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Reviews avulso: Hisko Detria | Goath | Harvest Gulgaltha

Diogo Ferreira

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SVART056_Hisko_DetriaHisko Detria “Mal Du Siècle” [Nota: 5/10]
Editora: Svart Records
Data de lançamento: 24 Março 2017
Género: rock experimental

Com lentos resultados devido ao trabalho instável que o grupo elabora para Hisko Detria, estes finlandeses começaram com uma abordagem krautrock até que encontraram a sua singularidade através de um rock experimental que prima pela repetição muitas vezes hipnótica, outras vezes enfadonha. Meio psicadélico e meio sensual, “Mal Du Siècle” pode agarrar aqueles que mandaram um qualquer ácido como também pode chatear os que estão à espera que algo de novo surja após longos minutos de acordes repetidos. Há algumas secções mais experimentais com efeitos pouco arrojados e jogos de vozes, mas de resto deparamo-nos com os tais riffs repetitivos que não serão aprazíveis para qualquer dia ou estado de espírito.

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GOATH-Luciferian__Goath_RitualGoath “Luciferian Goath Ritual” [Nota: 5.5/10]
Editora: Ván Records
Data de lançamento: 17 Março 2017
Género: death/black metal

Gravado em modo live num período de 30 horas, os Goath apresentam o seu death/black metal sem olhar a tendências. Se por um lado isso é bom, por outro pode também ter o seu ‘quê’ de negativo: o disco até tem patada e é tecnicamente bem executado, mas faixa após faixa podemos dar por nós a questionar ‘outra vez?’. Pois é, por mais cáustico e electrizante que isto até possa ser, não vamos franzir as sobrancelhas de espanto. Admite-se que há um ou outro riff que sobressai, uma bateria certinha e uma voz gutural bastante possante, mas falta o resto… Falta o poder de surpresa e risco.

 

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harvest_gulgaltha_-_altars_cover (1)Harvest Gulgaltha “Altars Of Devotion” [Nota: 4.5/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 15 Março 2017
Género: death/black metal

Com adjectivos como claustrofóbico, incisivo e pestilento, o primeiro álbum dos Harvest Gulgaltha podia ser um marco do death/black metal ritualista neste ano de 2017, mas depois das duas ou três primeiras faixas o trio teima em repetir-se em tudo. O tremolo picking não passa daquilo que é e cedo se gera pouca variedade, a bateria marca o tempo (seja ele rápido ou médio) e a voz está ali a regurgitar umas quantas palavras guturais. É pena, porque isto podia ser mesmo uma coisa fixe, mas ao chegar a meio (são oito faixas) parece que ainda estamos a ouvir a primeira. Não são 38 minutos de se deitar completamente ao lixo (ou são?), mas é certo que, enquanto público, podemos gastar o nosso tempo com outras bandas.

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Manes “Slow Motion Death Sequence”

Diogo Ferreira

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Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: avant-garde / rock / electro

Com 25 anos de carreira, os noruegueses Manes têm a cartada ideal para comemorar este aniversário – é um álbum e chama-se “Slow Motion Death Sequence”.

Com 25 anos de carreira – e este início de frase repetido é propositado –, os Manes não só não têm nada a provar como ainda se mostram artisticamente maturados e humildes ao ponto de apontarem influências contemporâneas, como In The Woods…, Solefald e Ulver.

Assim, e com muito avant-garde, à medida que o álbum cresce em nós, é imensamente evidente que a inclinação à pop faz parte dos nórdicos. Mas num muito bom sentido! Isto é, a bateria aliada aos loops electrónicos funcionam como uma dança síncrona entre dois pares muitíssimo bem treinados que sabem que o resultado final tem de ser emotivo e negro. Por outro lado, o grupo adiciona rock e algum metal com malhas de guitarra bem eléctricas e presentes em momentos críticos que desse instrumento necessitam.

Se a inaugural “Endetidstegn” pode ser indicada para fãs do som actual e mais amigável de uns Leprous, a seguinte “Scion” é como ouvir Karin Dreijer (The Knife, Fever Ray) em masculino, sendo que até o fundo sonoro cheio de loops repetitivos e melodias melancólicas se encaixam na personalidade vocal de Karin Dreijer, mas não esqueçamos que falamos de Manes.

Com base musical idêntica à dos mais recentes Árstíðir, mas ao contrário do que esses islandeses andam a fazer com composições quentes e aconchegantes, os veteranos Manes atiram-se para territórios mais inóspitos que carecem de calor amoroso e alimentam-se do queixume doente originado de algo que muitas vezes não nos quer deixar viver em paz – como por exemplo ataques de ansiedade e experiências de quase-morte. “Last Resort” é, assim, um tema indicado para quem já conhece Árstíðir, mas “Poison Enough For Everyone” já tem muito mais a ver com uns Manes inquietados e obscurecidos, enquanto “Building The Ship Of Theseus” nos entristece com um sentido de partida. Entretanto, a penúltima “Night Vision” é um casamento ménage à trois em que vão para a cama a dissonância, a veia experimental que percorre todo o disco e um jogo de vozes.

Com uma boa dose de música própria a destoar do mainstream, “Slow Motion Death Sequence” é um alinhamento ecléctico por vezes epiléptico, por outras eléctrico, mas sempre contagiante, mesmo na loucura da combinação de sons que se constrói ao longo de nove faixas. Os Manes estão garantidos para noites tardias em que seis horas sem dormir fazem crescer em nós o receio de andarmos zombies em mais um dia que se aproxima.

Nota Final

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Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

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Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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