AQUI.

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