Katla: abismo maternal (entrevista c/ Einar Thorberg Guðmundsson) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Katla: abismo maternal (entrevista c/ Einar Thorberg Guðmundsson)

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Podem conhecer Guðmundur Óli Pálmason como ex-baterista de Sólstafir e Einar Thorberg Guðmundsson como vocalista de Fortíð, mas agora esqueçam isso porque os dois músicos voltam a encontrar-se para originar mais um projecto com o cunho da dupla: dão-se a conhecer como Katla e “Móðurástin” é o título de um primeiro álbum que versa musicalmente sobre a Islândia, a sua natureza e as suas gentes. Einar é a voz de Katla neste impressionante disco, mas aqui, nas linhas que seguem, apresenta-se também como um cicerone paisagístico e artístico.

«Katla é um meio para as nossas necessidades criativas. Teremos sempre a necessidade de criar.»

Como é que se juntaram para formar Katla? Como definem os vossos objectivos musicais para a banda?
Eu e o Guðmundur Óli Pálmason temos trabalhado em conjunto com música desde 1998. Lançámos o nosso primeiro longa-duração, chamado “Bálsýn”, com a banda Potentiam. Também gravámos alguma música que nunca chegou a ver a luz do dia. Depois do Guðmundur ter terminado o seu tempo na sua banda principal, basicamente precisava de algo novo para trabalhar. Acho que fui a escolha natural. Na verdade, ele contactou mais algumas pessoas, mas acabou por resultar em nós os dois. Foi mesmo a maneira mais simples e mais rápida de começar algo do zero. Com mais pessoas isto poderia levar mais tempo. O nosso objectivo é simples: Katla é um meio para as nossas necessidades criativas. Teremos sempre a necessidade de criar.

“Móðurástin” significa ‘um amor de mãe’, certo? É literal ou podemos ver algo metafórico para natureza e vida?
Sim, definitivamente podemos ver como metáfora, mas há mais do que isso. O tema-título é sobre uma mãe que abandona o seu recém-nascido para morrer de fome e frio. Isto não era uma realidade incomum antigamente, quando mulheres trabalhadoras e escravas engravidavam dos seus amos. Crianças assim eram consideradas mais uma boca para alimentar, portanto as mães eram forçadas a livrar-se delas.

Bandas islandesas tendem a cantar sobre o ambiente circundante onde temos fogo e gelo em coexistência. Quão infinita é a ilha para ser cantada?
Bem, infinita é mesmo a palavra e não há outra maior para isso. Se alguma vez viajaram ao país, então verão o quanto há para assimilar. A paisagem islandesa é enorme e de ficar sem fôlego. Também está cheia de variações e contrastes fortes. Aqui encontraremos sempre inspiração. Embora deva dizer que escrevi uma larga parte deste material na Noruega, por isso não posso deixar esse país de fora, mesmo que o conceito seja inteiramente apontado à Islândia.

«O fio condutor pelo álbum fora é família e gerações. É sobre a Islândia, a sua natureza e pessoas.»

Infelizmente não sabemos islandês, mas podemos sentir a emoção enorme das palavras que te saem da boca. Como defines o vosso conceito lírico?
O truque é ser-se honesto e sincero. Mesmo que não percebam a língua, irão sempre detectar algo fora do sítio se o vocalista não estiver honestamente ligado às palavras que canta. O fio condutor pelo álbum fora é família e gerações. É sobre a Islândia, a sua natureza e pessoas.

As canções de Katla são muito dinâmicas, diversas e emocionais – têm sempre uma postura atmosférica. Quão intensamente queres sugar todos os sentimentos internos do ouvinte?
Primeiramente, e já que mencionaram a diversidade, isso é muito importante para nós. Queremos que cada canção tenha a sua individualidade, a sua própria história. Também fizemos com que estas músicas surgissem juntas como um todo, e honestamente esse foi o maior desafio na minha perspectiva. Não nos vejo a sugar o que quer que seja dos ouvintes. Prefiro ver isso como o ouvinte a inalar o nosso som, mas estas coisas estão sempre abertas a interpretações.

Tendo uma sonoridade tão bucólica, qual é a importância de oferecer um artwork porreiro? Por vezes, a música é completada com imagens, certo?
A nossa música não fica mesmo completa sem imagens! Os aspectos visuais de Katla são igualmente importantes, e esse é nosso objectivo desde o início. As fotografias do Guðmundur combinam-se perfeitamente com a música e, em conjunto, contam uma história e pintam uma tela maior. Até vamos lançar um livro de fotografias como edição especial do álbum. Sei que está a ir para frente e é uma edição limitada, por isso apressem-se se o querem. A nossa editora, a Prophecy Productions, também é a escolha óbvia para Katla uma vez que estão focados em não lançar apenas álbuns com músicas, mas também com arte conceptual.

Finalmente, quão focados se vão manter com Katla? É um projecto para o futuro?
Não estamos acabados com Katla. Temos muitas ideias à espera de se tornarem realidade. Estamos focados, mas não apressados. Todas as boas coisas demoram o seu tempo.

 

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