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Master Boot Record “Direct Memory Access” [Nota: 7.5/10]

Diogo Ferreira

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27545661_1788129241480977_8502662545438092834_nEditora: Blood Music
Data de lançamento: 20 Abril 2018
Género: electro

Se não fosse a inclusão do vocalista Öxxö Xööx (Rïcïnn, Igorrr) – o que ocorre pela primeira vez na discografia deste projecto –, bem que podíamos classificar Master Boot Record como uma cena 100% desumana, 100% sintetizada. Todavia, vamos esquecer, por momentos, os berros do francês e centrarmo-nos no universo computadorizado deste “Direct Memory Access”, até porque o título diz tudo, assim como os nomes de algumas faixas: “DRAM Refresh”, “Sound Card 8-Bit”, “Hard Disk” e por aí fora. Rotulando Master Boot Record como electro, synthwave ou retrowave, imaginemos catedrais vazias onde toda uma instalação electrónica está montada para ecoar pelas paredes de calcário uma abordagem ao metal de forma desumana e robótica. Isto é, substituamos as guitarras por sons sintéticos – que ora soam a motosserra, ora soam a teclados do Barroco – e imaginemos que isto podia muito bem ser um álbum de death metal ou deathcore… Electronicamente violento, não há aqui a retórica gore do death metal, mas sim uma jornada criptográfica que acontece no cerne de um processador 486, renovando a vida de hardware obsoleto, que satisfará uma já larga gama de metálicos e adeptos da electrónica, sem esquecer alquimistas e hackers. Facilitando as coisas, classifiquemos Master Boot Record como aquilo que a editora lhe chama: cypher-metal. É indicado para fãs de Igorrr.

 

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Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

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Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

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Reviews avulso: Moenen of Xezbeth | Zero Down

Diogo Ferreira

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Moenen of Xezbeth “Ancient Spells of Darkness…” [Nota: 6/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 01 Agosto 2018
Género: black/doom metal

Devotados ao black metal em mid-pace, este projecto belga tem uma orientação crua que arranca de nós sentimentos cavernosos e obscuros muito à custa da sua sonoridade dungeon, provando que é uma produção rude que faz sentido nesta abordagem musical. Há ainda uma inclinação ao doom que se enquadra no tal andamento a meio-passo. Todavia, e por mais honesto que possa ser, as parecenças entre faixas representam o toque do alarme no que ao enfado diz respeito, já que as malhas de guitarra, a voz e a bateria não saem de uma zona de conforto originada no início do disco. Ainda assim, vale a pena mencionar os teclados que oferecem atmosfera e a tal condução a soundscapes oriundas de caves húmidas.

 

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Zero Down “Larger Than Death” [Nota: 6/10]
Editora: Minotauro Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: heavy metal

Heavy metal old-school naquela vertente NWOBHM é o que podemos esperar desta banda sediada em Seattle (EUA). Malhas corridas, twin-guitars, baixo grosso, algumas vozes high-pitched e até cowbell – está tudo neste “Larger Than Death”, mas falta algo… E deparamo-nos com o problema quando percebermos que os Zero Down não querem passar do revivalismo doutros tempos. Contra isso nada, mas a indústria musical, os fãs e os críticos dão ar de si se quiserem que o tradicional seja respeitado, ainda que com o arrojo de se estar no Séc. XXI e tentar um ou outro toque mais moderno. Esta nova proposta tem o seu vigor próprio, mas falta-lhe um kick épico e realmente cativante que não se destaca alargadamente. Bem tocado, mas pouco memorável.

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Reviews avulso: Ill Omen | Tunjum | Ritual Aesthetic

Diogo Ferreira

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Ill Omen “The Grande Usurper” EP [Nota: 7.5/10]
Editora: Iron Bonehead Productions
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: black metal

Proeminente força do underground australiano, a one-man-band Ill Omen, orientada por IV (conhecido como Desolate nos tempos de Austere), marca 2018 com um EP viscoso e moribundo composto por uma sonoridade grave e lindamente nevoeirenta. Ao longo de quatro faixas, este mini-LP revela a podridão sonora e conceptual em que se encontra actualmente Ill Omen através de walls of sound pestilentas por onde escorrem viscosidades nojentas, vozes vindas de criptas, malhas obscenamente sedutoras e influências claras em álbuns como “De Mysteriis Dom Sathanas” dos Mayhem. EPs são, geralmente, boas apostas e o multifacetado artista australiano acertou em cheio.

 

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Tunjum “Deidades del inframundo” [Nota: 7.5/10]
Editora: Dunkelheit Produktionen
Data de lançamento: 23 Julho 2018
Género: death metal

Demoraram um pouco mais de 10 anos para lançarem o primeiro álbum após demos, EPs e splits, mas lá conseguiram. O death metal dos peruanos Tunjum assenta em duas pedras basilares: sonoridade old-school sem baixar guarda e cultura Moche. Reinante durante cerca de 700 anos, já depois da Era que se diz de Cristo, a comunidade Moche, como muitas outras do continente sul-americano, fundamentava a sua existência em sacrifícios sanguinários. À força, caso fossem inimigos, ou voluntariamente, para agradar aos deuses, tais rios de sangue foram encaminhados para o death metal dos Tunjum que se apresenta sem desculpas, mas com muito compromisso estético, tratando-se este “Deidades del inframundo” um trabalho cheio de malhas orelhudas e bárbaras que são enegrecidas pela voz gutural e pela produção crua e atmosférica.

 

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Ritual Aesthetic “Wound Garden” [Nota: 7/10]
Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 27 Julho 2018
Género: industrial metal

Inicialmente idealizado como um projecto de estúdio, Sean Ragan, de Denver (EUA), acabou por elevar Ritual Aesthetic aos palcos e até já os partilhou com Hocico. “Wound Garden” é um terror digital bem maquinado e oleado, seja pelas várias camadas sonoras ou pelos hooks bem sacados dos mais variados elementos industriais que Sean engendrou para música. As faixas deste disco são capazes de nos remeter para outros artistas, o que poderá chamar a vossa atenção, entre os quais Marilyn Manson em momentos vocais, mais calmos e orelhudos, The Lion’s Daughter nas secções ditas mais cósmicas se tivermos em conta o álbum “Future Cult”, e Author & Punisher no quadrante estritamente industrial e desumano.

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