Long Distance Calling: para lá da zona de conforto (entrevista c/ Jan Hoffmann) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Long Distance Calling: para lá da zona de conforto (entrevista c/ Jan Hoffmann)

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«Sabemos que a banda apenas pode existir com nós quatro porque a forma como escrevemos música apenas funciona com esta constelação.»

«Esta banda acabou de fazer o melhor regresso de sempre.» Os comentários de fãs no YouTube valem o que valem, mas este candidata-se a ser spot on. Não apenas porque os alemães Long Distance Calling se atreveram a regressar à forma menos comercial de serem um quarteto instrumental, mas também porque “Boundless”, o seu novo longa-duração, se habilita seriamente a ser o disco de pós-rock do ano. Épico ao ponto de a etiqueta “pós-rock instrumental” ser demasiado pequena para ele. Mas voltemos à parte da voz e ao que leva uma banda que está no trilho do sucesso – com o último disco “Trips” a chegar inclusivamente ao 23.º posto da tabela de vendas alemã – a desistir de ter voz e a retomar uma abordagem mais nicho. «O principal motivo foi não termos um cantor que faça parte desta banda», diz-nos Jan Hoffmann, baixista do grupo. «O [vocalista anterior] Petter Carlsen fez um trabalho espantoso no “Trips” e é como um irmão para nós, mas infelizmente vive na Noruega, é muito atarefado e, por isso, nem sempre está disponível para estar connosco. Tínhamos de planear cada ensaio e cada concerto muito tempo antes, o que era muito stressante para nós. Desta vez queríamos livrar-nos de stresses desnecessários e escrever um álbum como fazíamos quando começámos a banda. Apenas nós quatro na sala de ensaios a compor e a gravar música sempre que nos apetecia O músico considera ainda que não existem muitas diferenças entre esta nova abordagem música e o modo como compunham antes de recrutarem um vocalista. «As canções do novo álbum foram escritas da mesma forma que o nosso material instrumental mais antigo», refere. «Começamos com uma ideia ou simplesmente fazemos uma jam e tentamos construir uma canção a partir daí. Surge tudo muito naturalmente – se tivermos boas sensações quando tocamos as novas ideias, mantemo-las e finalizamos o tema. Quando não temos vocalizações temos de manter as coisas interessantes sem a voz, o que significa que não podemos ter músicas típicas de verso e coro, por isso temos de arranjar algo mais, que seja totalmente interessante para nós. Quando trabalhamos com voz temos de, por exemplo, deixar espaços livres nas partes de guitarra para que as vocalizações encaixem; desta vez podíamos fazer o que nos apetecesse

Tirando a posição de vocalista, os Long Distance Calling são um sério caso de longevidade de uma formação, formando uma unidade coesa que se junta para mais do que apenas ensaiar e que faz, inclusivamente, escalada de montanha em conjunto. Hoffmann considera que a unidade dos quatro elementos funciona ao mesmo tempo a favor e contra eles próprios. «Existe uma certa forma de nos relacionarmos os quatro que torna muito difícil a novas pessoas juntarem-se a nós. Para além disso, sabemos que a banda apenas pode existir com nós quatro porque a forma como escrevemos música apenas funciona com esta constelação. Todas as pessoas na banda são muito importantes no que diz respeito à composição, onde estamos todos igualmente envolvidos. Não existe uma mente dominante em Long Distance Calling Por outro lado, duas décadas, seis álbuns completos e dois EPs fazem com que o método de trabalho do projecto já não passe pela pura inspiração e seja neste momento uma mistura de suor e criatividade. «É claro que temos de estar inspirados para criar música, mas distinguir as boas ideias das más, optimizá-las e discuti-las, isso é trabalho árduo», diz-nos o baixista. «É óbvio que não queremos repetir-nos e procuramos sempre fazer coisas frescas e entusiasmantes. Mas é um tipo de trabalho árduo que nos diverte bastante, porque estamos sempre ansiosos por ouvir o resultado final. Normalmente inspiramo-nos no que nos rodeia e na música que ouvimos

A música que ouvem incorpora-se «naturalmente», segundo o nosso interlocutor, na música que os Long Distance Calling praticam. «Ouvimos muita coisa diferente e acho perfeitamente natural que algumas partes sejam incluídas na nossa música. Claro que não aproveitamos tudo, porque sabemos o que encaixa no estilo de Long Distance Calling. É uma coisa que acontece de uma forma mais subliminar. Por exemplo, o Dave [Jordan, guitarrista] ouviu muito Jeff Beck nos últimos anos e desenvolveu o seu estilo por causa disso. O Janosch [Rathmer, baterista] ouviu uma série de música negra que o fez tocar de uma forma mais groovy. Tudo isto pode ser acrescentado ao estilo de Long Distance Calling sem mudá-lo

 

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