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[Reportagem] Kaiser Chiefs: concerto de calendário para indiferença geral

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Kaiser Chiefs + Flying Cages @ Queima das Fitas de Coimbra 2017

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Nome maior do rock, coube aos Kaiser Chiefs encerrar a última noite da Queima das Fitas de Coimbra 2017. A expectativa era elevada devido ao novo álbum da banda, “Stay Together”, que a viu afastar-se do rock para experimentar melodias pop mais acessíveis para um público mais abrangente. Passo em falso ou não, a imprensa especializada não tem poupado críticas a Ricky Wilson e companhia pela orientação tomada, inequivocamente comercial, tendo o The Telegraph ido mais longe ao dizer do vocalista (agora jurado do “The Voice”) que «não deve ser fácil aconselhar jovens artistas a vencer no mundo da música quando ele próprio não produziu um único sucesso em 10 anos».

Ainda assim, a banda tem histórico suficiente para motivar o interesse das audiências e, juntamente com o lançamento do divisivo novo álbum, foi motivo suficiente para ser contratada pela organização da Queima das Fitas de Coimbra. A banda de apoio, os indie rockers conimbricenses Flying Cages, não é estranha a grandes palcos e eventos, o que levou a um convite espontâneo por parte dessa organização. Activos desde 2011 e com dois álbuns na bagagem, o último dos quais “Woolgather”, têm trepado a pulso no panorama nacional. Demonstraram a sua competência durante cinquenta minutos, não obstante alguns problemas relacionados com som, e animaram as ainda poucas centenas de pessoas que se deslocaram ao recinto para assistir ao seu concerto. Feitas as contas, ainda lhes falta identidade, um toque pessoal, que é um factor de importância vital para se fazerem ouvir junto das grandes massas.

Flying CagesFlying Cages (Foto: João Correia)

Os Kaiser Chiefs entraram em palco precisamente à 01:00, iniciando o concerto com “Everyday I Love You Less and Less”; é um momento raro e quem conhece a banda sabe que se trata do tema que a catapultou para o sucesso mundial, geralmente deixada para meio da actuação ou até para o encore. Seguiram-se vários temas clássicos entremeados com os do novo disco ao longo da actuação: “I Predict a Riot”, “Ruby” e “Na Na Na Na Na” levaram o público a repetir refrões. Entre os temas, alguma comunicação da parte de Ricky Wilson com o público – “Obrigado”, “We love you, Coimbra” e outros chavões típicos de quem não tem interesse em dizer muito mais. Excepção feita aos dois ou três grandes sucessos da banda, o público estava totalmente alheado, e poderia tratar-se de uma outra qualquer banda inglesa igual a tantos outros milhares de bandas em cima do palco, tal era o desconhecimento da multidão quando ouvia algo menos comercial. Em menos palavras, tratou-se de um concerto morno a fugir para o frio numa noite já por si fria.

Tudo se poderia resumir a uma actuação mediana menos caso a banda não tivesse proporcionado tanto à organização como à imprensa vários momentos de puro amadorismo. Entre as diversas infelicidades que aconteceram exclusivamente por culpa dos Kaiser Chiefs, destacam-se a proibição de os Flying Cages utilizarem a sala de conferências de imprensa para que a banda inglesa a tivesse disponível para a sua conferência de imprensa. Acabaram por não dar conferência de imprensa sem explicações, embora a tivessem anunciado desde o primeiro minuto, e decidiram informá-lo à organização quando a banda já saía do recinto e mais de dez jornalistas já se encontravam dentro da sala para o efeito. Depois, o director-geral da Queima das Fitas foi expulso da área de produção por um dos elementos da equipa da banda aquando do desempenho das suas funções, algo de inédito em qualquer evento destes até hoje. Ainda falando em expulsões, também eu fui expulso de um dos recintos apenas por perguntar onde ficava o quê. Ao invés das três músicas da praxe, a banda deixou a imprensa fotografar no fosso durante duas. Porque os responsáveis do departamento de imprensa não são obrigados a saber se a banda começa com um medley ou com músicas completas, pediram aos fotógrafos que abandonassem o fosso durante a segunda música para cumprirem com a sua parte do contrato.

Kaiser 11Kaiser Chiefs (Foto: João Correia)

Mais tarde, um dos responsáveis desabafou comigo e com uma colega que teve imensos problemas com a banda desde o momento inicial das conversações, tanto porque algumas das exigências eram dignas de divas como por causa de problemas dentro dos camarins com substâncias ilícitas. Ficou demonstrado o profissionalismo dos Flying Cages, bem como de Jorge Faria e da restante comitiva do Departamento de Imprensa da Queima das Fitas de Coimbra, que tudo fez para facilitar a vida às várias dezenas de profissionais que se deslocaram ao recinto.

Sem margem para dúvidas o evento académico mais importante do país, a Queima das Fitas de Coimbra sempre primou pela diferença e pelo alternativo ao levar a Coimbra alguns dos nomes principais de vários quadrantes musicais, incluindo heavy metal e outros géneros associados à música rock, como é o caso de Moonspell, Apocalyptica, Censurados e Clawfinger.

Kaiser41Kaiser Chiefs (João Correia)

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