[Entrevista] Mammoth Mammoth: quando a persistência é o termo | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Entrevista] Mammoth Mammoth: quando a persistência é o termo

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Os australianos Mammoth Mammoth lançaram no passado dia 28 de Abril o seu quinto trabalho discográfico “Mount the Mountain”. Esta viagem de várias sonoridades parece ter sido feita de algumas curvas e muitas peripécias. A Ultraje conversou com o quarteto sobre esta nova fase, e ficou a saber que nos esperam encontrar num bar em Portugal, ainda este ano.

«“Mount the Mountain” lida com muitos problemas pessoais, como más experiências, depressões, vícios, basicamente recuperar de novo e tentar reparar os cacos/confusão em que te encontras.»

Completam este ano 10 anos de existência enquanto Mammoth Mammoth. Para este quinto trabalho de estúdio (terceiro com a Napalm Records) – “Mount the Mountain” –, o que consideram ter feito de diferente?
Já passaram 10 anos? Sério? Foda-se! Há quanto tempo…. De qualquer modo, nós estamos bastante orgulhosos deste álbum, pois apesar de todas as comparações óbvias com outras bandas de rock, nós quisemos apostar no que consideramos ser o ‘nosso som’ e explorá-lo. Fazê-lo crescer. Adicionar algo forte e um pouco diferente ao cocktail. Mas ao mesmo tempo quisemos criar músicas em redor do nosso foco principal, com solos massivos e refrões infecciosos. (Nós continuamos a querer que o nosso som alerte a população-unicórnio.) Então compusemos durante um longo período de tempo, e escrevemos ainda mais músicas! Filtrámos apenas a essência! Agarrámos em mais de 40 ideias para as músicas deste álbum, e levámos 15 ou 16 para o estúdio. Começámos a descartar músicas como senão gostássemos mesmo delas. Parece um bocado grosseiro, mas sabe bem. Trouxemos o nosso grande amigo e ex-baixista Simon Spliff Jauney para trabalhar connosco em cinco canções, de modo a trazer um toque psycho  às faixas que achámos que precisavam disso. “Spellbound” e “Epitome” são duas das quais me lembro de momento. Incluímos também dois grandes vocalistas para ajudar a preencher alguns coros/vocais.  Definitivamente novas metodologias, mas também muitas jams, copos e bons momentos durante este processo. E como não podia deixar de ser, as peripécias usuais! Como quando tivemos uma rusga da polícia nos nossos ensaios – e no último dia de gravações, quando o Pete caiu de mota! Ele é um gajo rijo. No entanto veio um pouco abatido e enxovalhado, e mesmo assim gravámos o que precisávamos. A certa altura, já só queríamos acabar!

Li que consideraram a escrita para este álbum como trabalhar on a top fuelling drag car. Contem-nos um pouco em que se basearam para a composição e construção deste álbum? E para aquele desafiante artwork?
Bem, como dissemos, gostamos bastante do modo como estava a correr a escrita das músicas. Estava a funcionar bem connosco. O motor estava a trabalhar bem. Mas com algumas afinações ao carburador, alguns melhoramentos na admissão do combustível, um aperto aqui, uma afinação ali, pensámos que a máquina funcionaria melhor. E assim fizemos. Nós não entendemos o quão desafiante seria o artwork mas funciona deste modo: “Mount the Mountain” lida com muitos problemas pessoais, como más experiências, depressões, vícios, basicamente recuperar de novo e tentar reparar os cacos/confusão em que te encontras. Existe um lado niilista em bastantes letras. Mas também um ‘deixa andar’ algumas vezes. As coisas podem ficar negras, mas ao mesmo tempo tu podes rir bem alto sobre os problemas! Bem, a capa foi desenhada e pensada para contrastar com isso. Sereno, mas poderoso. São espaços abertos onde nos podemos sentir livres, épicos e imponentes. Uma capa precisa de ser icónica e simples. Pensamos que sejam esses os elementos que fazem uma capa.

Qual é a vossa maior herança do desert rock, e que acabam sempre por aplicar nos vossos álbuns?
Todos aqueles bons sentimentos quando ouvimos linhas gordas de baixo cheias de fuzz, guitarras rodopiantes mergulhadas numa viagem psicadélica conduzidos por grooves hipnóticos de bateria. Essas merdas todas! Quem é que não gosta? Mas nós não nos consideramos como uma banda de stoner ou desert rock, porque temos muitas outras influências, e muitas delas são externas à música. Mas sim, claro que bandas como Fu Manchu, Acid Kings e obviamente Kyuss são porreiras – e elementos desse estilo de sonoridade entram nas nossas músicas. Mas não nos agrada a ideia de pertencermos a um género específico. Já tocamos com Sleep e na verdade não temos nada a ver com eles, mas o espectáculo funcionou na perfeição. Já fizemos uma tour com o John Garcia [Vista Chino, ex-Kyuss], mas nós temos um rock mais directo e sujo. Por outro lado, conseguimos slots com Hell Yeah e Zakk Wylde, dos Black Label Society – e isso está muito longe do deserto!

O que é que a Kylie Minogue achou de ter uma versão rock n roll da “I cant get you out of my head” no vosso álbum?
Acho que ela adorou! Ela já nos disse que estava a pensar fazer uma versão do êxito “Weapons Of Mass Self Destruction”, do nosso primeiro EP, com produção de Giorgio Moroda. Isso seria altamente. [risos]

Para quando uma visita a Portugal? Cá a cerveja também é boa e temos bons rock clubs para vos receber.
Vamos estar em Portugal em Novembro, e vai ser muito porreiro. Acho que vamos acabar por descansar por lá depois da tour, para recarregar energias para mais concertos. Já ouvimos falar muito bem de Portugal, e obviamente há uma história e real paixão pela música feita em Portugal através de muitos géneros. Por isso, lá estaremos quando fizermos uma tour pela França, Espanha e Portugal. E estamos ansiosos por provar essas cervejas que falaste – e vocês vão poder testemunhar o nosso ground-humping, cat-punching, head-exploding, good-time murder-fuzz”! Então malta, vemo-nos no bar!

 

A review ao disco pode ser lida AQUI.

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