Kroh: piras de ardente ansiedade (entrevista c/ Paul Kenney) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Kroh: piras de ardente ansiedade (entrevista c/ Paul Kenney)

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«Trabalhámos arduamente como se fosse um álbum. Estamos satisfeitos que [“Pyres”] esteja a ser bem recebido.»

De Birmingham (Reino Unido) chegam os Kroh, banda de stoner/doom metal formada por Paul Kenney (Fukpig, ex-Mistress) que viria a ficar completa com Darren Donovan (Burden of the Noose, ex-Mistress, ex-Sally), Rich Stanton (Burden of the Noose), Paul Harrington e Oliwia Sobieszek.

“Pyres” (Outubro, 2017) é o lançamento mais recente do quinteto e tem sido imensamente bem recebido, mesmo para um EP. Todavia, não é algo surpreendente para o guitarrista/fundador Paul Kenney, mesmo que não se trate de um LP: «Trabalhámos arduamente como se fosse um álbum. Estamos satisfeitos que [“Pyres”] esteja a ser bem recebido.» Sobre a orientação musical deste último trabalho, Kenney esclarece que «é uma mudança de direcção», transformando a sonoridade de Kroh em algo «mais lento e negro do que antes». «Se as pessoas gostaram é um bom sinal para continuarmos a ser mais arrastados e negros no futuro», comenta.

Ouvindo “Pyres” temos a obrigação de falar de Oliwia Sobieszek, uma vocalista muito diversificada que tanto consegue tons altos como baixos, tudo sempre dependente daquilo que a música em si necessita. «É muito bom ter a Oliwia na banda», começa Paul Kenney, afirmando que «abre caminho a muitas possibilidades para a música». «Com ela podemos seguir várias direcções. Estamos muito contentes por tê-la conhecido, acrescentou muito a esta banda.»

Como mencionado logo no início do artigo, Kroh movimenta-se por campos sonoros relacionados ao stoner e ao doom metal, mas há outros enquadramentos que podem muito bem ser explorados de modo a oferecerem mais riqueza ao ouvido, como é o caso de experimentações psicadélicas em “Nemertean Girl” ou uma evocação a Diamanda Galás em “Moriah”. Podendo olhar para isto como uma fuga da zona de conforto, Kenney é firme na resposta: «Não temos uma zona de conforto, estamos sempre a mudar. Começámos como uma banda doom, mas temos muita coisa a acontecer no nosso som. Não nos limitamos a um estilo. É bom ir-se contra as regras dos géneros e tentar outras coisas. Usar guitarras acústicas e pedaços de psicadélico é algo que adoramos adicionar à nossa sonoridade.»

«Os nossos sentimentos são muito usados nesta banda. Usamos esta banda para deflectir a depressão e para nos libertarmos da vida normal.» Como referido na press-release, “Pyres” lida com vários tipos de dor, especialmente a mental e existencial, por isso, e tendo em conta que a depressão, geralmente derivada da ansiedade, cresceu a olhos vistos nos últimos anos e muitas vezes vista com desprezo, quisemos saber como é que Paul Kenney abraça esta temática com origem em Oliwia Sobieszek: «Usamos a depressão e a ansiedade como uma força para o bem, como uma força para nos fazer trabalhar e que depois é reflectida nos sons que criamos.»

“Pyres” é o lançamento mais recente de Kroh e está disponível desde Outubro de 2017.

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