Permissão Para Rir #2: Jovem Conservador de Direita | Ultraje – Metal & Rock Online
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Permissão Para Rir #2: Jovem Conservador de Direita

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“Já percebi que no seu meio musical ninguém respeita ninguém.”

Depois de termos dado uma voltinha no Taxi Nelson, perguntámos a nós próprios qual seria o nosso próximo destino. A conclusão a que chegámos não pode ser escrita aqui, até porque seria mentira. Fomos então ao encontro do Jovem Conservador de Direita, até porque é cada vez mais evidente que estamos a viver na “era do doutor”! Que tem então o nosso amigo Dr. Jovem a dizer sobre o metal e música em geral?

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Ouvimos dizer que o Dr. é um grande fã de Céline Dion. E o que me diz de uma boa metalada, assim mesmo à maluco? Não vai? Afinal de contas, também há jovens e conservadores no metal…

Em primeiro lugar, não é “de Céline Dion” mas “da Dra. Céline Dion”. Já percebi que no seu meio musical ninguém respeita ninguém, até porque o diálogo é muito difícil quando se faz headbanging. Estou a chamar-lhe headbanging, mas podemos usar o termo antigo: autismo camuflado. Respondendo à sua questão, o estilo de música (podemos chamar assim, para facilitar) metal pode ser considerado um estilo de música erudita, uma vez que tem maior expressão em países desenvolvidos, sobretudo no norte da Europa. Curiosamente, não tem expressão em países subdesenvolvidos como a Índia, o Vietname, ou mesmo a Coreia do Norte. Aí ninguém conhece o Dr. Ozzy, nem o Dr. Korn, e muito menos o Dr. Nickelback. E porquê? Porque têm fábricas. Todo o barulho que necessitam está na sua fonte de rendimento, enquanto que na Dinamarca, na Suécia e na Noruega, com a deslocalização das fábricas para Oriente, os antigos operários necessitam de barulho para não se suicidarem. E mesmo assim… A banda de metal Manowar e os Rolling Stones são o xanax dos ex-operários, assim como a caça é o estado zen dos ex-combatentes de guerras. No fundo, é um regresso ao passado, como se a sociedade não tivesse evoluído: desde os tambores dos australopitecos ao pedal duplo do Dr. Lars Metallica.

“Enquanto os toxicodependentes ouvem metal e vão a concertos em garagens e cavernas não andam na rua a assaltar as pessoas.”

Sendo o heavy metal um estilo de música associado ao Dr. Diabo, e onde temos um monte de músicos toxicodependentes a falar mal de Dr. Jesus e afins, não era de acabar com este tipo de música de uma vez por todas?

Claro que não! Enquanto os toxicodependentes ouvem metal e vão a concertos em garagens e cavernas não andam na rua a assaltar as pessoas. A base da sociedade perfeita está na diversidade. Precisamos de maus exemplos para saber quais os correctos. Como é que era possível apercebermo-nos da voz celestial da Dra. Dion e dos solos amestrados do Dr. Kenny G se não os compararmos com os guinchos do Dr. Maiden e daqueles atropelos de baixo do Dr. Lemmy? Viva o metal porque personifica a música que está mal.

“Um DJ é uma profissão cuja função é apenas operar electrodomésticos.”

O Dr. também parece não gostar de DJs, porquê?

Um DJ é uma profissão cuja função é apenas operar electrodomésticos. Da mesma forma que ninguém paga a uma pessoa que liga e desliga o micro-ondas, não se deve pagar a uma pessoa que se limita a carregar play para outras ouvirem músicas de outras pessoas. Hoje em dia, com o advento das novas tecnologias, mais concretamente dos headphones, as pessoas não precisam de DJs para nada. Cada pessoa pode levar a sua própria música para as festas e ouvi-la através dos seus auscultadores sem chatear ninguém. Por que razão é que toda a gente tem de ouvir a mesma música numa festa? Uns ouvem kizomba, outros ouvem metal e aqueles que percebem verdadeiramente de música ouvem Dra. Céline Dion. Outros até podem nem levar música e ficam em silêncio. Não sei quem é que convencionou que era necessário haver música em festas. O propósito das festas é fazer networking e engate e ambas as actividades são mais fáceis em ambientes silenciosos.

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Em que estado estaria a cena rock e metal nacional se ainda tivéssemos o Dr. Salazar no poder?

Estaria muito bem. O período áureo do rock nacional foi precisamente durante o Estado Novo. Sei que o Dr. Salazar era um grande apreciador da melhor banda de metal portuguesa de todos os tempos: os Xutos & Pontapés. Tanto que impediu que eles se internacionalizassem e obrigou-os a rejeitar um convite para irem tocar ao Coachella. O Dr. Tim até queria cantar em inglês, mas o Dr. Salazar não deixou. Foi também no período do Estado Novo que surgiram grandes bandas rock como Pólo Norte, Ritual Tejo, Além Mar ou Império dos Sentados. Com o 25 de Abril é que começou a surgir a música de intervenção e a música pimba que relegaram o rock e o metal para um segundo plano. Se tiver algo a apontar em relação a alguma imprecisão histórica que possa existir nesta resposta queixe-se ao Dr. Rui Ramos, o maior historiador português e, muita gente não sabe disso, Presidente do Clube de Fãs dos Pólo Norte. Foi ele que me deu esta informação.

Na hora de dar uma voltinha a pé, ou até no carro, que tipo de música é que o Dr. ouve no leitor de MP3 ou na rádio?

Tirando o “Who let the dogs out” dos Baha Men, que me dão um boost motivacional muito forte quando faço ‘power walking’, como quem diz “Cuidado que a esquerda soltou-lhe os cães. Há que fugir!”, não ouço música. Oiço, sim, audio-livros do Dr. José Rodrigues dos Santos narrados pelo Dr. Medina Carreira e sons de manifestações do tempo da Dra. Margaret Thatcher. Não é por acaso que lhe chamavam o Dr. Cesar Millan da contestação social: ninguém domava sindicatos como ela.

Para finalizar, vai processar-nos depois disto ou podemos ficar descansados?

Claro que podem ficar descansados. Aprecio bastante revistas musicais. Foi uma honra ter sido entrevistado pela Bravo do metal. Por vossa causa, até comprei um CD com versões Pan Pipe dos Mastodon para ver se entro no Mundo do metal.

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