KZOHH “26” [Nota: 7.5/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
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KZOHH “26” [Nota: 7.5/10]

c7719f0a-d5d2-4380-9d82-a5842a7e44e5Editora: Ashen Dominion
Data de lançamento: 26 Abril 2018
Género: black metal / ambient

Ouvem-se crianças num recreio de Pripyat, Ucrânia. Dia 25 de Abril de 1986 e nada na vida quotidiana fazia prever o que ia acontecer – era o desastre de Chernobyl, o mote para a faixa “51°23’20″N,30°6’38″E” que se inicia em modo post-rock e atmosférico a fazer lembrar Russian Circles, God Is An Astronaut ou A Perfect Circle. Após estes primeiros sete minutos começa a desgraça… Dark ambient sobreposto por chamadas telefónicas que não auguram boas notícias. Ainda numa passada negra e a mid-tempo insurgem-se elementos electrónicos completados por narrações com entoação passivo-agressiva, até que a guitarra começa a conquistar o seu lugar neste tema de 22 minutos. Só a partir dos 14 minutos é que entramos numa paisagem sonora mais black metal com tudo muito arrastado e pesaroso, mas longe das walls of sound características de bandas paralelas como Khors e Ulvegr. Contudo há um clímax final com teclas simples e cintilantes, um crescimento de densidade proveniente dos instrumentos orgânicos que oferece finalmente o apocalipse sonoro relacionado com esta tragédia ucraniana que lançou tentáculos por toda a Europa.

Num momento musical esotérico e conceptualmente assustador vamos até à montanha designada por Holatchahl em “61°45’17″N,59°27’46″E”, faixa que nos conta a morte misteriosa de oito caçadores. Aqui, o black metal é mais evidente logo no início desta composição de 17 minutos, com uma bateria veloz, uma guitarra espessa, arranjos ambient que criam atmosfera e instrumentos acústicos que evidenciam ritualismo/folk. Assim, é com esta faixa que melhor se nota a base black metal do quinteto habitualmente mostrada nas bandas já antes mencionadas. Todavia, o experimentalismo é essencial em KZOHH e os elementos exteriores ao metal directo voltam a ouvir-se com samples industriais. Sensivelmente a meio desta jornada de morte há uma quebra sonora mas um incremento conceptual: com um som de ambiente ocultista a pintar o fundo desta tela, ouvimos sofreguidão na respiração, alguém que foge de algo que não vê, que não sabe de onde vem – uma espécie de “Blair Witch Project” –, até que voltamos a mais um clímax que pode ser conotado como épico, mas muito desolador.

Enquanto não há álbuns de Khors (o último é de 2015), estes ucranianos vão deliciando a nossa melomania com Ulvegr e com estes KZOHH, projecto este que tem como alvo transformar mitos e pestes em música – e fazem-no bem.

7.5/10
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