KZOHH “Trilogy: Burn Out The Remains” [Nota: 7/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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KZOHH “Trilogy: Burn Out The Remains” [Nota: 7/10]

rsz_1trilogy_front_coverEditora: Ashen Dominion
Data de lançamento: 30 Setembro 2016
Género: black metal / ambient

Com membros de bandas ucranianas famosas na cena black metal (Khors, Ulvegr, Elderblood, Ygg, entre outras), os KZOHH avançam, desta feita, com a proposta conceptual mais desafiante que alguma vez compuseram sob esta bandeira sombria. Fazendo uma cronologia sonora da conhecidíssima Peste Negra, os KZOHH começam por relatar o primeiro documento que se conhece sobre esta pandemia (ano 542) e chegam até à Irlanda para recontar a forma como a doença se espalhou pela Europa, matando milhões de pessoas. Avançam séculos, até ao vigésimo, e transferem a direcção lírica para a gripe que dizimou cerca de 30% da população mundial no pós-Primeira Guerra Mundial.

Neste novo lançamento não esperemos pelas paredes de som vigorosas que se edificaram no álbum anterior, “Rye. Fleas. Chrismon.”, ou nas bandas paralelas já mencionadas. “Trilogy: Burn Out The Remains” pode até nem ser considerado 100% metal se ouvirmos, por exemplo, a primeira faixa “Panoukla DXLII”, que nos dá quase 13 minutos de sonoridade ambient que deambula entre vozes corais características da época medieval e orquestrações muito simplistas. As guitarras e a bateria lá vão aparecendo a seu tempo e somos, finalmente, atirados ao black metal na segunda “Ñrom Conaill”. Começam, então, a aparecer os sons cintilantes tão conhecidos dos primeiros discos de Khors e uma avalanche de poderio black metal vem por aí abaixo, em que a voz do novo vocalista Zhoth se alastra por toda esta peste musical. Com sons de guerra moderna, lá chegamos à Influenza Espanhola com a terceira e última composição que dá pelo título de “H19N18” – nada mais, nada menos do que a nomenclatura científica da dita praga gripal. Mais industrial e bélico – ainda que sempre em mid-tempo – do que propriamente black metal ou ambient, o encerramento deste disco coroa a reinvenção sónica que os KZOHH levaram a cabo nesta trilogia de faixas.

“Trilogy: Burn Out The Remains” simboliza uma nova vida para os KZOHH, porque se reinventam e experimentam. Não será para todos – nem mesmo para o geral dos fãs dos outros projectos adjacentes –, mas não podemos deixar de referir este álbum como um marco interessante e arriscado, não só na discografia do grupo, mas também na carreira global dos seus integrantes.

7/10
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