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Infestus “Thrypsis”

Diogo Ferreira

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Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 05 Outubro 2018
Género: black metal

Se todo o processo de criação de “Thrypsis” foi tão doloroso e emocional como é ouvi-lo, não sabemos; o que sabemos é que começou a ser composto em 2014 e tudo foi terminado apenas em Maio de 2018 quando as vozes e o baixo foram finalmente captados. O que também sabemos, ao ouvir “Thrypsis”, é que Andras tem aqui um álbum de black metal que vai para além dessa classificação. O black metal deste disco é contemporâneo e explorador, e cedo se começa a perceber que o termo post já não dá para tudo e mais alguma coisa – se começássemos a usar a expressão neo black metal não seria descabido de todo.

O que se passa em “Thrypsis” é muito fácil de explicar, até porque é bom. Claramente baseado em black metal, o multi-instrumentista alemão torna-se uma porta giratória que nos leva a compartimentos tão distintos como o thrash e death metal através de malhas de guitarra relacionadas a esses dois subgéneros, golpeando cada vez mais as regras antigas com a inclusão de leads cintilantes, de guitarra limpa e de segmentos ao piano, tudo envolvido por uma produção cristalina que tão bem deixa passar a emotividade de um álbum que vai do vazio mental e sentimental aos escaparates mais nefastos da dor, seja ela qual for. Assim, e à sua maneira, Andras propôs-se a expor a medonha clareza daquele que sofre através de uma mescla sonora que simboliza parte do black metal de hoje mas também, e muito, o de amanhã.

Nota Final

 

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Dream Theater “Distance over Time”

João Correia

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Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Editora: InsideOut Music
Género: metal progressivo

Após um menos bem conseguido “The Astonishing”, os nova-iorquinos Dream Theater tentam regressar a tempos de maior inspiração com “Distance over Time”. Fruto de um isolamento autoimposto pelos elementos da banda, “Distance over Time” está muito afastado do último trabalho exactamente por se tratar de um disco muito orgânico, mesmo que cuidadosamente calculado. “Untethered Angel” abre de forma bastante positiva um disco que não poderia soar a outra coisa que não Dream Theater: pleno de passagens técnicas, ainda que com um refrão tipicamente power metal, são as batalhas de solos entre teclado e guitarra que pasmam e nos obrigam a fazer rewind, sentindo-se a necessidade de ouvir uma e outra vez o trabalho investido nos solos. Segue-se-lhe “Paralyzed”, um tema mais lento e robusto que nos faz recordar algum do melhor rock alternativo/grunge dos anos 90 sem pestanejar. “Fall Into The Light” vem a seguir e, aqui, são retomadas as batalhas de solos entre o Hammond X5 e a guitarra, bem como uma toada mais pesada e actual – o tipo de tema que nos permite identificar a banda de imediato. Até à faixa final “Viper King”, com a qual a banda se distancia mais do metal e adentra por um bourbon rock tipicamente norte-americano, mas ainda assim repleto de solos de guitarra e teclados, “Distance Over Time” assemelha-se a um trabalho de elite que só os Dream Theater conseguem fazer, algo que se tornou numa assinatura muito própria; logo, inimitável.

O disco foi gravado numa propriedade particular transformada em estúdio de alta gama em Nova Iorque, o que permitiu aos músicos uma concentração e convivência exemplares para poderem regressar à fórmula de outros tempos, tempos em que as notícias de um novo disco de Dream Theater criava grandes expectativas e, chegado esse, não só não as confirmava, como ainda as excedia. À primeira audição, é essa a ideia que “Distance over Time” oferece – algo de majestoso, de regresso a discos como “Images and Words”, mas duas ou três audições depois e o entusiasmo inicial desvanece e começamos a notar um padrão infeliz de previsibilidade, algo que não é suposto vindo de quem vem. Não há dúvida de que os grandes trunfos do disco assentam na utilização inteligente dos teclados e das guitarras, que nos recordam dos tempos épicos do rock progressivo dos anos 70, com toda aquela pompa, circunstância e excesso, com toda aquela excentricidade dos Yes ou dos Genesis. Mas não chega. Não quando estamos a falar da banda que ofereceu ao metal e ao mundo uma visão mais polida e erudita na forma de “When Dream And Day Unite”, “Images and Words”, “Awake” ou “Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory”.

“Distance over Time” cumpre indubitavelmente com o objectivo de nos fazer esquecer “The  Astonishing”, mas é um disco menor quando se trata da banda em causa. Não sendo um disco de calendário, também não se trata de uma epifania musical, de todo – é metal progressivo de qualidade, com uns poucos piscares de olhos ao rock de diversas décadas. O que, para os Dream Theater, é um tudo-nada abaixo da média. É ágil o suficiente para cativar novos fãs, da mesma forma que convencerá os mais acérrimos, saldando-se num álbum que se ouve bem duas vezes e que depressa nos faz regressar aos verdadeiros clássicos da banda.

Nota Final

 

 

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Dead Witches “The Final Exorcism”

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Editora: Heavy Psych Sounds
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Género: doom metal

O novo lançamento destes italo-britânicos vem cheio de expectativa após o sucesso do seu álbum de estreia, “Ouija”, lançado em 2017. Um dos traços mais prementes da banda é a pegada musical de Mark Greening, na bateria, que fica cada vez maior de álbum para álbum. O ex-Electric Wizard continua a dar à banda um percurso de doom metal, com uma mistura de rock psicadélico e uma temática de metal quase ‘depressivo e obscuro’ .

Agora, para este “The Final Exorcism”, a banda foi remodelada com a entrada de dois novos membros – Oliver Irongiant e Soozi Chameleone, na guitarra e vocal respectivamente. Enquanto no primeiro álbum a fórmula podia não ser a mais original possível – reproduzindo muito do clássico doom metal depressivo e eléctrico que vem sendo produzido -, em “The Final Exorcism”, o grupo inova um pouco com mais guitarras e uma expressão vocal mais clínica, audível e produzida.

Em termos de produção, este álbum bate o disco de estreia, existindo uma maior preocupação em tornar os instrumentais e a coesão de grupo o mais perceptível possível, o que motiva a mais audições. É um álbum que, rapidamente, capta a atenção do ouvinte com uma intro quase a roçar o sentido de alerta dos ouvintes para os preparar para o que se segue. A faixa homónima traz um pouco da ‘tempestade depressiva e agressiva’ que os Dead Witches nos têm, para já, habituado sem alguma vez comprometerem o caminho iniciado em “Ouija”; a faixa torna-se ainda mais especial devido ao seu último minuto e meio com a inclusão de falas do filme “Exorcista” e uma maior atenção para a guitarra, que se torna bem mais eléctrica. Sendo um disco curto, com apenas 40 minutos de duração, na terceira faixa chegamos rapidamente a meio de “The Final Exorcism”, destacando-se neste tema os trejeitos quase épicos de uma composição puramente eléctrica e com um doom metal mais apurado. A segunda metade do álbum apresenta o melhor da jovem banda – que ainda está meio em work in progress – com três faixas quase épicas, libertando o grupo e o álbum para uma atmosfera mais madura e rica, com letras mais significativas e críticas, com destaque principal para “Fear The Priest”.

Em jeito de conclusão, “The Final Exorcism” é uma evolução face ao álbum de estreia. A banda reformulou a formação e parece que ficou a ganhar com a mudança. O segundo disco é mais maduro, trabalhado e criativo, com a inclusão de um estilo mais eléctrico e com mais foco na guitarra. É um trabalho a ouvir e garantimos que os fãs não vão ficar desapontados.

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Ghost Ship Octavius “Delirium”

Diogo Ferreira

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Editora: Mighty Music
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2019
Género: metal progressivo

Michael H. Andersen, CEO da dinamarquesa Mighty Music, gostou tanto deste álbum dos Ghost Ship Octavius (GSO) que seria impossível deixá-lo viver, e sobreviver, nos ambientes independentes; por isso, e com lançamento original em Setembro de 2018, a editora liderada por Andersen está prestes a redistribuir “Delirium” como ele merece neste mês de Fevereiro.

Fundados em 2012 pelo guitarrista Matthew Wicklund (ex-God Forbid, ex-HIMSA), pelo baterista Van Williams (ex-Nevermore) e pelo vocalista/guitarrista Adōn Fanion, os GSO prometem tornar-se no projecto mais charmoso do prog melódico oriundo dos EUA. Não só melódico, mas também melancólico e emocional – como é exemplo o sofrido refrão de “Chosen” -, este segundo álbum do trio constrói-se através de malhas e ganchos encorpados que, no seu devido tempo e espaço, dão lugar a solos memoráveis e técnicos. Já a bateria é do mais Nevermore imaginável, mas aqui com um toque deveras experimental e explorador, o que se revela no tema-título devido ao método vocal e também pela forma como as guitarras são tocadas. Atmosférico a toda a largura (ouvir a power-ballad “Edge of Time”, em que até é incluído um segmento final semiacústico a fazer lembrar Porcupine Tree), a esperança e uma imagética fantasmagórica andam de mão dada até aos confins de um resultado final que se quer aconchegante mas árctico ao mesmo tempo.

GSO é obviamente indicado para fãs de Nevermore, mas também para uma fase mais recente de Kamelot, sem esquecer influências recebidas de Pain Of Salvation.

Nota Final

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