Implore: o futuro do death metal (entrevista c/ Gabbo e Petro) | Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

Implore: o futuro do death metal (entrevista c/ Gabbo e Petro)

20953712_1645216578862453_3340521437717704566_n(Foto: Kandziora & Through The Lenses)

«Queremos ser o futuro de nós próprios e definir as bases da banda.»

Os Implore nem eram uma das bandas escaladas para entrevista no Vagos Metal Fest, não porque não merecem a nossa atenção, mas porque o novo álbum “Subjugate” sai a 22 de Setembro pela Century Media Records e um futuro agendamento online ou telefónico seria mais indicado após termos o disco do nosso lado. No entanto, a prestação do quarteto foi tão poderosa que pegámos no telemóvel, ligámos a quem de direito e pedimos uns breves minutos com a banda. Dito e feito, momentos depois estávamos a ser encaminhados para o backstage, onde encontrámos a banda a refastelar-se ao Sol após tão energético concerto. Gabriel “Gabbo” Dubko (voz, baixo) e Petro (guitarra) foram os que prontamente se levantaram dos pufes para responder às perguntas da Ultraje, ainda que rodeados pelos restantes colegas.

É duro ver tão boa banda a abrir um festival, mas temos de ter sempre uma para o fazer, por isso, e tendo em conta tão boa performance, quisemos saber como se sentiram a tocar para algumas centenas em vez dos milhares (15.000 pessoas nos três dias) que preencheriam o recinto mais tarde. «Estamos sempre gratos por termos a hipótese de tocar num festival, seja em pequenos ou grandes», começa Gabbo. «Estamos sempre gratos por tocar ao vivo e foi bom – por acaso tocámos para mais gente do que estávamos à espera, [mas] as pessoas reagiram, fizeram mosh e circle pits, divertiram-se. Apesar de tudo ficámos surpreendidos com a resposta do público e tivemos um bom bocado em palco, é tudo o que importa.»

Sobre o VMF: «As pessoas reagiram, fizeram mosh e circle pits, divertiram-se.»

Sem tempo a perder – até porque era um entrevista in extremis –, referiu-se a existência do primeiro álbum, “Depopulation” (2015), para se fazer a devida ponte até “Subjugate”. Já com dois singles cá fora – “Loathe” e “Untouchable Pyramid” –, precisamos de saber, por palavras, aquilo que podemos contar com o segundo disco, mas sempre com a faixa “Loathe” como ponto de referência. Petro é quem toma a iniciativa: «Não diria que “Loathe” é a canção que melhor representa o álbum, mas quisemos que fosse a primeira a ser ouvida pelas pessoas. Foi um tema que gostámos muito de gravar e quando o ouvimos, [ainda] no estúdio, achámos que era muito porreiro e que seria bom para apresentar ao público. O álbum é mais aberto. Foi tudo diferente; o processo de composição foi diferente e houve outras pessoas envolvidas. Portanto, sim, o produto final é um bocado diferente, mas continua violento e furioso.» Por sua vez, Gabbo completa dizendo que escolheram esse tema, porque «mantém a atenção dos seguidores acérrimos, os fãs mais antigos, e mantemo-los agradados, mas são apenas 50 segundos em 34 minutos. Os restantes 33 minutos têm uma paisagem completamente diferente com diversas influências».

 

Estavam a querer dizer que “Subjugate” terá mais elementos exteriores – achámos nós. «Por acaso vai ser menos death metal do que “Depopulation”. Vai ter mais hardcore e crust…», responde o vocalista e baixista para o seu colega guitarrista concluir que se «vão encontrar muitos estilos diferentes» nesse disco vindouro, até porque, segundo o próprio: «Gostamos de todos os tipos de música. Principalmente tem de ser barulhento e agressivo.» Gabbo encerra o tópico: «Mantemos o cerne do som para que quem ouvir saiba que continua a ser Implore, mas penso que será um novo nível.»

Ouvir uma banda através dum CD ou dum vinil é sempre diferente do que a ouvir num concerto. Enquanto assistíamos ao espectáculo dos Implore notámos que a sonoridade é muito old-school com trejeitos de Entombed, tentando ao mesmo tempo implementar coisas novas. Há muito sludge quando estão a actuar… Petro interrompe o nosso raciocínio: «É verdade que o nosso som é muito old-school, mas quando compomos as canções ou quando pensamos nos detalhes não pensamos em ser old-school ou new-school, sai como sai. Não temos qualquer preconceito com as cenas novas – gostamos de bandas novas e gostamos de descobrir material novo, então porque não obter influências de malta nova? Não tens de obter inspiração só de Obituary, mas também de bandas mais jovens do que nós.»

«Temos de estar sempre na estrada e fazer um puzzle com o pouco dinheiro que ganhamos para continuar…»

Essa sensatez e humildade fez-nos confidenciar que, em conversa com alguns festivaleiros e colegas de imprensa, achamos que os Implore são uma promessa e o futuro do death metal. Algo embasbacados de espanto, todos agradecem e Gabbo começa lentamente a formular palavras: «É uma questão muito complexa. [risos] Não sei se somos o futuro do death metal ou o futuro de qualquer género. Queremos ser o futuro de nós próprios e definir as bases da banda. Talvez sejam palavras grandes se nos compararmos a Gojira, mas quando os ouves sabes que é Gojira. Evoluíram ao longo dos anos, as canções são diferentes – talvez mais ou menos complexos, mas soam sempre a eles mesmos. O objectivo é manter a identidade e sobreviver às modas.» Serem verdadeiros, atiramos. «A moda é mantermo-nos verdadeiros e desfrutar da música que fazemos. Queremos mais digressões, sermos mais bem pagos…», diz o frontman, com gargalhadas pelo meio, para o companheiro guitarrista continuar a deixa com mais ponderação: «Todos pomos as nossas vidas na banda. Estamos a trabalhar para algo que não esperamos que seja garantido, mas trabalhamos arduamente para isso. Deixámos muitas coisas para trás e só queremos fazer isto. Quando se trabalha muito numa coisa quer-se que tudo aconteça, senão, pessoalmente, estou lixado, não tenho mais nada a não ser a banda. Portanto temos mesmo que fazer com que aconteça.» «Se não nos pagam não podemos consertar a carrinha e não podemos encomendar novo merch», prossegue Gabbo, «é como um ciclo vicioso, temos de estar sempre na estrada e fazer um puzzle com o pouco dinheiro que ganhamos para continuar…» Por seu turno, Petro garante que todo esse esforço extra é para se poder ter «uma vida decente; nada de sonhos chiques, apenas uma vida decente», fazendo, por fim, com que a Gabbo puxasse da punchline humorística: «Temos este hábito chamado comer, que precisamos todos os dias. [risos] É pouco saudável, mas temos de comer.»

“Subjugate” é o título do segundo álbum dos Implore e começará a ser distribuído a partir do dia 22 de Setembro pela Century Media Records.

Topo