Hourswill “Harm Full Embrace” [Nota: 9/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Hourswill “Harm Full Embrace” [Nota: 9/10]

670145Editora: Ethereal Sound Works
Data de lançamento: 11 Setembro 2017
Género: heavy metal / prog

Quase a começar este texto pelo fim devo dizer que uma das grandes surpresas do panorama metálico nacional desta última estirada de 2017, que agora começa, é o segundo trabalho de originais dos lisboetas Hourswill.

Se já “Inevitable”, o álbum de estreia, escorria qualidade por todos os poros, este “Harm Full Embrace” é mais uma fonte que a jorra. Nuno Damião desce da posição de vocalista e cede o trono a Leonel Silva. Esta mudança no leme do microfone traz consigo uma autêntica revolução à música dos Hourswill. Voz limpa de início a fim, um timbre único e uma versatilidade invejável elevam a vocalização ao patamar em que se encontra a parte instrumental e o conjunto sobe a fasquia do todo.

“Children Of The Void”, o tema de abertura, irrompe pelas ondas sonoras de forma esmagadora, sendo, sem sombra de dúvida, a melhor proposta do conjunto. A intensidade da guitarra, os riffs esmagadores, a voz hipnótica, todo o conjunto nos envolve e subjuga. Não se coaduna com este trabalho estar a enumerar influências, mas, curiosamente, o timbre e trabalho vocal trazem à mente uns Morgana Lefay em algumas passagens e a potência da guitarra os Nevermore. Isto não significa que sejam influências que se sintam, apenas marcos de referência sonora.

O álbum, ao longo dos seus 56 minutos, alia a potência do riff com a melodia da guitarra, da voz e a diversidade do progressivo num conjunto que surpreende. Apesar de recorrer ao clássico refrão melódico que serve de âncora aos temas, o mesmo não cai no facilitismo do refrão catchy comercial, mas consegue manter o nível de qualidade do resto e agarrar-se ao ouvido com toda a facilidade e subtileza que a excelência da música lhe dá.

Destaque também para o quase épico “Everyday Sage”, um tema que ultrapassa os nove minutos e nos transporta numa viagem repleta de melancolia onde a guitarra clássica e os riffs se conjugam e complementam.

No final temos um trabalho que bebe das melhores fontes do passado, enriquece de sobremaneira o panorama metálico nacional e oferece uma excelente proposta que merece, e bem, chegar longe.

 

 

9/10
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