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Iron Maiden + The Raven Age @ MEO Arena – Lisboa (11.07.2016)

Rui Vieira

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(Vídeo de Filipe Alexandre Rodrigues)

“Iron Maiden será sempre um incrível espectáculo digno de se ver, pelo menos uma vez na vida.”

Em dia de ressaca pela consagração como Campeões da Europa pela Selecção Nacional de Futebol, os Iron Maiden faziam a sua 18.ª visita ao nosso país, trazendo na bagagem o seu mais recente disco, “The Book Of Souls”, editado em 2015. Depois da enchente e êxtase transbordante pelas ruas de Lisboa, em plena comunhão com os campeões portugueses, era altura de novo ritual e casa cheia, desta vez, do outro lado da cidade. A MEO Arena vestiu-se com mais uma lotação esgotada para ver a lenda britânica e respectivos “afilhados”, a banda do filho de Steve Harris, George Harris, os The Raven Age.

Sensivelmente pela hora marcada (19:30), os The Raven Age deram início ao aquecimento para uma noite que teria, de facto, altas temperaturas. O jovem quinteto britânico, a visitar o nosso país pela segunda vez, tocou durante cerca de 40 minutos e, como acontece nestes casos, quer a banda seja boa ou má, parte do público vai imediatamente ao rubro. É a adrenalina do que está para vir, é a festa, neste dia, era Portugal. Sabendo do estado catártico colectivo, o baterista entra e logo desfralda uma bandeira do nosso país, levando o público à loucura, ainda uma nota não tinha sido dada. Complementado com as primeiras palavras do vocalista, dando os parabéns aos portugueses pela conquista do Euro 2016, metade da plateia já estava rendida. Com papas e bolos se enganam os tolos, vamos à música. Os The Raven Age tocam um híbrido de rock musculado com metalcore mas sem gutural. A linha vocal é sempre limpa e melodiosa e esse foi um dos problemas com esta actuação. Instrumentalmente, há alguma diversidade rítmica mas o registo vocal, sempre igual em todos os temas, tornam as músicas monótonas, “monocórdicas”, sem que haja um tema ou refrão que se destaque. Por vezes (ou muitas vezes?), a indústria musical é uma questão de oportunidade e poder e isso vê-se neste caso. Steve Harris coloca a banda do filho a abrir para a maior banda do mundo. Se fosse meu filho, provavelmente, também o faria. Agora, o valor da banda em si pode ser muito discutível, como é o caso. Os The Raven Age não chegam a ser uma má banda mas são muito medianos. Uns More Than A Thousand davam 15-0.

“Os The Raven Age não chegam a ser uma má banda mas são muito medianos. Uns More Than A Thousand davam 15-0.”

(Vídeo de Filipe Alexandre Rodrigues)
 

Hora de actualizar perfis e postar pequenos vídeos sneak peek nos murais enquanto o palco se transforma para receber o tribalista Eddie e todo o cenário da nova tour dos Iron Maiden. Depois de “Doctor, Doctor” dos UFO a dar o mote de abertura em off, o ritual inicia-se – literalmente – com uma animação a passar nas telas que ladeavam o palco e onde podíamos ver o Boeing 747 “Ed Force One” a sair disparado da selva para o mundo. As primeiras palavras de Bruce Dickinson ecoam e logo aparece ao pé de um caldeirão, de onde brotava intenso “fumo” de uma qualquer poção alquimista, e “If Eternity Should Fail” abre mais uma noite que seria de magia, como não podia ser de outra forma. Pegando no motivo futebol, Bruce dá os parabéns a Portugal e sublinha o facto de serem duas noites contínuas de festa: a do Euro e, agora, com Iron Maiden. Sempre bem disposto durante todo o concerto, o rock continuou com “Speed Of Light” e “Children Of The Damned”, esta última do álbum de 1982, “The Number Of The Beast”. “Tears Of A Clown”, dedicada a Robbin Williams e “The Red And The Black”, continuavam o destaque ao último disco. Assim que entra o pano (neste caso, não backdrop mas sidedrop) com o guerreiro Eddie a empunhar a espada e a segurar a semi-desfeita bandeira do Reino Unido, dá-se o primeiro momento de loucura geral. “The Trooper” mexia com – de acordo com Bruce – 18 000 almas. De seguida, mais um clássico de 1984, “Powerslave”. Ao estar a ouvir este tema e a olhar o cenário desta tour, de facto, há muito de “Powerslave” por aqui. As pirâmides, desta vez não egípcias mas maias, a selva e não o deserto, os rituais e toda a simbologia de tribo/antiga civilização, revelam muitas semelhanças entre a mítica “World Slavery Tour” (que passou por cá, a original e a comemorativa) e “The Book Of Souls Word Tour” de 2015/2016. Um caso em que a renovação funciona sem ser uma mera cópia ou remake de tempos gloriosos. “Death Or Glory” e o tema-título do 16.º álbum “The Book Of Souls”, fechavam a montra dos novos temas nesta noite. Como é apanágio dos concertos de Maiden, por altura do tema-título, entra o “boneco” Eddie, para mim o “Madness” durante alguns anos, devido ao single “Can I Play With Madness” e ao então desconhecimento do nome de carismática figura. Com os seus três metros de altura, a criatura mais emblemática do metal percorre o palco, ameaçando tudo e todos de machado em punho mas sendo, como é habitual, alvo de gozo por parte de Janick Gers, que passa por debaixo das suas pernas, salta e tenta bater-lhe, entre outras “maldades” feitas a este inofensivo “monstrinho” que caminha em cima de andas. Gers, um espectáculo dentro do espectáculo. O que dizer deste “maluco”? Ele corre quilómetros, salta que se farta, faz mil e um malabarismos com a guitarra e, no fim, ainda sola que se farta, quase literalmente com uma perna às costas.O prato-choque cadenciado não engana e “Hallowed Be Thy Name” inicia o flashback de clássicos que todos querem ouvir e… participar. O momento alto da noite, como de muitas noites – com certeza – foi “Fear Of The Dark”, com os milhares de presentes a entoarem o coro metálico mais conhecido de rádios comerciais e discotecas rurais, de tal forma que chegou a ser arrepiante. Muitos dos que seguem Iron Maiden desde sempre, devem “odiar” esta música que ficou conhecida, não pela versão original presente no disco de 1992, mas por uma versão live em que o público “cria” um coro de acompanhamento ao acústico, um coro “ódio de estimação” de muitos die hard fans. Mas estamos aqui é para celebrar e “Iron Maiden” “fecha” a noite com uma gigante cabeça de Eddie tribal insuflável a emergir por detrás do kit de Nicko McBrain. Delírio absoluto!

O encore, que nem deveria ser chamado de tal, pois trata-se de uma pequena pausa para retemperar forças, traz a introdução de “The Number Of The Beast”, com um mafarrico de braços cruzados e de fartos chifres insuflável do lado direito do palco. Um adereço imponente, sem dúvida. Já tinha notado ao longo da noite e também em anteriores prestações que a voz de Dickinson é o “equipamento” que se encontra mais “gasto” neste conjunto de “máquinas” que rondará uma média de idades na ordem dos 60 anos. E em “The Number…” é evidente que os anos pesam e o microfone falha. Tempo para o discurso final, o mais emotivo. Bruce fala de como a música nos une a todos, sublinhando o facto de existirem bandeiras de muitos países na MEO Arena. “Não é política, não é religião, não é racismo, nada dessas tretas! Estamos aqui pelo mesmo, pela música. Nós somos… “Blood Brothers!”, retorquiu. Colada, veio logo de seguida, “Wasted Years” do experimental álbum de 1988, “Somewhere In Time”. Estava completa mais uma jornada por terreno luso da icónica banda vinda de terras de Sua Majestade. Com certeza que todos saíram satisfeitos pois Iron Maiden será sempre um incrível espectáculo digno de se ver, pelo menos uma vez na vida.

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (12.12.2018, Lisboa)

Diogo Ferreira

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Alestorm (Foto: João “Speedy” Santos)

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Alestorm + Skálmöld
12.12.2018 – Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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A atracar pela segunda vez na costa portuguesa, os islandeses Skálmöld fizeram bom uso de todo o traquejo que as constantes digressões lhes deram e souberam tornear com mestria os problemas sonoros que marcaram o início da actuação. Ainda assim, o som meio embrulhado não os impediu de montarem uma festa viking ao som do folk metal escandinavo que praticam, com boa aderência do público e um espectáculo mexido – para os parâmetros islandeses, note-se. Montados em “Sorgir”, o mais recente dos seus cinco trabalhos de originais, desfilaram um conjunto de temas interessantes, que fazem deles um dos mais sérios casos do viking metal actual.

Os Alestorm são um fenómeno de popularidade entre os frequentadores de salas de espectáculos e festivais e, se fosse necessária algum tipo de confirmação disto, os escoceses encarregaram-se de fazer uma demonstração cabal na noite lisboeta da digressão. Com um pato de borracha gigante em palco e o vocalista a usar o habitual outfit de kilt e keytar, a festa ficou montada a partir do momento em que os piratas pisaram o palco e foi sempre a enrijecer até à interpretação de “Fucked With An Anchor”, sensivelmente uma hora e meia depois. O pirate metal dos Alestorm é uma mistura perfeita de refrãos cantáveis, “Eis” e “Oh-oh-ohs” estrategicamente colocados e melodias orelhudas, com ocasionais espaços para bons solos de guitarra. Temas simples e milhões de visualizações no YouTube é uma combinação que não falha, e canções como “Mexico”, “The Sunk’n Norwegian”, “Hangover” (versão de um tema de Taio Cruz), “Shipwrecked” e “Drink” contam-se entre as favoritas do público português que cantou, bebeu cerveja, abriu um moshpit considerável e até brindou a banda com uma wall of death. Em palco, os Alestorm nunca falharam na arte de interpretar os seus temas da forma mais entusiasta possível, puxar pelo público e mantê-lo efectivamente entretido, seja com um solo de keytar de Bowes enquanto bebia uma Super Bock de penalti ou a usar o típico humor britânico quando apresentava as músicas. Lisboa não resistiu ao ataque pirata do quinteto escocês e capitulou, numa noite chuvosa em que a fila se mudou para a casa de banho dos homens e em que andar à chapada no meio do mosh com um fato de elefante era uma coisa perfeitamente normal.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João “Speedy” Santos
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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Coisas estúpidas que a Ultraje vai tentar difundir em 2019

Diogo Ferreira

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[Reportagem] Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence (09.12.2018 – Lisboa)

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Brujeria (Foto: Solange Bonifácio)

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Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence
09.12.2018 – RCA Club, Lisboa

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A noite começou em literal “anarquia violência” musical – nome que se associa por diversas razões aos Systemik Viølence que nos fizeram viajar até ao underground d-beat japonês, onde manifestaram a sua prática musical e atitude punk de desobediência, agressividade e sujidade, onde o frontman Iggy Musashi conseguiu cativar o público de formas variadas. E como já é costume, misturou-se dentro da multidão, com uma performance absolutamente incansável, cativante e esmagadora.

De seguida, os Simbiose – com toda a eficiência a que já nos habituaram também – descarrilaram a sua energia característica. Com o vocalista Jonhie comunicativo e a cumprimentar o público como usual, ecoaram desdém e repulsão de manifesto com o seu punk / crust / grindcore, reforçando mais uma vez que são a grande instituição musical dentro do género a nível nacional.

Não é usual ter a oportunidade de ver ao vivo superbandas e, ainda para mais, uma tão peculiar como Brujeria o é. Poder assistir, no mesmo palco, a artistas gigantes e de culto, como Shane Embury dos Napalm Death ou o Nicholas Barker – um dos bateristas mais rápidos da história do metal, com uma técnica musical absolutamente explosiva – é um grande privilégio, e assim o foi.  Juan Brujo e El Sangron abriram as hostilidades de uma celebração ao death grind em que se revistaram temas clássicos. Os Brujeria são uma força musical absolutamente bruta, divertida, barulhenta e politicamente carregada – elementos que tornaram este concerto memorável. Finalizou-se a noite com parte do público – que foi incansável e envolvente desde o início do concerto – em palco e em ambiente de festa no tema “Marijuana”, que encerrou este grande concerto.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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