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Reviews avulso: Light Of The Morning Star | Dead Earth Politics | Dusius

Diogo Ferreira

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LOTMS_Nocta_Cover_v2Light Of The Morning Star “Nocta” [Nota: 6/10]
Editora: Iron Bonehead Productions
Data de lançamento: 03 Março 2017
Género: gothic/doom metal

A Iron Bonehead Productions é conhecida pelo seu catálogo repleto de black metal cru e death metal ritualista, por isso é com espanto que nos deparamos com Light Of The Morning Star, um projecto gothic metal que lança agora, em Março, o primeiro álbum. Numa mistura nem sempre muito diversificada entre Bloody Hammers e um pouco de Fields Of The Nephilim, esta banda de um homem só acaba por fazer muitas incursões ao doom metal. A intenção atmosférica é dada desde o início e ao longo da audição começa a perceber-se que é impossível quebrar muitas barreiras, ainda que haja um ou outro riff que se levante e rodopie com uns drumming rolls normais. “Nocta” é de uma espessura carregada de incenso que nos abraça e nos faz levitar ao som do conceito vampírico que tão depressa se entranha como se pode esquecer.

 

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Dead_Earth_Politics_-_The_Mobius_Hammersmith_-_FrontDead Earth Politics “The Mobius Hammersmith” [Nota: 7/10]
Editora: Pavement Music
Data de lançamento: 03 Março 2017
Género: rock/metal

Votados como a melhor banda de Austin (Texas, EUA) entre 2012 e 2016, os Dead Earth Politics não deixam créditos em mãos alheias e voltam aos álbuns com “The Mobius Hammersmith”, um disco híbrido de metal e rock. O típico rock groovado dos EUA está bem presente na voz encorpada que também se consegue transformar em algo mais limpo e amigável, especialmente nos refrões bastante catchy e, diríamos até, radio-friendly. Por outro lado, há um brutal trabalho de guitarras com riffs precisos e criativos que são muitas vezes coroados por leads/solos técnicos e oportunos. Por fim, e mesmo tendo uma originalidade própria, uma das influências deste grupo é Iron Maiden e isso nota-se nalgumas entradas vigorantes. Bom rock, bom metal.

 

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FRONTE-3000X3000-PIXEL-450x450Dusius “Memory Of A Man” [Nota: 7/10]
Editora: Extreme Metal Music
Data de lançamento: 17 Março 2017
Género: folk metal

Desde 2010 a batalhar para lançarem o primeiro longa-duração, os italianos Dusius aparecem finalmente e logo com um disco conceptual que versa fraternidade, traição e guerra. Com 12 faixas, a banda de Parma utiliza um folk metal convincente que, por mais estagnado que o subgénero possa estar, contagia com flautas e alguns lances de guitarra acústica envolvente. Claro que há momentos de fúria, mas também podemos vir a sentir aquela vontade de tentar dançar à volta da fogueira (sim, está muito batido, mas é mesmo assim). Depois de uma primeira metade energética começa a pressentir-se melancolia e algum sentimento de perda porque a história torna-se negra, mas o impacto musical será sempre interessante.

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Mantar “The Modern Art of Setting Ablaze”

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: sludge metal

Poucas bandas conseguem escapar-se de receber um rótulo no que toca à sua sonoridade, algumas podem até aceitá-los de bom grado e há outras, como é o caso de Mantar, que tornam este processo uma das tarefas mais difíceis que já tivemos. Foi sem grandes complicações ou pretensiosismos que este duo germânico conseguiu, desde o lançamento do seu primeiro álbum, enquadrar o punk e o black metal nos meandros do sludge.

Em apenas seis anos de carreira, e sobretudo desde o lançamento de “Ode To The Flame”, provou-se que esta assinatura sonora, tanto em palco como fora dele, lhes valeu um grande e merecido reconhecimento. É então através da Nuclear Blast que nos fazem chegar “The Modern Art of Setting Ablaze.” Este é o seu terceiro álbum de estúdio e volta a apontar holofotes na direcção de Hanno e Erinc, sem nunca se afastar da fórmula original, onde dois bastam para fazer o estrago de cinco ou mais.

“The Knowing” é a faixa introdutória, que rapidamente descontrai e prepara os ouvidos dos mais atentos para um dos momentos mais catchy deste trabalho: o riff inicial de “Age of the Absurd.” Os temas “Seek + Forget” e “Taurus” abrandam ligeiramente o ritmo, mas nem por isso desfalcam a descarga massiva de riffs memoráveis, que ficam alojados naquele sítio mais escondido e obscuro da nossa cabeça. Sempre sob a máxima ‘dois é bom, três é demais’, o ritmo galopante de Erinc nunca esmorece, juntando-se à voz e guitarra animalescas de Hanno, numa feroz contribuição para o build-up que sentimos ao longo destes doze temas.

A meio do álbum, o tema “Dynasty of Nails” chega acelerado e relembra que grande parte das raízes deste duo assenta efetivamente no punk. Mesmo com algumas oscilações de ritmo, o compasso abrasivo mantém-se e é apenas nos últimos “Teeth of the Sea” e “The Funeral” que podemos reconhecer um tom mais melancólico, onde a vertente mais doom da banda volta a merecer algum destaque.

Uma produção mais cuidada revela-se talvez uma novidade não tão bem-vinda neste terceiro trabalho. O registo mais limpo facilita a coesão entre faixas, mas descarta aquele som pantanoso, repleto de pormenores ásperos, a que já nos tínhamos habituado. Ainda assim, na maior parte do tempo, as letras dos temas compensam este ponto com linhas como “since you are born, you are waiting for death.”

Um álbum coeso e straightforward, com mais uma pitadinha de in-your-face do que lançamentos anteriores. Aqui não há direito a pausas para descanso.

Nota Final

 

 

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King Dude “Music To Make War To”

Diogo Ferreira

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Editora: Ván Records
Data de lançamento: 24 Agosto 2018
Género: blues / country / rock

King Dude não é um artista de massas, mas tem fãs leais por todo o mundo e ao fim de quase 10 anos é evidente que ajudou a modificar, para melhor, a cultura musical norte-americana. Se os primeiros discos eram direccionados às guitarras acústicas e já com muita atmosfera, em “Fear” (2014) introduziu a guitarra eléctrica, em “Songs Of Flessh & Blood – In The Key Of Light” (2015) surgiu com piano e em “Sex” revelou a sua faceta punk. Agora, com “Music To Make War To”, o músico adorado por tantas e tantos junta um pouco de tudo o que já fez.

Com a loucura de guerra como fundo, King Dude oferece uma mescla de country, blues, americana e rock, sempre, claro, com o seu cunho tão pessoal. Se a guerra provoca náuseas, desorientação e doença, a música de King Dude tenta curar tudo isso sem nunca omitir a negritude da base conceptual. A inaugural “Times To Go To War” apresenta uma faceta obscura e extremamente atmosférica, “Velvet Rope” atira-nos para campos sonoros relacionados ao rock, “I Don’t Write Love Songs Anymore” recorda-nos o post-punk de Inglaterra, “Dead On The Chorus” expõe mais uma vez uma inclinação punk, “In The Garden” apresenta uma paisagem sonora meia electrónica com loops cativantes, “Let It Burn” evoca uma espécie de cenário western e “Good And Bad” põe-nos à mesa de uma boîte envolta em fumo de cigarros onde, no palco, poderá estar uma cantora de vestido vermelho que chora ao lado de um saxofone.

Ao fim de sete álbuns, este “Music To Make War To” prova que parar e ficar numa zona de conforto não é o trato de King Dude. Relevando novamente que TJ Cowgill é parte importante da transformação da música underground norte-americana, este disco prova também que nunca sabemos ao certo o que acontecerá a cada álbum que é lançado. E isso é bom! Aliás, tem sido bom. Qualquer trabalho de King Dude é um must-have.

Nota Final

 

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Helion Prime “Terror Of The Cybernetic Space Monster”

Diogo Ferreira

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Editora: AFM Records
Data de lançamento: 31 Agosto 2018
Género: heavy/power metal

Desde a sólida estreia com o álbum de título homónimo, datado de 2016, algumas coisas mudaram em Helion Prime, principalmente devido à adição de uma voz masculina pela primeira vez. Depois de Heather Michele Smith (Graveshadow) e Kayla Dixon (Witch Mountain), os californianos chamaram a si Sozos Michael, que se apresenta um vocalista com uma voz aberta e poderosa, por vezes até com laivos de Hansi Kürsch (Blind Guardian).

Focados em analisar a natureza humana e a luta interna entre bem e mal, os Helion Prime, e a sua mascote Saibot, não deixam de parte um teor cósmico que aparece principalmente na intro “Failed Hypothesis” para, seguidamente, enveredarem por um heavy/power metal que não recorre a floreados orquestrais, tirando um ou outro breve segmento de piano. Para além da voz cativante e profissional de Sozos Michael, é a execução das guitarras, por Jason Ashcraft e Chad Anderson, que mais salta à nossa atenção devido principalmente à orientação thrashy que dá uma energia imparável e imperativa a este álbum, culminando numa epopeia de 17 minutos na nona, e última, “Terror Of The Cybernetic Space Monster”.

Se Jason Ashcraft não tinha bem a certeza daquilo que faria e como seria o resultado final do segundo álbum da banda que fundou, então todas as dúvidas estão dissipadas neste “Terror of the Cybernetic Space Monster”. É indicado para fãs de Blind Guardian e para os adeptos da ala mais agressiva do heavy/power metal.

Nota Final

 

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