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Heavy Metal Portugal: Fez-se História!

Joel Costa

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(O realizador João Mendes. Fotografia de Teresa Ribeiro.)

No passado dia 6 de Outubro fez-se história. A cidade de Santo Tirso foi palco da ante-estreia de “Heavy Metal Portugal – O Documentário”, que recebeu uma enchente de fãs e curiosos para testemunhar o primeiro documentário realizado no nosso país sobre este estilo musical. Para contar a história, o realizador João Mendes teve à sua disposição 135 convidados, que entre músicos, locutores de rádio, promotores, editores discográficos e jornalistas, mantiveram o público de olhos fixos no ecrã durante os 100 minutos de duração do documentário.

Foi Phil Mendrix – nome artístico de Filipe Mendes – quem tomou primeiramente a palavra. O guitarrista, que faleceu em Agosto deste ano, fundou os Chinchilas, uma banda de rock psicadélico que esteve activa durante a segunda metade da década de 1960 e que viria o seu fim em 1971. Depois de ter feito parte do alinhamento de nomes como Grupo 5 ou Heavy Band, este herói da guitarra integraria os Roxygénio na década de 1980, com as gerações mais novas a conhecer o trabalho que desempenhou ao lado de Manuel João Vieira, nos Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum. A sua participação no documentário foi vista como algo de muito especial por ter sido uma das últimas entrevistas dadas pelo músico, e que ficará agora imortalizada pelo trabalho de João Mendes, que antes de ter iniciado a apresentação do documentário dedicou-o a Phil Mendrix e a outras figuras da cena musical portuguesa já falecidas. A narrativa que se seguiu foi dividida por épocas, com nomes como Paulo Barros (Tarântula), Sérgio Castro (Arte & Ofício, Trabalhadores do Comércio), Dico (escritor/jornalista), Filipe Marta (S.O.S. Heavy Metal Radio Show), Zica (NZZN), João Francês e Rui “Destruction” (Black Cross), Fernando Ribeiro (Moonspell), José Costa (Sacred Sin) e Rui Duarte (Ramp) a assumir um papel maior, sem esquecer de igual forma a participação de outras figuras emblemáticas e de vozes com menos expressão, que como o realizador explicaria no final, foi sua intenção destacar aqueles que nunca tiveram oportunidade de falar.

Entre os episódios relatados, destaca-se a ausência de organização no que aos eventos de música pesada dizia respeito, com alguns dos músicos que estavam no activo na década de 80 a mencionarem duas ocasiões distintas em que fogos deflagraram nos palcos devido ao uso de pirotecnia sem qualquer tipo de supervisão. Entre as curiosidades abordadas, destaque também para os Vasco da Gama, a primeira banda heavy metal a lançar um LP, e para a gravação de um álbum duplo ao vivo no Rock Rendez-Vous (Lisboa), algo inédito até então, que nunca chegou a ser editado e desconhece-se o paradeiro das gravações.

No final da exibição, e após uma ovação do público, o realizador respondeu às questões dos presentes e chamou ainda ao palco Sérgio Castro (Arte & Ofício, Trabalhadores do Comércio), Miguel Inglês (Equaleft), Sandra Oliveira (Blame Zeus), Victor Matos (W.E.B.), que individualmente teceram considerações finais. A festa era concluída umas horas depois no Kraken Rock Pirate Club com as actuações dos Equaleft e Blame Zeus.

Para saber mais, é só adquirir o DVD através do e-mail heavymetalportugalodoc@gmail.com (€15,00 com acréscimo dos portes de envio) e embarcar nesta viagem histórica e mágica!

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (12.12.2018, Lisboa)

Diogo Ferreira

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Alestorm (Foto: João “Speedy” Santos)

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Alestorm + Skálmöld
12.12.2018 – Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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A atracar pela segunda vez na costa portuguesa, os islandeses Skálmöld fizeram bom uso de todo o traquejo que as constantes digressões lhes deram e souberam tornear com mestria os problemas sonoros que marcaram o início da actuação. Ainda assim, o som meio embrulhado não os impediu de montarem uma festa viking ao som do folk metal escandinavo que praticam, com boa aderência do público e um espectáculo mexido – para os parâmetros islandeses, note-se. Montados em “Sorgir”, o mais recente dos seus cinco trabalhos de originais, desfilaram um conjunto de temas interessantes, que fazem deles um dos mais sérios casos do viking metal actual.

Os Alestorm são um fenómeno de popularidade entre os frequentadores de salas de espectáculos e festivais e, se fosse necessária algum tipo de confirmação disto, os escoceses encarregaram-se de fazer uma demonstração cabal na noite lisboeta da digressão. Com um pato de borracha gigante em palco e o vocalista a usar o habitual outfit de kilt e keytar, a festa ficou montada a partir do momento em que os piratas pisaram o palco e foi sempre a enrijecer até à interpretação de “Fucked With An Anchor”, sensivelmente uma hora e meia depois. O pirate metal dos Alestorm é uma mistura perfeita de refrãos cantáveis, “Eis” e “Oh-oh-ohs” estrategicamente colocados e melodias orelhudas, com ocasionais espaços para bons solos de guitarra. Temas simples e milhões de visualizações no YouTube é uma combinação que não falha, e canções como “Mexico”, “The Sunk’n Norwegian”, “Hangover” (versão de um tema de Taio Cruz), “Shipwrecked” e “Drink” contam-se entre as favoritas do público português que cantou, bebeu cerveja, abriu um moshpit considerável e até brindou a banda com uma wall of death. Em palco, os Alestorm nunca falharam na arte de interpretar os seus temas da forma mais entusiasta possível, puxar pelo público e mantê-lo efectivamente entretido, seja com um solo de keytar de Bowes enquanto bebia uma Super Bock de penalti ou a usar o típico humor britânico quando apresentava as músicas. Lisboa não resistiu ao ataque pirata do quinteto escocês e capitulou, numa noite chuvosa em que a fila se mudou para a casa de banho dos homens e em que andar à chapada no meio do mosh com um fato de elefante era uma coisa perfeitamente normal.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João “Speedy” Santos
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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Coisas estúpidas que a Ultraje vai tentar difundir em 2019

Diogo Ferreira

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[Reportagem] Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence (09.12.2018 – Lisboa)

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Brujeria (Foto: Solange Bonifácio)

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Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence
09.12.2018 – RCA Club, Lisboa

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A noite começou em literal “anarquia violência” musical – nome que se associa por diversas razões aos Systemik Viølence que nos fizeram viajar até ao underground d-beat japonês, onde manifestaram a sua prática musical e atitude punk de desobediência, agressividade e sujidade, onde o frontman Iggy Musashi conseguiu cativar o público de formas variadas. E como já é costume, misturou-se dentro da multidão, com uma performance absolutamente incansável, cativante e esmagadora.

De seguida, os Simbiose – com toda a eficiência a que já nos habituaram também – descarrilaram a sua energia característica. Com o vocalista Jonhie comunicativo e a cumprimentar o público como usual, ecoaram desdém e repulsão de manifesto com o seu punk / crust / grindcore, reforçando mais uma vez que são a grande instituição musical dentro do género a nível nacional.

Não é usual ter a oportunidade de ver ao vivo superbandas e, ainda para mais, uma tão peculiar como Brujeria o é. Poder assistir, no mesmo palco, a artistas gigantes e de culto, como Shane Embury dos Napalm Death ou o Nicholas Barker – um dos bateristas mais rápidos da história do metal, com uma técnica musical absolutamente explosiva – é um grande privilégio, e assim o foi.  Juan Brujo e El Sangron abriram as hostilidades de uma celebração ao death grind em que se revistaram temas clássicos. Os Brujeria são uma força musical absolutamente bruta, divertida, barulhenta e politicamente carregada – elementos que tornaram este concerto memorável. Finalizou-se a noite com parte do público – que foi incansável e envolvente desde o início do concerto – em palco e em ambiente de festa no tema “Marijuana”, que encerrou este grande concerto.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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